A estética da alegria
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de janeiro de 2007
Rosângela Vale<br> Especial para a Folha Gente 
Ela apareceu na cena fashion nacional há apenas quatro anos, mas a impressão é de que foi há muito mais tempo. Talvez porque seu estilo leve, feminino e supercolorido traduza com exatidão a alma da brasileira, solar por excelência. Ao levar essa alegria inata para o guarda-roupa feminino, a estilista Adriana Barra não só foi acolhida e reverenciada em terreno tupiniquim, como também despertou a atenção da mídia internacional: a revista Wallpaper a chamou de revelação da moda brasileira. Detalhe: ela conquistou essa visibilidade sem nunca ter nunca ter mostrado suas roupas nas passarelas.
Mas as peculiaridades na carreira dessa londrinense não param por aí. Da forma de encarar o universo fashion à maneira de conduzir os negócios, tudo em Adriana tem um jeitinho próprio. Até mesmo as circunstâncias que colocaram Londrina na sua certidão de nascimento. ''Minha família morava na Usina de Capivara e minha mãe foi à Cidade somente para me dar à luz'', conta a estilista, filha de pai engenheiro. Pouco tempo depois, eles se mudaram para Curitiba e, em seguida, para uma dezena de cidades, até se estabelecerem em São Paulo, quando Adriana tinha 7 anos.
Na capital paulista, ela passou boa parte de seus 33 anos. Formou-se em fotografia e estilismo pela Santa Marcelina, mas nem por isso considera-se paulistana. ''Sou do mundo'' confessa''. No seu currículo constam uma temporada de estudos de design de interiores em Firenze, na Itália, e vários cursos de artes em Londres, sua cidade do coração. ''Às vezes brinco que nasci em Londrina para ser londrina de alguma forma''.
Ainda que não conheça a terrinha vermelha, Adriana arrumou um jeito de demonstrar seu carinho por ela. Londrina é a única cidade fora das (poucas) capitais a ter peças da estilista em uma loja multimarcas inaugurada recentemente. ''Não tenho interesse em vender em muitos lugares do Brasil porque gosto que as pessoas venham à minha loja, em São Paulo, para conhecer o meu universo de criação'', justifica. Quem já entrou lá entende o que isso quer dizer.
Localizado em uma charmosa vila em estilo italiano, nos Jardins, o espaço é um templo lúdico, redecorado por Adriana a cada lançamento de coleção. E ela sempre inclui objetos de sua própria casa. ''É o meu jeito de colocar a minha intimidade na loja'', explica. A estilista conta com assistentes, mas não delega quando o assunto é criação. ''Por isso, meu trabalho é full time, do começo ao fim: desenho, modelagem, decoração, tudo tem a minha mão'', avisa. A paixão por decoração de interiores rendeu a parceria com a loja de design de luxo Micasa, cujas peças decoram os espaços mais queridos de Adriana: sua loja e sua casa, que foi capa da edição de novembro da revista sueca Elle Interiores.
Referências internacionais, entretanto, não pautam o trabalho da estilista, ainda que suas muitas viagens sejam sempre fontes de inspiração. Adriana é contra a antecipação do calendário de lançamentos para acompanhar o cronograma fashion internacional. ''A temperatura global mudou e as estações foram afetadas. O verão brasileiro deveria ser lançado em outubro (e não em julho), mas o Brasil quer seguir o calendário do hemisfério norte, o que é uma coisa de colonizado'', critica.
Outra questão que incomoda a estilista é a superficialidade com a qual, segundo ela, o brasileiro trata a moda. ''Isso me irrita. Moda, para mim, é uma forma bonita de olhar o mundo, que gera milhões de empregos e ajuda as pessoas''. Preocupada com problemas sociais, Adriana participa de alguns projetos, como o ''Quixote'', da Escola Paulista de Medicina, que tira crianças carentes da rua e ensina grafite e hip-hop. ''E quero conseguir patrocínio para Tita Tavares, que é a melhor surfista do Brasil, mas, por estar fora dos padrões de beleza, ainda não conseguiu uma chance'', ressalta, tocando em mais um ponto delicado. ''Atrizes e mulheres lindas vestem minhas roupas, mas adoro que gordinhas também usem. Acho todas bonitas. A gente precisa aprender a ver a beleza com mais profundidade'', argumenta.
Já deu para notar que seguir tendências não é mesmo a ''praia'' da estilista. ''Não tenho medo de estar na contramão. A única coisa da qual tenho medo é de não seguir a minha alma'', diz. E nem poderia ser diferente. Seu faro já provou que é afinado. ''Quando lancei a marca, todo mundo dizia que não ia dar certo, que brasileira não gostava de estampas'', lembra. Melhor mesmo que ela continue infringindo as leis desse ''trânsito''.
Entrelinhas
Estilo- ''Criei minha marca para mulheres que, como eu, tinham dificuldade em encontrar alguma coisa diferente e de que realmente gostassem para vestir. Claro que não uso só Adriana Barra, adoro jeans, tenho muita roupa da Raia de Goye, mas, essencialmente, a marca Adriana Barra traduz meu estilo''.
Vestidões estampados- ''Eu sempre gostei de estampas, elas remetem muito a minha infância, a minha mãe. Acho que vestidos estampados são femininos e a proposta da minha marca é justamente resgatar essa feminilidade e o glamour de tempos atrás''.
A questão das cópias- ''Quando comecei todo mundo dizia que não ia dar certo, que brasileira não gostava de estampas. Fui receita de bolo, deu certo e agora todo mundo faz. Da primeira vez que vi uma cópia foi uma punhalada no coração, porque a pessoa trabalhou comigo. Agora já superei. Faço peças numeradas (no máximo 20 iguais) bordadas à mão com ilhós de bebê.
Planos para 2007- ''Não sei se para 2007, mas tenho vontade de abrir uma loja no Rio de Janeiro. E exportar bastante!
Entrelinhas
Estilo- Criei minha marca para mulheres que, como eu, tinham dificuldade em encontrar alguma coisa diferente e de que realmente gostassem para vestir. Claro que não uso só Adriana Barra, adoro jeans, tenho muita roupa da Raia de Goye, mas, essencialmente, a marca Adriana Barra traduz meu estilo.
Vestidões estampados- Eu sempre gostei de estampas, elas remetem muito a minha infância, a minha mãe. Acho que vestidos estampados são femininos e a proposta da minha marca é justamente resgatar essa feminilidade e o glamour de tempos atrás.
A questão das cópias- Quando comecei todo mundo dizia que não ia dar certo, que brasileira não gostava de estampas. Fui receita de bolo, deu certo e agora todo mundo faz. Da primeira vez que vi uma cópia foi uma punhalada no coração, porque a pessoa trabalhou comigo. Agora já superei. Faço peças numeradas (no máximo 20 iguais) bordadas à mão com ilhós de bebê.
Planos para 2007- Não sei se para 2007, mas tenho vontade de abrir uma loja no Rio de Janeiro. E exportar bastante!


