Com a proximidade do Carnaval, fervem também os ensaios das escolas de samba do Rio de Janeiro. Mais do que a pulsação das baterias ou a profusão de animados foliões, as grandes escolas têm, entre seus atrativos, algumas beldades que, ao longo do ano, desfilam seu talento e suas formas em produções televisivas. A tradicional Acadêmicos do Salgueiro, por exemplo, conta em suas fileiras com a atriz Carol Castro, que há dois anos é rainha da bateria da escola. Nos ensaios, realizados às terças e sextas-feiras na quadra da agremiação, a atriz, que faz a Mercedita em Bang Bang, já se sente em casa. ''Este ano estou me sentindo mais entrosada com a bateria. O fato de não ser mais uma estréia é muito especial'', garante.
Eleita rainha da bateria da agremiação em 2005, Carol está mais segura para conduzir os ritmistas da escola no desfile deste ano. Assim que chega à quadra, a atriz costuma ir direto para o local onde fica posicionada a bateria. Ali, a rainha exibe todo o seu charme com o sorriso estampado no rosto e um irrepreensível samba no pé. Em geral, Carol samba por aproximadamente uma hora de frente para a platéia. Carismática e querida na escola, a atriz é reverenciada pelo público que lota os ensaios. ''Aqui, tenho muito carinho por todos, das cozinheiras ao presidente. São pessoas especiais, unidas no mesmo objetivo que é essa paixão pelo samba'', destaca.
Todo o carinho recebido, no entanto, aumenta ainda mais a responsabilidade da atriz. Ela sabe que não basta ser apenas um sorriso bonito à frente da bateria. Para conduzir os ritmistas até a comissão julgadora existe todo um roteiro a ser seguido, que é ensaiado durante o ano inteiro. Somente após a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira, a rainha apresenta a bateria aos jurados. Segundo ela, é fundamental que se tenha muita concentração para não ''atropelar'' o tempo de cada ala. ''Para mim, o mais difícil é conseguir equilibrar a emoção de estar ali na avenida com a responsabilidade de ser a rainha'', confessa.
Em seu segundo ano no Salgueiro, a atriz já incorporou o espírito que envolve os integrantes da agremiação. Sempre que pode, Carol faz questão de visitar a quadra da escola fora dos horários de ensaio, a fim de criar uma relação mais íntima com os profissionais que trabalham para tornar realidade o carnaval do Salgueiro. ''Depois que você entra nesse universo, você compreende melhor essa paixão, que dura um ano inteiro para ter 80 minutos na avenida'', resume. Como consequência, todos os integrantes da escola têm uma preocupação constante com a atriz. Até a água oferecida a Carol é mantida separada, uma vez que ela não toma a bebida gelada.
Fora dos ensaios, o único fator que tem atrapalhado a atriz em sua preparação para o carnaval é o ritmo forte das gravações de Bang Bang, novela das 19 horas da Globo. Na pele da Mercedita, Carol grava quase todos os dias e vive uma rotina mais pesada que a do ano passado, quando interpretava a Angélica, em Senhora do Destino. Com muitas cenas gravadas às pressas, a atriz está com pouco tempo para fazer um trabalho específico de preparação para o desfile. ''Meus dias têm 48 horas. Eu tenho de arrumar tempo para malhar, para decorar texto, para vir sambar... Só me dividindo em várias!'', brinca.
No carnaval deste ano, a Acadêmicos do Salgueiro vai apresentar o enredo ''Microcosmos: o que os olhos não vêem, o coração não sente''. O tema, escolhido pelos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lávia, pretende mostrar ao público a grandeza do universo do cosmos. Por enquanto, Carol ainda usa suas próprias roupas nos ensaios. Na avenida, porém, a atriz usará este ano uma fantasia que promete chamar a atenção do público. A vestimenta da rainha representará o ''coração que pulsa'', conduzindo os membros da bateria, que serão suas artérias. Para ela, o mais gratificante do desfile é a energia que emana nas pistas do sambódromo. ''Não tem como descrever. É o tipo de experiência única, como saltar de pára-quedas: tem de fazer para entender'', compara.

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