Regina Casé esperou 20 anos até estrear como protagonista de um longa-metragem. Em 1998, ela aceitou o convite do diretor Andrucha Waddington para fazer o papel de Darlene no filme ''Eu, Tu, Eles''. O diretor de ''Gêmeas'' pensou logo no nome da atriz depois de assistir no programa ''Jô Soares Onze e Meia'', do SBT, à entrevista de uma sertaneja que, há sete anos, divide o mesmo teto com três homens no interior do Ceará. Durante as filmagens, a extrovertida Regina Casé sofreu nas mãos do diretor até acertar o tom contido da personagem. ''Fiquei com ódio do Andrucha. Ele vivia falando: 'Menos, Regina, menos'. Achei que não fosse sair nada'', confessa.
Mas saiu. E o resultado surpreendeu à própria Regina. Até hoje, ela não esquece a ovação de dez minutos no prestigiado Festival de Cannes, na França. Ou do prêmio de melhor atriz no modesto Festival de Kárlovy-Vary, na República Tcheca. ''O troféu é enorme, todo de vidro. Muito bonito'', descreve. Mas até chegar onde chegou, Regina fez muita ponta em filmes, como ''Eu Te Amo'', de Arnaldo Jabor, e ''O Segredo da Múmia'', de Ivan Cardoso. Para ela, a suposta fama de ser uma pessoa difícil deve ter desencorajado alguns cineastas. ''Todas as pessoas que trabalharam comigo se acostumaram com meu jeito. Hoje, algumas são até grandes amigas'', jura.
Esse foi o caso da produtora Sandra Kogut. As duas trabalharam juntas no extinto ''Brasil Legal'', da Globo, e estenderam a parceria para o cinema. Em 95, Sandra convidou Regina para atuar no longa ''Lá e Cá''. O diretor do extinto ''Muvuca'', Estevão Ciavatta, também não tem do que reclamar. Os dois também se conheceram durante as gravações do ''Programa Legal'' e já estão casados há 10 anos. Atualmente, dividem o programa ''Um Pé de Quê?'', no canal Futura, por UHF, que fala sobre várias espécies botânicas. ''Já aconteceu de eu estar quieta no aeroporto e alguém me cutucar. Se não dou papo, o sujeito logo diz que não sou aquilo que ele imaginava'', resigna-se.

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