A moda por quem sabe
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de janeiro de 2011
Agência Estado 
São Paulo - Especialista em moda, a paulistana Lilian Pacce já entrevistou feras internacionais, como o empresário Pierre Bergé e os estilistas Karl Lagerfeld, Marc Jacobs e Tom Ford. Formada pelo London College of Fashion e pela Saint Martin's School of Fashion (Londres), ela apresenta o programa GNT Fashion e é colunista de moda em jornais. Nos anos de 1998 e 2000, recebeu prêmio de melhor jornalista de moda do País.
Nessa semana, Lilian fez a cobertura, para o canal GNT, do Fashion Rio, um dos maiores eventos de moda do Brasil, que terminou ontem, contou com 25 desfiles e trouxe como tema de inverno 2011 a ''Alma Carioca - As pessoas, uma celebração''. Ela também deve comandar a cobertura do São Paulo Fashion Week, que começa no dia 28 de janeiro.
Como surgiu seu desejo de trabalhar com moda?
Na minha adolescência, quando não era normal usar calça jeans numa festa, por exemplo, minha mãe ficava enlouquecida porque eu só tinha jeans no meu armário. Sempre tive alguma relação com a moda, mesmo inconsciente. Fui muito autodidata, porque na época não existia faculdade de moda, os livros e as revistas eram importados e demoravam três meses para chegar aqui.
Você demora para se arrumar?
Depende. Tem dias que, em um minuto, estou pronta. E tem dias que duas horas não resolvem. Igual a todas as mulheres (risos). Por mais que a gente tenha um truquezinho, aquela roupa que a gente sabe que vai dar certo, nos dias que você não está bem, você não a quer.
Tem alguma entrevista que lhe marcou?
Muitos anos atrás, fui entrevistar o Tom Ford em Los Angeles. Fiquei impressionada com quanto ele é sedutor, como ele te envolve... Você se sente uma rainha... (risos). Mas tem uma entrevista que me emocionou muito, com o Pierre Bergé, parceiro e sócio de Yves Saint Laurent (1936-2008). Fui fazer uma entrevista com ele sobre a fundação Saint Laurent e ele foi tão sincero... Porque realmente têm horas que as pessoas se colocam com muita honestidade e a gente como jornalista percebe isso. Eu fiquei muito tocada porque, no final, o assessor de imprensa disse que o Bergé queria o bruto da entrevista (o material era para o GNT Fashion), porque ele gostou bastante da conversa.
Você sente que o Brasil tem avançado significativamente na moda?
Acho que sim. Falta o Brasil se posicionar melhor no mercado. Como não somos uma potência como os EUA, estamos sempre meio à margem e isso se reflete na moda também. O mais difícil para os profissionais não é fazer, mas conseguir repercutir.
Tem alguma moda atual que você não gosta?
Eu não gosto de plataforma. Tenho um pouco de resistência. Acho um calçado deselegante. Mas não tenho preconceitos com nenhuma tendência específica.
Na sua opinião, qual é o maior crime fashion?
É a roupa justa, aquela bem agarrada mesmo, saltando tudo pra fora. As brasileiras, na verdade, não veem isso como um crime, mas como um atrativo. Para mim, é um crime. Não é preciso estar tão apertado para se insinuar, para ser sexy.
O que uma pessoa precisa fazer para se vestir bem?
Antes de mais nada, se conhecer, entender o corpo dela e ter uma relação ambígua com o espelho. Ele vai te apontar o que está bom e o que não está legal. E para desenvolver um estilo, a pessoa precisa se lapidar mesmo, ter informação de moda e cultura e se dedicar.


