A dedicação ao estilo


Arquivo Folha

O drible de Raí










Existem pessoas que se dedicam a formar um estilo que as defina. Levam um tempão construindo e reconstruindo sua imagem. Há quem até pague para um profissional definir que tipo de roupa, sapato e cabelo deve usar. Foi essa insegurança geral que deu origem aos assessores de moda ou personal stylist, americanizando o termo. A verdade é que, ou você tem estilo ou não. Ter estilo é colocar uma calça jeans, uma camiseta e ficar lindo. Não ter estilo é gastar uma grana num modelo de grife caríssimo e parecer que você está usando uma roupa que não é sua. Ou que não foi feita para você usar. Quem tem estilo nasce com ele. Herda do pai, da mãe, do avô ou de uma tia distante. Não se compra estilo. Mas a gente pode conquistá-lo desenvolvendo nossas aptidões intelectuais. Apurando as nossas melhores qualidades. Se você gosta de música, invista nela. Compre discos, livros que falem dela e ouça muito rádio. Apesar de não haver muita qualidade nas músicas veiculadas nas rádios – em função da tão famosa pressão das gravadoras que insistem no mercado brega – ainda existem alguns veículos que têm uma programação bem legal. Se você gosta de livros invista neles. Fique especialista em um determinado estilo de literatura. Já parou para pensar como é legal conversar com alguém que sabe tudo sobre um determinado assunto? Estas pessoas certamente não nasceram sabendo. Não nasceram com o estilo que tem. Desenvolveram ele.
É isso aí, desenvolva seu estilo com o máximo cuidado. Não copie ninguém porque não vai dar certo. O máximo que pode acontecer é você se tornar muito parecida com alguém que certamente já foi copiada por multidões. Imagine quantas mulheres tentaram imitar a Vera Fisher, por exemplo. Ou a Sophia Loren ou Catherine Deneauve? Não existe mais de uma. Mesmo tentando não passaram de imitações baratas. O melhor mesmo é tomar como inspiração. E isso é legal. Inspirar-se na inteligência e na tenacidade de Marília Gabriela. No comportamento de Marisa Monte. Na postura de Fernanda Montenegro. E porque não no comportamento de homens legais. De homens exemplares como Nelsinho Mota, como o genial Paulo Francis. Esse sim foi e ainda é uma grande fonte de inspiração. Era um vulcão. Dizia e depois mudava de opinião. Dava um nó na cabeça das pessoas menos preparadas para entender a piração dele. E o Raí então? Que luxo um cara que era para ser um despreparado. Jogador de futebol e só. O cara driblou todo mundo. Viu? Ele construiu o estilo dele.

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