A hora da metamorfose
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segunda-feira, 18 de junho de 2001
Flávia Kyrillos TV Press 
Mariana Ximenes até pensou que teria uma folguinha depois de ter feito a espevitada Bionda, em Uga Uga. Queria me dedicar mais ao teatro e cinema, imaginava. Mas o convite para trabalhar com o diretor Walter Avancini foi irresistível para a atriz. Mariana interpreta a meiga Isabel em A Padroeira, de Walcyr Carrasco, que estreou ontem. Logo depois desse acerto, Mariana foi chamada para o episódio A Sonata, da série Brava Gente, que se passa no Século XIX. Foi aí que tive a certeza que fiz bem em aceitar o convite do Avancini. É um barato poder reviver uma época tão diferente da nossa, justifica. A atriz paulistana lembra, porém, que fez alguns cursos de história para entender melhor a época.
A idéia de voltar a fazer uma novela de Walcyr Carrasco foi outra motivação para a atriz. Foi numa novela dele, Fascinação, que ela estreou no SBT, em 1997. E tem boas lembranças do texto do autor. É incrível como o Walcyr escreve bem. Isso ajuda até na hora de decorar, diz. Na trama, Isabel se apaixona por Diogo, personagem de Murilo Rosa. Mas a menina é filha de Imaculada e Dom Antônio Cabral, vividos por Elisabeth Savalla e Stênio Garcia. Ou seja: Isabel e Diogo são meio-irmãos. Por conta disso, a mãe vai tentar empatar e a garota, é claro, penar muito. Até fome a menina vai passar, explica.
Além de fazer rápidos cursos de História, Mariana Ximenes buscou filmes da época, como A Missão, de Roland Joffé, e Ligações Perigosas, de Stephen Frears, que dessem subsídios para uma personagem de 1717. Em Ligações Perigosas, Michelle Pfeiffer também vive uma mulher meiga e pura do Século XVIII, conta.
Além disso tudo, para assimilar o jeito rústico, a atriz fez trabalhos corporais e de voz. Também mudou radicalmente o visual. Em lugar dos sensuais biquínis e minissaias de Bionda, usa aplique no cabelo e roupas pesadas de época longos vestidos e várias anáguas. Mariana, na verdade, adora estar sempre mudando a aparência. Até a postura da atriz muda depois que está com a roupa. Mesmo para respirar é diferente, completa.
Mariana reconhece que tem uma certa sorte na profissão. A princípio, por seus cabelos cacheados e belos olhos verdes, chegou a temer ser rotulada. Não quero ser vista como um símbolo sexual, diz, repetindo a fala que muitas novatas lindas costumam usar. De qualquer forma, a atriz tem conseguido variar bastante. Em Fascinação, era Emília, uma prostituta rebelde que desvirtua um seminarista. Em 1999, quando estreou na Globo, em Andando nas Nuvens, foi para o canto oposto: fez a noviça Celi na trama de Euclydes Marinho. Depois, no ano passado, veio a maluquinha Bionda. Eram garotas completamente diferentes, garante. Agora, com Isabel, Mariana pode até não fugir do aparentemente inescapável para ela estigma de gatinha, mas vai ter chance de mostrar que sabe sofrer como qualquer heroína romântica que se preza.


