A moda em tempo real
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de julho de 2009
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Casada com o empresário paranaense João Elísio Ferraz de Campos, a jornalista carioca Regina Martelli costuma dizer que sua casa, no Rio de Janeiro, é uma embaixada paranaense. Acostumada à cultura do Estado, portanto, ela não hesitou ao aceitar o convite do Sebrae-PR para falar sobre moda para dezenas de empresários do setor, em Curitiba. Estou um pouco nervosa, brincou, no começo da palestra. Mas sua intimidade com o tema logo quebrou o gelo. Regina é hoje uma das maiores especialistas sobre o assunto no país. Responsável pela editoria de moda do departamento de jornalismo da Rede Globo, ela é capaz de ditar tendências, sempre com foco na realidade.
Temos de trabalhar sempre com o real. As apresentadoras dos telejornais precisam usar roupas que não causem estranhamento. As peças e acessórios não podem chamar mais atenção do que a notícia, ensina. Nascida em Copacabana, berço da atitude carioca, Regina começou desde cedo a interessar-se por moda. E foi uma questão de personalidade, como ela frisa, sem maiores influências.
Com um irmão sete anos mais velho, ela viveu a adolescência em meio a mudanças culturais essenciais. Eu vi a moda da minissaia nascer. E logo adotei o estilo e passei a cortar minhas próprias saias. Eu sempre fui novidadeira, lembra. Quando chegou a hora de prestar vestibular, escolheu um curso que desse oportunidade de encarar as novidades como profissão. Mas antes de começar a carreira como jornalista, Regina teve outras experiências.
Enquanto fazia a faculdade, ela trabalhava como vendedora em lojas de roupas, e, quando concluiu o curso, abriu sua própria butique. Depois de algum tempo, fechei a loja por questões financeiras. Fiquei pensando no que ia fazer e me lembrei do diploma, brinca. O ano era 1980 e Regina, já com experiência no setor de moda, foi trabalhar no jornal O Globo. Em 1985, foi para o Jornal do Brasil. Também passou pela editoria de moda do jornal O Dia antes de assumir a mesma editoria na Rede Globo, onde permanece até hoje. Atualmente, ela é responsável pela editoria de moda do departamento de jornalismo, uma função importante e que acaba influenciando diretamente os espectadores.
Sem filhos, mas com duas enteadas, Regina vive o segundo casamento. Dessa vez com o empresário que até já assumiu o Governo paranaense, mas que está afastado da política (João Elísio foi vice de José Richa e assumiu por nove meses o governo do Paraná, quando o titular candidatou-se ao senado, entre 1986 e 1987). Prestes a completar 60 anos, a jornalista diz gostar da atual rotina. A vida pessoal está bem. Está calma, conta.
E como uma ávida consumidora de roupas e cosméticos, Regina analisa o mercado brasileiro na área: O setor está na contramão da crise, diz, e a justificativa, segundo ela, é a maior participação da mulher no mercado de trabalho, além da mudança no perfil masculino. Os homens estão mais vaidosos, salienta. O aumento da expectativa de vida também está influenciando o crescimento do mercado. O público acima de 50 anos é bom consumidor. O que importa não é a idade, mas sim a atitude, diz.
Quando o assunto é moda fora das telinhas, Regina analisa o momento como democrático. Ela conferiu os desfiles do Rio Fashion e São Paulo Fashion Week e analisa as tendências apresentadas pelos estilistas brasileiros para a próxima temporada. Aliás, tendência, não é bem a palavra para definir o que foi mostrado nos dois eventos, conforme ressalta a consultora. Não existe mais tendência. Existem várias vertentes. A moda se tornou bem democrática e, por isso, mais difícil, define.
Para ela, o fato de as pessoas poderem, teoricamente, usar de tudo, deixa os consumidores confusos. Mas é bom lembrar que a moda reflete o comportamento da sociedade, que também está mais democrática. De qualquer forma, Regina salienta que tanto o mercado de beleza, que envolve desde produtos de moda a itens cosméticos, está em expansão. E dá um recado para os empresários do setor:
A moda deve ser encarada como um fenômeno integrado. Está tudo conectado roupas, beleza, cosméticos, gastronomia, exemplifica. E para
quem quer manter-se e crescer no setor, a dica da jornalista é uma só: investir na pesquisa, na tecnologia e na qualidade dos produtos. O resto
é consequência.


