A hora é dela
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de dezembro de 2001
Ana Clara Garmendia<Br>Equipe da Folha 
Marcelle Bittar tem hoje 19 anos. Está na estrada como modelo há três e já é um dos principais nomes do Brasil lá fora. Não foi fácil, mas a paranaense conseguiu o que muita gente sonha. Seu rosto andrógino está estampado nos outdoors da M.Officer, nas campanhas da Boss Woman e ainda na campanha da Emporio Exchange, do italiano Giorgio Armani. ''Foi tudo muito planejado, mas agora está acontecendo'', comemora.
Morando em Nova York, a garota passou recentemente pelo drama dos atentados na metrópole. ''Nós modelos fomos prejudicadas pela crise. Se não tem gente para comprar, não tem roupa, se não tem roupa, a gente não trabalha''. Agora, as coisas já voltaram ao normal e a garota, que foi uma descoberta do produtor Victor Sálvaro no Paraná, está aproveitando a boa fase. Marcelle é uma das preferidas pelo mercado internacional. Um dos fatores que influencia a procura pela top é o estilo sofisticado e moderno que ela tem. Nas propagandas da M.Officer, ela aparece com um ar de provocação que não chega a ser erótico e é isso que ela passa quando fala e quando se move lentamente pela sala onde está esperando para ser maquiada e participar da festa de lançamento da agência Mega no Estado (que aconteceu no sábado retrasado em Curitiba). Naquela noite, Marcelle reinou como estrela absoluta. Deu entrevistas, conversou com os amigos de longa data e se comportou como se não fosse a personalidade que é. Simplicidade pura.
Cuidadosa. Esta seria a definição em uma palavra do estilo Marcelle. ''Quando aconteceram os atentados, corri para os supermercados e comprei comida para o mês inteiro. Tive medo de ficar sem. Aliás, eu e minha família ficamos juntas''. ''A minha família? Somos eu, Caroline Bitencourt, Mariana Weickert, Luciana Curtis e Talyitha Puglyesi''. Bem, com uma turma de beldades destas morando na mesma casa, é óbvio que outra qualidade de Marcelle é a simplicidade mesmo. Todas as modelos convivem como irmãs e não mostram aparente competição entre elas. Talvez seja esta qualidade que as faça vencer num território estrangeiro.
Ser atenciosa é outro predicado da modelo. Ao falar sobre Victor Sálvaro, ela se enche de cuidados e atenções. ''Devo muito ao Victor. Eu o conheço desde os 15 anos de idade, quando participava de um concurso em Ponta Grossa e desde então ele sempre acreditou no meu talento. Foi ele quem me apresentou para a Mega e me levou para São Paulo. Nós ficamos muito tempo sem nos falar, mas agora voltamos a estreitar nossa amizade''.
E como é o mecanismo que desencadeia uma carreira de sucesso? ''Tudo começa com os editoriais de moda. Daí é que surgem os contratos para fazer campanhas. Mas não é como todo mundo pensa. Faz uma campanha e já tem contrato. É tudo free-lancer. Contrato é uma coisa complicada. Eu fiz um de seis meses com a M.Officer. Aí só podia trabalhar para eles aqui''.
E as brasileiras estavam em baixa? ''Não é que estivessem em baixa, é que a moda muda e agora está tudo cada vez mais rápido. Então o tipo de beleza que as brasileiras têm caiu um pouco, mas não que as brasileiras estivessem em baixa e sim o tipo de ser sexy, bonita''.
''Deveria me esforçar mais para falar inglês. Tem coisas que eles não entendem e que foi difícil no começo. Mas agora está mais fácil.'' E o assedio? ''Em Nova York não tem muito não. Existe um pouco no mundo fashion, mas não é demais não''. É, a modéstia é outra qualidade da moça que hoje se firma como uma das mais belas mulheres a estamparem seus corpos em prol da sobrevivência no difícil mundinho da moda.


