Entre uma tendência de moda e outra, a vida vai passando. Uma hora você usa uma larguíssima calça pantalona, na estação seguinte, tem que se apertar numa legging. A roupa tem data de validade e quem não quer ficar fora de moda, trata logo de ir mudando o guarda-roupa a cada novidade ditada pelas passarelas, revistas ou até a turma de amigos.
Para a estilista Helen Moreira, a roupa pode ser e também ter um algo mais que a torne diferente e única. A roupa pode ter a história de quem a veste. É por isso que ela está lançando a ‘‘roupa que conta história’’. É um xale (do tipo pashimina, que já se tornou um clássico no guarda-roupa feminino e é vedete há várias estações) onde cada bordado tem um significado especial para a proprietária. ‘‘Ainda não pensei num nome para ele’’, explica Helen, que já desfila pela cidade com o seu xale exclusivo.
‘‘Minha próxima coleção vai ser sobre espelhos. O xale é o primeiro passo, porque a pessoa vai ter que parar para pensar o que marcou a sua vida. Ela vai ter que se reconhecer no espelho’’, diz a estilista que, para criar os modelos personalizados, vai precisar ouvir muito suas clientes. ‘‘Eu amo ouvir histórias dos outros’’, avisa.
O xale alaranjado da estilista ganha ainda mais destaque com o amarelo do Sol bordado. ‘‘Helena em grego quer dizer Sol e ele me dá muita energia’’, explica Helen, que também bordou alianças (casamento), crianças (seus dois filhos) e, é claro um busto, que significa a moda, uma de suas paixões.
A grife que leva o nome de Helen tem quase um ano – a ser completado no mês de agosto. Antes de se lançar em carreira solo no mercado, ela trabalhou para três outras marcas de Londrina e Cambé prestando consultoria de moda. Antes de se dedicar ao mundo fashion, a estilista se formou em enfermagem, chegou a trabalhar em postos de saúde e a dar aulas para futuras enfermeiras. ‘‘Antes não existiam faculdades de moda’’, explica Helen, que até pensou em entrar para o curso de estilismo em moda da UEL quando ele foi lançado, poucos anos atrás.
‘‘Mas acabei fazendo uma pós-graduação em moda. Até achei que não ia passar na seleção de alunos porque eu só tinha o amor pela moda e nada de técnica. Agora eu sei que a parte técnica a gente contrata’’, ensina. E é o sentimento, a paixão que move Helen. ‘‘Meu trabalho não é só vender. Gosto de humanizar as relações’’, explica a estilista, disposta a resgatar algumas boas histórias das clientes que acabam virando suas amigas.
A inspiração para o ‘‘xale-que-conta-história’’ veio de um filme que Helen assistiu alguns anos atrás. ‘‘Fiquei com a idéia na cabeça depois de ver ‘Colcha de Retalhos’’’, lembra. No filme, que tem Winona Ryder como protagonista, um grupo de velhas amigas se reúne para confeccionar uma colcha de retalho. Cada pedaço de tecido e cada bordado é uma história para cada uma das amigas.
‘‘Cada um tem o desejo de registrar a sua história. O homem das cavernas fez isso nas paredes. Agora temos o papel, a escultura, as pinturas. Queria fazer algo também com as roupas’’, explica. ‘‘Com uma peça personalizada, a pessoa cria um vínculo com a roupa’’, completa.
‘‘Já faz um tempo que eu venho guardando as roupas da minha mãe. Nem sei o porquê e nem o que vou fazer. Mas outro dia, fiz uma bata que tinha um pedacinho de uma roupa dela de 30 anos atrás’’, explica. Para Helen, ‘‘quando se resgata o passado pode-se melhorar o futuro’’.
A estilista afirma: ‘‘Todo mundo quer ser único e o xale pode se tornar um objeto do desejo.’’ Para quem se interessou, Helen avisa que está pronta para ouvir muitas histórias.

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