A moda agora é unir as forças
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de novembro de 2002
Ana Clara Garmendia<BR>Equipe da Folha 
Curitiba Alcione Gabardo Júnior, da grife Sexxes, não se sente mais só na briga pelo crescimento da moda local. Ele é um dos 50 empresários a integrar o Grupo de Moda de Curitiba. A turma, formada por ele e outros profissionais envolvidos direta ou indiretamente com a produção de moda, quer, no início do próximo ano, aumentar a profissionalização na cidade, para poder vender mais para dentro e fora do Brasil.
Júnior começou a trabalhar com moda há mais de dez anos. O interesse por cortes e recortes veio na genética. Seu avô era alfaiate e a avó estilista na cidade. Sempre gostei de moda. Acho que por influência da minha família. Autodidata, confeccionava roupas para vender às colegas da faculdade. Depois abriu a grife Ópio. Alguns anos mais tarde, quando foi registrar o nome e não conseguiu, acabou criando a Sexxes, uma marca que é febre entre a geração de adolescentes no Paraná.
Depois de ter conquistado um público que é reconhecidamente infiel, por ser jovem e irreverente, e já ter lojas em São Paulo, Florianópolis e Porto Alegre, além de 300 pontos de venda em lojas multimarcas, Júnior enfrenta a falta de estrutura para crescer ainda mais. A segunda maior indústria brasileira é a de vestuário. Mas não temos profissionais especializados para crescer mais. Você veja: a (grife italiana) Prada exporta 30 vezes mais que o Brasil que, por sua vez, exporta menos que o Caribe, desabafa.
Agora, com o Grupo de Moda formado, tudo pode mudar. Queremos unir forças. Promover cursos de profissionalização, para podermos encontrar profissionais que nos ajudem a crescer. Dentro deste plano, Júnior participou esta semana do I Seminário de Desenvolvimento da Indústria do Vestuário de Curitiba e Região. No evento ele e mais alguns profissionais respeitados da cidade falaram sobre suas vivências.
Uma característica que a Sexxes tem é a de não parecer curitibana. Isso aconteceu por eu ter baseado o meu marketing em cima do que as grandes marcas fazem. Então comecei a ter uma comunicação nacional com o público. Sobre esta estratégia, Júnior conta que uma vez procurou uma editora de moda na cidade para saber o motivo de não aparecer na mídia local. Ficou envergonhado e espantado ao saber que ela via a Sexxes como uma grife paulista.
Essa atitude de não ser bairrista lhe rendeu bons e maus frutos. Mas hoje o ruim foi superado. O estilista é respeitado como alguém que tem uma característica própria. Ele não se leva por modismos e trabalha com peças conceituais que acabam virando hit entre os adolescentes que consomem sua roupa.
A grife Sexxes em Curitiba tem tanto peso que seus desfiles no Crystal Fashion são tão disputados como as apresentações das grandes marcas nacionais. A única diferença é a de que o curitibano de 38 anos não contrata ninguém famoso para engrossar o desfile. A turma que vai ver suas criações está interessada mesmo em ver que atitude o estilista irá propor para a estação. Suas roupas atendem exatamente quem não quer se complicar na hora de fazer uma boa produção.
O perfil de ser avesso a badalações em torno de famosos acabou também garantindo ao criador uma posição confortável junto a outros profissionais da indústria da moda. Júnior é tímido na área social, mas é felino quando se trata de defender suas posturas e ganhou fama de bom brigador. Como anda envolvido até o pescoço em fazer a moda local viver momentos melhores o respeito a suas idéias e opiniões só deve aumentar.


