A moda que vende lá fora
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sábado, 24 de junho de 2006
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Paris- A simpatia e a doçura mineira de Tereza Santos encantam. Numa simples conversa seu sorriso contagia. Sua forma de pensar a vida demonstra porque ela é hoje a única brasileira a ser vendida em um córner dentro da Galerias Lafayette, um dos lugares mais conhecidos da cidade da moda. E se moda é mais que uma bela roupa e representa números bons de receita para a empresa que a fabrica, então Tereza Santos é dona da moda mais bem-sucedida do Brasil no exterior neste exato momento.
Dentro de um carro, numa manhã fria e ensolarada de Paris, a empresária e estilista da Patachou e agora da grife que leva seu nome (ela investe aqui fora em seu nome) ri e diz que tudo aconteceu naturalmente durante os 26 anos que trabalha com roupas. ''Parece um sonho, mas a gente sempre trabalhou muito para as coisas acontecerem'', explica, acrescentando que o sucesso de seu trabalho no mercado internacional, numa hora em que a moda brasileira ainda patina no assunto, não foi uma coisa provocada e, sim, conquistada.
Em uma dessas coincidências da vida, em 1980, a estilista resolveu abrir uma pequena produção de roupas femininas em Belo Horizonte. O nome? Patachou. Uma homenagem à cantora francesa que fez sucesso nos anos 50 em Paris. Lady Patachou, como era chamada, cantava nos cabarés vizinhos do famoso bairro boêmio Pigalle-Montmartre e acabou ganhando notoriedade internacional. Um eco que ecoou mesmo e que fez Tereza resolver homenageá-la 30 anos depois.
A investida da estilista foi certeira: moda em malharia bem-feita. Cinco anos depois, ela já adquiria sua fábrica com o nome de Penélope e investiu numa qualidade que hoje a garante se solidificar no mercado internacional. ''Essa foi a base para o início do que seria uma revolução no tricô e na malharia: a mistura do artesanal, da criatividade brasileira, com a pesquisa tecnológica e a informação de moda de vanguarda'', explica. Com essa mentalidade e com o famoso e incontestável jeitinho mineiro, Tereza Santos atravessou duas décadas e meia e sobreviveu ao boom e depois queda da moda em seu estado. Durante algum tempo a moda mineira liderou, faziam coisas incríveis, mas pouco a pouco foram sumindo e hoje a gente tem como grandes nomes mesmo as marcas Patachou e Tereza Santos.
O trajeto de trabalho da estilista não conheceu outro estilo a não ser o da seriedade. Tereza pensa firme nisso. Essa firmeza deu resultados em alguns anos. Somente em 1992 foi aberta a primeira loja em BH e em 95 a grife chegou a São Paulo. Sempre crescendo, a empresária nunca desviou de um objetivo importante: fazer roupas para mulheres especiais. Não seguir tendências fixas e, sim, trabalhar num perfil que já existe.
Com todo o sucesso que tem agora, Tereza não parece deslumbrada. Segue com o mesmo jeitinho, o mesmo sorriso. Atravessa maratonas de viagens que envolvem negócios não somente em Paris, mas incluem Nova York, Londres e Tóquio. ''Também expandimos nossas fronteiras para mais de 40 pontos de vendas na Alemanha, Espanha, França, Grécia, Inglaterra, Portugal, Líbano, Hong-Kong, Estados Unidos, Austrália e Japão demonstrando que não há barreiras quando o objetivo é oferecer uma moda inspirada nos desejos da mulher contemporânea, que vive de bem com a vida e com o mundo em movimento''.
Mesmo assim, ganhando o mundo com um número de vendas considerado muito bom para o comércio de moda brasileira, ela ainda pensa em continuar manter o foco no Brasil. A característica que mantém Tereza com a cabeça em seu país também é a mesma que a faz ganhar espaço aqui fora. Ela conseguiu unir traços da moda brasileira com especificações das mulheres de outros países. ''Mudamos algumas coisas nas roupas para o mercado internacional'', conta. Essa adequação ajuda e muito a vender no exterior. Afinal, apesar da sensualidade brasileira ser muito interessante e sedutora aos olhos do mundo, os corpos e as culturas não são aos mesmos e existe a necessidade de adequação tanto nas modelagens quanto na qualidade do que vai ser vendido em países onde a oferta e a concorrência são enormes.


