A MULHER DE US$ 9 MILHÕES
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sábado, 03 de março de 2001
Geraldo Galvão Ferraz Agência Estado. 
Jennifer Lopez é Ricky Martin com um vestido Versace? Quem se lembra da febre Livin la Vida Loca do ex-Menudo, recente mas quase esquecida, sabe do que estamos falando. Ele era a atração latina da vez, batida contagiante, sensualidade tropical transbordando em cada poro, gestos e requebros calientes numa coreografia de academia aeróbica. A imagem de Ricky estava por toda parte, batendo recordes em discos, vídeos, publicidade, shows. Com Jennifer parece acontecer a mesma coisa.
Desde o prêmio Grammy do ano passado, quando ela deu uma chacoalhada nos Estados Unidos com aquele vestido Versace verde que roubou a cena e virou a cabeça do rapper Sean Combs, o Puff Daddy, ela eclipsou toda e qualquer atração latina do show-biz, inclusive Ricky.
É hoje a atriz latina que mais ganha em Hollywood e nunca houve nenhuma outra que recebesse tanto por um filme, US$ 9 milhões. A Cela, feito em 2000, rendeu mais de US$ 60 milhões. Ela já fez depois disso o thriller sobrenatural Angel Eyes, o sucesso nos EUA que estréia aqui este mês, O Casamento dos Meus Sonhos, e uma cinebiografia da pintora mexicana Frida Kahlo, The Two Fridas. E já tem mais três em negociações.
Seu primeiro disco, On the Six, lançado em 1999, vendeu mais de 8 milhões de cópias em todo o mundo. O CD, significativamente, tinha o nome do trem com que ela ia do seu Bronx natal para o centro de Manhattan. E abrigava músicas que eram como uma ilustração dos seus anos de formação, uma mistura de som latino, rhythmnblues e soul, baladas e canções para dançar, com a maioria cantada em inglês, mas algumas em espanhol, como um dueto regado a salsa com o cantor Marc Anthony, com quem ela teve um breve namoro.
A própria Jennifer vê o disco como uma espécie de trilha sonora de uma viagem que representa na sua vida muito mais que os 40 minutos de metrô para Manhattan. O ponto final do percurso significou para ela a descoberta de uma personalidade artística e sua consagração como estrela.
O segundo, lançado este ano, foi uma afirmação em todos os sentidos do poder de Jennifer hoje. Chama-se J-Lo, seu apelido. E está no primeiro lugar das paradas, assim como seu filme O Casamento dos Meus Sonhos lidera a bilheteria das estréias. Jennifer, a poderosa, mudou muito desde On the Six. Ela o gravou em cerca de três meses, um quarto do tempo do CD de estréia. Ela mudou drasticamente, para melhor, desde o último disco, comentou o produtor-executivo Cory Rooney à Rolling Stone.
Antes, ela teve de ser convencida de que poderia fazê-lo. Neste, ela trouxe técnica e controle. Ela sabia como era importante dar um tempo em certas músicas e relaxar. Ela sabia o que queria parecia que já fazia isso a vida toda.
Em J-Lo há quatro músicas escritas por ela, que o considera um reflexo de onde está na vida um ponto decisivo. Chega-se a uma certa idade (ela nasceu a 24 de julho de 1970) e se começa a pensar em outras coisas. Você começa a imaginar o que sua vida vai ser. Vai ser assim nos próximos dez anos ou vou fazer algo diferente? Vou diminuir o ritmo ou vou continuar acelerando algum tempo? Muito disso está no disco, disse ela numa entrevista.


