Curitiba- A dedicação ao teatro praticamente nasceu com Lala Schneider. Natural de Irati, interior do Paraná, filha de mãe costureira e pai carroceiro, a menina logo pequena veio morar em Curitiba. Como ficava sozinha em casa, aproveitava o vazio para mobilizar a vizinhança em torno de interpretações. ''Tive uma infância muito feliz. Lia livros de contos à noite, e no dia seguinte contava a meus vizinhos e dizia: agora vamos brincar. Então eu dirigia, distribuía personagens. Não sabia o que estava fazendo, nem conhecia teatro''.
Lala podia não saber o que estava fazendo, mas hoje, do alto dos seus 80 anos, lembra com agilidade aqueles que foram os primeiros passos de uma carreira profissional que comemora agora 50 anos de vida. ''Fazia teatro sem saber. Na época, as meninas de minha idade brincavam de casinha, comadre e boneca e eu, não'', lembra Lala do seus 12 anos. Mas antes mesmo, bem pequena, já gostava da produção, coisa que ao longo da sua vida viveria intensamente. ''Gostava de me arrumar, fazia capas de lençóis e ficava dançando na frente do espelho. Sempre gostei disso, de aparecer, que rissem de mim. Então acho que já nasci com isso''.
Bem, isso foi logo nos primeiros anos de vida. Com o passar do tempo, ela queria fazer direito e começou a se preparar. Mas o teatro andava atrás dela e, em 63, entrou para o Teatro de Comédia do Paraná, onde passou a atuar. ''Fui trabalhar e já comecei a receber cachê e fazer uma peça atrás da outra'', foi-se então a faculdade de direito. Nascia a atriz. Enquanto isso, como teatro não dava muito dinheiro, trabalhou nas Lojas Americanas e depois foi para o Sesi, onde ficou até a sua aposentadoria. Lá, mais arte. Lala foi diretora do departamento artístico.
''Resolvi que queria ser atriz, como sou até hoje. Arranjei um emprego porque o teatro nunca deu muito dinheiro. É mais prazer, mas eu ainda faço''. E põe prazer nisso. Lala integrou o elenco de rádio teatro da Rádio Colombo, de 1958 a 1964. Fez parte do teleteatro da TV Paraná, canal 6, até 1972. Amadora, participou como convidada de grupos de profissionais que vinham a Curitiba com gente como Bibi Ferreira, Wanda Lacerda e Maria Fernanda. Como professora, integrou o corpo docente do curso superior de Arte Cênicas, Centro Cultural Teatro Guaira e Faculdade de Artes do Paraná.
Foram seis anos de rádioteatro, 8 anos de teleteatro em Curitiba e 2 anos da Rede Globo de Televisão, no Rio de Janeiro em 91 e 92, 98 peças teatrais, 8 filmes longas e 3 curtas. Dirigiu 20 espetáculos teatrais, teve 12 participações em Festivais de Teatro e Intercâmbios Culturais. Recebeu 12 prêmios de melhor atriz e 2 de melhor direção. Ufa! Com tanta coisa só podia ser paixão mesmo.
De toda essa experiência, foi do tempo de Teatro de Comédia com a direção de Claudio Correa e Castro, que Lala tem melhores lembranças. Tanta alegria em subir num palco a leva a pensar que sempre teve muita sorte, já que na família nunca ninguém se interessou por arte. ''Tive muita sorte sempre. Aprendi a vida com o teatro. Ele ensina muito. Hoje, ao olhar para uma pessoa chego a arriscar até sua profissão. A gente aprende muito a conhecer o ser humano. Isso é muito bom''.

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