A paixão de Herbert Viana
Uma semana marcada pela angústia levou milhões de brasileiros a torcer por Herbert Viana. Ficam todos desesperados quando acontece uma tragédia dessas. E todos tecem comentários a respeito do que realmente aconteceu. Será que foi imprudência? Não foi não. Foi paixão. Pura paixão. A mesma que levou o paraibano, líder dos Paralamas do Sucesso há mais dez anos, a escrever, compor músicas que fizeram a história de uma geração que, ironicamente, está amplamente sendo revisitada. Quem viveu aquela época sabe que ele sempre foi um cara apaixonado: paixão pela música, pelas guitarras, pelos vinhos e por voar. Impossível um cara como Herbert não voar com paixão ao lado de Lucy, a mulher que acalmou o coração do músico. Quem se lembra do amor dele e de Paula Toller? Esta paixão rendeu algumas parcerias entre os dois que levavam a geração dos oitenta ao delírio, assim como as músicas de Herbert, de Paula e seu Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, as músicas de Cazuza e seu Barão Vermelho e de Renato Russo e seu Legião Urbana e de Lobão. Cazuza e Renato não resistiram às loucuras daqueles maravilhosos tempos em que pudemos desfrutar de todas as conquistas feitas por nossos antecessores: os jovens das décadas de 60 e 70. Não existiam mais sutiãs para serem queimados, a pílula já era uma realidade, tudo podia e tudo se fazia. Herbert também. Só que não era doido, não, mas um cara fino. Educado e por isso dedicado à loucuras que são mais sérias.
Perdemos então nossos queridos Cazuza e Renato. Ainda temos Lobão, que por sua vez não cruza muito com Herbert, que por sua vez nunca esteve nem aí para os venenos que ele destila a seu respeito. Com a delicadeza que só os homens especiais têm, Herbert Viana deu mais um show na semana passada. Sua luta pela vida mostra seu lado passional. Um homem acima de qualquer crítica. É claro que ele não foi irresponsável. Talvez ingênuo, empolgado com sua paixão, porque estava com sua amada e indo em direção de amigos que gostava muito tenha se deixado levar pela empolgação e tentado fazer uma manobra arriscada. É pouco provável essa hipótese. Foi o vento que, ao sentir a presença de duas pessoas tão especiais como Herbert e Lucy, se empolgou e tentou embalá-los com sua força. Só que, influenciado pela paixão que movia Herbert naquele momento, acabou soprando forte demais.





