Ela é natural de Araçatuba (SP), vem de família tradicional e poderia tranquilamente se transformar em patricinha, aspirante a dondoca. Poderia. Em Londrina nos últimos dias - onde têm familiares -, a publicitária Fernanda Prata Cunha foi além: há sete anos, após se formar pela Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), decidiu criar uma agência de publicidade, a FPC. ''No início, a idéia era atender somente o segmento do agronegócio, onde minha família já tinha visibilidade e atuava com sucesso. A princípio achei que por ser filha e neta de criadores renomados teria mais facilidade, porém, tive uma enorme dificuldade'', revela.
Filha de Júnia e José Carlos Prata Cunha - tradicionais selecionadores da raça Nelore -, Fernanda tinha, à época, 22 anos. E relembra como tudo aconteceu. ''Os criadores tinham medo de assumir compromissos devido à minha pouca idade e também à relação próxima que eles mantinham com minha família. Caso os trabalhos não dessem certo, enfrentariam uma saia-justa sem fim com meu pai e meu avô. Foi uma batalha! Tive de provar minha competência, mostrar resultados e, muitas vezes, nem cobrar para ter a confiança dos clientes''.
Inicialmente voltada exclusivamente ao agronegócio, Fernanda, que estava fincando raízes no mercado, enfrentou a crise da febre aftosa, que refletiu na frequência de leilões e, por tabela, na quantidade de trabalho de sua agência. ''Como a agência era voltada exclusivamente ao agronegócio, senti uma certa instabilidade, insegurança. Não hesitei: resolvi abrir o leque e partir para o varejo, onde a rotatividade do trabalho é maior e tudo gira muito rápido'', argumenta.
E deu tudo certo. ''Foi uma sacada muito boa, pois, através do varejo, consegui enxergar o mercado de maneira mais ampla e dinâmica, beneficiando, inclusive, os trabalhos voltados ao setor do agronegócio''. Hoje, com centenas de clientes, a publicitária divide sua agência em dois departamentos: varejo e agronegócio. ''Algumas agências de São Paulo fazem com a FPC: criamos todo o material em cima do planejamento deles. Ana Maria Braga, com seus leilões da raça Brahman; as disputas da Stock Car, além de lojas, escritórios e empresas em geral incluem-se na lista. Até funerária eu já atendi!'', conta, com o sorrisão a postos.
Os trabalhos se acumularam e o espaço, por tabela, teve de fazer jus ao crescimento. Foi a partir desse sucesso que Fernanda não economizou na construção da sede da FPC, em Araçatuba. São 900 metros quadrados de ''pura pesquisa colocada em prática'', como faz questão de acentuar. ''A área é bem ampla, até exagerada pelo número de funcionários, mas construí o prédio com perspectiva de expansão, para não me preocupar mais em ampliar o espaço. Fiz do meu jeito, com a minha cara, após um longo período de pesquisa.
Em época de muito trabalho - de março a setembro - a agência conta com 24 colaboradores.
Questionada se há uma fórmula que consagre o êxito em ambientes e negócios tão distintos - dos tatersais de leilões às pistas de corrida -, Fernanda dá a dica. ''Se há um segredo para o sucesso, certamente é tratar todo cliente de maneira especial, pois estudamos e vivenciamos o negócio dele para planejar sua verba. É um namoro diário, onde acompanhamos resultados e participamos ativamente das alegrias e tristezas'', acentua.
Atualmente estudando um convite para abrir uma filial de sua FPC em São Paulo, a araçatubense se mostra cautelosa. ''Desde que recebi o convite, venho estudando a viabilidade, pois hoje atuo muito na capital: de cada 30 dias, estou pelo menos quatro por lá. Como é em São Paulo que tudo acontece e aonde as novidades chegam em primeira mão, estou pensando na possibilidade. Essa expansão facilitaria alavancaria o número de potenciais clientes''.
No final da entrevista, uma pergunta inevitável: será que ela nunca pensou em fazer uma pausa, assumir a patricinha/dondoca que poderia ser? A resposta é rápida: ''Jamais. As pessoas que me conhecem sabem do meu dinamismo e competência. Nunca pensei em ser dondoca. Gosto de produzir, pensar, estudar e, principalmente, me realizar profissionalmente. Esse é o meu combustível'', garante Fernanda.

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