A LINGUAGEM DE SALTO ALTO
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de novembro de 2000
Carmen Kley 
PhD em elegância e estilo, encontro only for women, ziguezague verbal, dublê de político/escritor, volta a dar o ar da graça... Expressões como estas há tempos vinham chamando a atenção da professora Rejane Maria Szudlarek Leão, da Unopar, ex-UEL, formada em Letras e doutora em Linguística. Por isso, sugeriu que a linguagem usada pelos colunistas da Folha Gente servisse de matéria-prima para um trabalho que Fernanda Couto Guimarães e Sonia Maria Batista de Souza apresentaram em forma de comunicação, no 14º Centro de Estudos Linguísticos e Literários do Paraná (Cellip), realizado em Maringá, e como painel no 3º Encontro Científico da Unopar, em Londrina.
Orientadas pela professora Rejane, Fernanda e Sonia, alunas do curso de Letras da Unopar, coletaram e analisaram 40 exemplares da Folha do Paraná/Folha de Londrina, de agosto a outubro deste ano, se concentrando nos textos de colunistas paranaenses que circulam diariamente: Carmen Ribeiro (Maringá), Elisiê Peixoto (Londrina), Magda Carvalho (Costa Oeste) e Ruy Barrozo (Curitiba). Sem computar as repetições, elas catalogaram 230 itens, entre frases, fragmentos de frases e expressões. E as dividiram em temas.
Destaque-se diz o trabalho que tais expressões linguísticas são empregadas apenas nesse caderno, visto que seu conteúdo é específico e ímpar. Há casos em que numa dada expressão ocorrem palavras com significados exclusivos da coluna social. Há, também, com alguma frequência, a utilização de termos oriundos de idiomas estrangeiros.
Como, segundo a professora Rejane Leão, em linguística não existe certo ou errado, melhor ou pior, elas mergulharam nas páginas da Folha Gente sem preconceitos e com olhos de pesquisadoras. Como leitoras, nem percebíamos que havia ali uma linguagem diferente, observa Sonia de Souza.
A repercussão do trabalho surpreendeu as autoras. Em Maringá (onde havia três doutores em Semântica e Estilística assistindo à apresentação delas) o assunto despertou a curiosidade dos cientistas presentes. E em Londrina, na Unopar, não foi diferente com o painel. Todo mundo queria saber mais a respeito, comentam.
Entusiasmadas, Sonia, Fernanda e a professora Rejane já pensam na possibilidade de ampliar o trabalho, no ano que vem, passando à análise semântica e estilística da linguagem dos colunistas. Rejane Leão deve, para tanto, apresentar projeto para bolsa de iniciação científica à Unopar.
Abaixo, uma pequena amostragem do material recolhido, dividido por categoria
Beleza


