A MODA QUE VEM DAS RUAS
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quarta-feira, 04 de abril de 2001
Simone Mattos De Curitiba 
A longa noite de terça-feira no IV Crystal Fashion contou com quatro desfiles e muitos atrasos. Zapping, Siberian, Club Colours e Crawford mostraram suas coleções inverno numa verdadeira maratona que durou quase seis horas. Entre convidados especiais que desfilaram para as marcas estavam a modelo Michelly Machri, mais conhecida pelos comerciais da Sukita, e os atores Marcos Pasquim e Matheus Rocha, que provocaram histeria entre as adolescentes da platéia.
Para abrir a festa, a Zapping repetiu na íntegra o desfile apresentado recentemente em São Paulo. Com o tema in transit e o objetivo de mostrar cenas urbanas, a grife colocou em cena 88 modelos que andavam pela passarela de forma desalinhada, fugindo ao máximo da idéia convencional de desfile. No telão, ao fundo, eram projetadas simultaneamente imagens de trânsito e pessoas, típicas de qualquer metrópole.
A proposta era exatamente esta: criar na passarela a mesma movimentação que há numa avenida de São Paulo ou Nova York, diz o estilista e produtor da Zapping, Maurício Pollacsek, justificando a poluição visual. A saturação de sons e imagens, entretanto, acabou comprometendo a boa compreensão da nova coleção.
Segundo o estilista, os pontos altos deste inverno Zapping são as leggings utilizadas como meias, em sobreposição. Outra forte tendência, que deverá prosseguir na coleção verão, são as calças masculinas usadas por mulheres, dando a idéia de pantalonas.
O desfile, produzido por Edison Vasques, mostrou ainda uma grande aposta nos contrastes. Brinquei com as proporções misturando peças justas e largas, curtas e compridas no mesmo look, informa Pollacsek. Entre os tecidos, os destaques ficam para os xadrezes, inclusive com fios em lurex. Os tricôs pesados, com aparência de feitos pela vó também tiveram destaque na passarela.
Se a Zapping pecou pelo excesso, a grife seguinte a desfilar deu um show de obviedade. Dentro do previsto, a marca Siberian exibiu várias peças do guarda-roupas básico. O desfile contou com a presença do ator global Matheus Rocha, vários quilos acima de seu peso ideal, mas que mesmo assim conseguiu arrancar aplausos e gritos da platéia feminina.
Quando a modelo Michelly Machri subiu na passarela para abrir o terceiro desfile da noite, da Club Colours, o evento já estava com 2h30 de atraso. A grife feminina apresentou uma sucessão de trajes usáveis, de bom gosto, mas sem grandes novidades em corte, tecidos ou estilo.
Esta é mesmo a nossa proposta: criar roupas usáveis e que estejam próximas de qualquer consumidor, justificou o diretor-presidente do Grupo Valddac, Dácio Silveira, que responde pelas grifes Club Colours, Siberian e Crawford.
Ele explica que o grupo possui um forte departamento de pesquisa, que analisa o mercado e a moda de rua. Nenhum estilista do mundo pode impôr uma moda pronta. O processo é inverso: quem faz a moda é o público, comenta.
O mesmo Grupo Valddac encerrou a noite com o desfile da Crawford. Atualizando o clássico masculino em formas resgatadas de décadas passadas, a proposta da marca são as modelagens mais ajustadas e silhuetas longelíneas.
Outra inovação apresentada pela Crawford são os tecidos. Entre eles, lãs super 100s, 110s e 120s, cashmere para sobretudos, couro brilhante e com efeito amassado para jaquetas, parkas de nylon e tecidos tecnológicos com dupla função.
Em comum, nossas três grifes têm a característica de mostrar a moda que começa nas ruas, que parte da criatividade das pessoas comuns, encerra Silveira. Não estamos aqui para agredir ninguém, declarou, referindo-se à moda conceitual.


