Mariana Ximenes até pensou que teria uma folguinha depois de ter feito a espevitada Bionda, em ‘‘Uga Uga’’. ‘‘Queria me dedicar mais ao teatro e cinema’’, imaginava. Mas o convite para trabalhar com o diretor Walter Avancini foi irresistível para a atriz. Mariana interpreta a meiga Isabel em ‘‘A Padroeira’’, de Walcyr Carrasco, que estreou ontem. Logo depois desse acerto, Mariana foi chamada para o episódio ‘‘A Sonata’’, da série ‘‘Brava Gente’’, que se passa no Século XIX. ‘‘Foi aí que tive a certeza que fiz bem em aceitar o convite do Avancini. É um barato poder reviver uma época tão diferente da nossa’’, justifica. A atriz paulistana lembra, porém, que fez alguns cursos de história para entender melhor a época.
A idéia de voltar a fazer uma novela de Walcyr Carrasco foi outra motivação para a atriz. Foi numa novela dele, ‘‘Fascinação’’, que ela estreou no SBT, em 1997. E tem boas lembranças do texto do autor. ‘‘É incrível como o Walcyr escreve bem. Isso ajuda até na hora de decorar’’, diz. Na trama, Isabel se apaixona por Diogo, personagem de Murilo Rosa. Mas a menina é filha de Imaculada e Dom Antônio Cabral, vividos por Elisabeth Savalla e Stênio Garcia. Ou seja: Isabel e Diogo são meio-irmãos. Por conta disso, a mãe vai tentar empatar e a garota, é claro, penar muito. ‘‘Até fome a menina vai passar’’, explica.
Além de fazer rápidos cursos de História, Mariana Ximenes buscou filmes da época, como ‘‘A Missão’’, de Roland Joffé, e ‘‘Ligações Perigosas’’, de Stephen Frears, que dessem subsídios para uma personagem de 1717. ‘‘Em ‘Ligações Perigosas’, Michelle Pfeiffer também vive uma mulher meiga e pura do Século XVIII’’, conta.
Além disso tudo, para assimilar o jeito rústico, a atriz fez trabalhos corporais e de voz. Também mudou radicalmente o visual. Em lugar dos sensuais biquínis e minissaias de Bionda, usa aplique no cabelo e roupas pesadas de época – longos vestidos e várias anáguas. Mariana, na verdade, adora estar sempre mudando a aparência. Até a postura da atriz muda depois que está com a roupa. ‘‘Mesmo para respirar é diferente’’, completa.
Mariana reconhece que tem uma certa sorte na profissão. A princípio, por seus cabelos cacheados e belos olhos verdes, chegou a temer ser rotulada. ‘‘Não quero ser vista como um símbolo sexual’’, diz, repetindo a fala que muitas novatas lindas costumam usar. De qualquer forma, a atriz tem conseguido variar bastante. Em ‘‘Fascinação’’, era Emília, uma prostituta rebelde que desvirtua um seminarista. Em 1999, quando estreou na Globo, em ‘‘Andando nas Nuvens’’, foi para o canto oposto: fez a noviça Celi na trama de Euclydes Marinho. Depois, no ano passado, veio a ‘‘maluquinha’’ Bionda. ‘‘Eram garotas completamente diferentes’’, garante. Agora, com Isabel, Mariana pode até não fugir do – aparentemente inescapável para ela – estigma de ‘‘gatinha’’, mas vai ter chance de mostrar que sabe sofrer como qualquer heroína romântica que se preza.

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