A regente Oleide Lelis se emociona ao lembrar que a mãe ficava até tarde da noite tricotando para que ela, quando criança, pudesse fazer as aulas de piano. "Eu era de família bem simples, era não, sou", conta Oleide, que nasceu e cresceu em Ibiporã. "É até por isso que eu quis me doar", explica. E por doação, ela traduz toda sua trajetória compartilhando a paixão pela música com crianças, a maioria carente.

Começou como professora de piano e se tornou regente do Coral Infantil Crystal Vectra – iniciativa da Vectra Construtora –, além de participar, desde o início, do projeto "Educação Musical Através do Canto Coral – Um canto em cada canto", lançado em 2002 nas escolas da rede municipal de Londrina. "Cerca de oito mil crianças já passaram pelo projeto", lista Oleide. Mais que números, ela contabiliza as transformações que alcançaram os alunos e suas famílias. "A gente vê a felicidade dos pais nas apresentações que reúnem 200, 300 crianças."

Recém-chegada dos Estados Unidos, onde participou de um simpósio internacional da American Choral Directors, Oleide se reuniu com cerca de cinco mil regentes de todos os cantos. "É isso que faz com que a gente tenha um trabalho de excelência, procurando sempre se aprimorar, ter as melhores referências com música coral", define.

Durante quatro dias, em Salt Lake City, Oleide e a equipe do projeto Um canto em cada canto tiveram uma programação intensa com oficinas, workshops e concertos de música coral. "Era das 9 às 9, quase não dava tempo nem para comer porque a gente não queria perder nada", lembra. O simpósio é bienal e dois anos atrás aconteceu em Chicago, também com a participação do grupo londrinense. "Em experiências como essa, a gente volta a mil por hora, querendo aplicar tudo aqui", afirma a regente, ainda impactada com a apresentação de encerramento do encontro com um público de 21 mil pessoas.

Sempre em busca das melhores referências na área, Oleide conta que muito do que viu nos coros participantes – da Ásia, Europa e Américas – já é utilizado nos projetos londrinenses. A grande diferença, segundo ela, é que por lá, "as crianças leem partitura como a gente lê aqui o nosso português", define.

"Queria que a música fosse mais, que fosse um elo de crescimento, de integração com a sociedade, queria que a música contribuísse para a formação da criança. Foi quando montei o projeto Canto na Escola, em Ibiporã, que consistia em um coro em cada escola", lembra Oleide, que passou a treinar ex-alunas de piano para que elas contribuíssem com a iniciativa.

O projeto foi o embrião do Encontro de Coros de Ibiporã, que teve sete edições anuais. "E movimentou muito a cidade em termos de música, vinham vários coros convidados, tinha cursos, oficinas", explica. "O Canto na Escola foi um projeto que deu muitos frutos em todos os sentidos. Dali saíram vários músicos, gente que vive de música hoje", orgulha-se Oleide.

"Eram na maioria crianças carentes, isso que me marcou, foi a transformação dessas crianças, da importância da música na vida delas", conta a regente, que, coincidentemente, trocou Ibiporã por Londrina na mesma época em que estava sendo criado o projeto Um canto em cada canto. "Fui convidada para ser a coordenadora", lembra. "Foi uma continuação do trabalho que fazia lá."

"Sou suspeita para falar, mas a música para mim é uma arte que não tem igual. Ela pode modificar as crianças e eu acredito nelas", diz. Para a regente, o projeto, que está indo para a décima quarta edição, dá oportunidade para as crianças. "Isso é o que me move, é acreditar que com esse nosso trabalho a gente está contribuindo para a formação integral das crianças", diz.

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