A emoção de fazer fotografias
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de maio de 2003
Katia Michelle Pires<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Em meados da década de 90, a gaúcha de Passo Fundo Juliana Stein já morava em Curitiba, mas decidiu deixar a cidade e o País para trabalhar em uma das mais conceituadas revistas de fotografia do mundo, a Colors, que leva a assinatura de Oliviero Toscani, responsável pelas polêmicas fotografias que ilustram as campanhas da Benetton. A experiência não lhe rendeu só frutos profissionais, veio somar-se a uma visão de mundo adotada por Juliana e que está escancarada nos seus trabalhos atuais: a ruptura com o senso comum.
Formada em Psicologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Juliana conta que quando partiu para a Itália, em 1996, já com um estágio programado na revista Colors, ''não sabia exatamente o que ia fazer lá''. Trabalhou inicialmente como assistente de fotografia e, posteriormente, selecionando as imagens que seriam mostradas para o editor. A vantagem é que a revista é sinômimo de irreverência e qualidade. ''Depois que saí de lá, eu quebrei tudo aquilo que vi, hoje meu trabalho é outro'', considera.
Juliana passou dois anos na Itália, voltou para o Brasil pelo simples motivo de ser ''brasileira''. ''Quando eu saí do País, fui em busca de experiência e não só para morar fora. Eu sou brasileira e gosto de morar aqui'', revela. E foi em território nacional que ela decidiu testar seu já aguçado olhar através das lentes de uma máquina Canon.
Em Curitiba mostrou seus primeiros trabalhos em grande estilo, na Bienal Internacional de Fotografia, em 2000, na exposição intitulada ''Éden''. O público curitibano tem agora uma segunda oportunidade para ver essas imagens, captadas em asilos e hospitais, no Museu da Fotografia, no Solar do Barão. O museu está abrigando a mostra ''Éden e em torno da arte de olhar fotografias'', que reúne parte da exposição mostrada na Bienal e também trabalhos inéditos feitos pela fotógrafa para a Colors, onde ela passou a fazer colaborações frequentes como correspondente brasileira.
Os temas das imagens captadas por Juliana giram em torno das relações humanas e ''da relação do homem consigo mesmo''. ''Eu gosto de procurar nuances, de tentar mostrar a emoção que não está presente na fala do cotidiano'', diz. Mas seus trabalhos não se resumem a uma denúncia social, interpretação que seria mais fácil numa primeira observação. Olhar as imagens de Juliana exigem exercício, de imaginação e sentido, que certamente premiam o espectador ao final da leitura.
Entre a bienal de Curitiba e a mostra atualmente em cartaz, Juliana já expôs no Rio de Janeiro, na Áustria, dentro do Langelois M21 Project e agora prepara exposições em Madri e Roma, previstas para junho. ''Éden e em torno da arte de olhar fotografias'' fica em cartaz até o dia 13 de junho no Museu da Fotografia (Rua Carlos Cavalcanti, 533).


