A magia que tem número
Numa época em que a indústria lança incessantemente novos aromas para aguçar ainda mais a vontade feminina de consumir, uma única fragrância, conseguiu atravessar o tempo. A invenção de Gabrielle Chanel, ou mais conhecida como Coco ou ainda O Anjo Exterminador do Século XX (como Paul Morand a apelidou), de 1921, permanece mais atual e famosa do que nunca. O que levaria uma inovação que trouxe ao mundo dos perfumes o Chanel Nº 5, há quase um século, a se manter tão chique e tão desejada?
Há quem pense que a imagem de Coco é quem fez a magia do Nº 5. Como a grande dama da moda sempre determinou estilo e comportamento para os elegantes do mundo inteiro, a permanência da fragrância como um ícone de bom gosto e elegância é a própria eternização do estilo Coco. Ela mesma dizia que uma mulher que não usa perfume não tem futuro. E não deve ter mesmo. O cheiro, o aroma, determinam a personalidade de uma pessoa e a que faceta da sociedade a que ela pertence.
Houve épocas de febres em torno de fragrâncias como Lou Lou, da Cacharel, Poison, de Cristian Dior e tantos outros. Nenhum sobreviveu. Somente a invenção que colocou, pela primeira vez ingredientes sintéticos numa composição conquistou tantos adeptos. Desde Marilyn, Catherine Deneuve (clicada por Richard Avedon, um dos mestres da fotografia), Candice Bergen, Lauren Hutton, Vanessa Paradis e por aí vai.
Marilyn Monroe, a loira mais famosa do Século 20 declarou certa vez que dormia vestida com algumas gotas do Nº 5. Também foi para vender este precioso líquido que as campanhas publicitárias exploraram pela primeira vez na história da propaganda a imagem de um vidro de perfume. Isto foi na década de 50 e, de lá para cá, muita coisa mudou. Somente a fragrância do perfume permanece a mesma. Nada foi alterado em sua composição.
Para entrar no ano 2001, a marca Chanel resolveu adaptar a imagem de seu mais querido pupilo, dando-lhe roupa nova. A idéia dos criadores veio para tentar renovar as usuárias do perfume. Como a aroma já está com 80 anos, muitas mulheres também têm idade avançada. São as jovens daquela época.
A nova roupagem do Nº 5 vem buscar a juventude com um frasco mais leve, com vaporizador e um design totalmente renovado. A criação de Jean Paul Gode quer atingir em cheio as mulheres que correm com seus celulares, lap tops e precisam de um perfume que tenha permanência e mostre o quão elegantes elas são. A idéia da campanha é mostrar a possibilidade que o eterno carro-chefe de madame Coco tem de fazer com que suas mulheres despertem paixões.
Quem conhece o perfume acredita que o segredo está na simplicidade do aroma. Ele é marcante, misterioso e foi o primeiro a pertencer a uma grife de alta costura. Seria esse o segredo? Assim como o mistério que quem usa o Nº 5 se espalha por onde passa, esta dúvida também deverá ser fruto de muitas reportagens e também de muitos inventores de perfumes. Talvez seja porque Coco só existiu uma. Jamais o mundo da moda viu alguém tão chique, discreta e dona de si mesma como a grande dama dos Séculos 19 e 20. E talvez também jamais se veja um fenômeno de consumo como a perpetuação do Chanel Nº 5.





