A CARA DO ANO 2000
A paranaense Isabeli Fontana é apontada pela Vogue como proposta de beleza para o final do milênio









Isabeli Fontana em fotos André Schiliró para a coleção verão M. Officer, com exclusividade para a Folha

Simone Mattos
De Curitiba
Ela é linda, meiga e simples. Apesar do recente e estrondoso sucesso internacional, a modelo curitibana Isabeli Fontana, 16 anos, não perdeu a sua graça e humildade. ‘‘Tem dias em que me acho horrorosa’’, blasfema. Modéstias à parte, ela acaba de ser aclamada pela revista ‘‘Vogue América’’ como proposta de beleza para o ano 2000. ‘‘Eu não acredito que isso tudo está acontecendo comigo, parece um sonho’’, confessa.
E deve ser mesmo difícil para uma simples mortal, que nasceu e se criou no popular bairro do Novo Mundo, em Curitiba, acreditar em tudo o que lhe aconteceu no último ano.
Há sete meses, Isabeli mora em Nova York, acompanhada da mãe, que atua como sua empresária. Entre outros trabalhos, a modelo fez recentes campanhas para as grifes M.Officer (ela é a moça dos ousados out-doors que estão espalhados por todo o Brasil), Valentino, Ralph Lauren, Gucci e Dolce & Gabbana. No exterior, desfilou para Hugo Boss, John Barlet, Ralph Lauren, DKNY, Versace e Trussardi, entre outras importantes marcas. ‘‘Fiquei emocionada quando desfilei pela primeira vez ao lado das modelos Cláudia Schiffer e Kate Moss’’, lembra.
Com 1,76 m e 52 quilos, longos cabelos castanhos e reluzentes olhos azuis, Isabeli já se tornou no eixo Nova York-Milão-Paris a ‘‘menina-dos-olhos’’ das agências e estilistas. ‘‘Eles estão preservando a minha imagem, para me transformar numa espécie de Kate Moss no ano 2000’’, antecipa.
Achando uma brecha em sua concorridíssima agenda, ela passou por Curitiba recentemente, quando conversou com a Folha Gente. Isabeli estava vindo de Maceió, onde fotografou um editorial de moda e a capa da próxima edição da ‘‘Marie Claire’’. A modelo também está na capa da última ‘‘Elle’’, que a chamou de ‘‘miss 2000’’.

De ‘‘patinho feio’’ da escola
a top model internacional

‘‘Eu me sentia a pior de todas’’, diz Isabeli, que detestava ir à escola porque a chamavam de ‘‘horrorosa e magricela’’. Hoje, ela não tem medo de afirmar: ‘‘Um dia ainda quero ser uma celebridade’’


- Quando você descobriu que seria modelo?
Isabeli - Eu sempre quis ser modelo, desde os meus dez anos de idade. Eu não me achava bonita, me achava horrorosa, todo mundo me chamava de vara de cutucar estrela, de bicicleta, de magricela... Eu queria ser modelo para ser alguém, alguma coisa...
Qual foi o primeiro passo?
Isabeli - Um dia, folheando uma ‘‘Capricho’’, eu descobri as inscrições para um concurso ‘‘Elite Model Look’’. Eu mandei a minha foto e consegui o primeiro lugar na etapa Curitiba, daí fui para São Paulo direto. Eu tinha 12 para 13 anos.
Como era a sua vida em Curitiba?
Isabeli - Era muito simples. Sempre morei no conjunto Novo Mundo, onde o meu pai e meus dois irmãos (20 e 12 anos) ainda moram. Eu odiava ir para a escola (Colégio Bagozzi), porque todos ficavam me chamando de horrorosa e magricela. Eu me sentia a pior de todas.
Depois que você foi para São Paulo, o que aconteceu?
Isabeli - Eu consegui o terceiro lugar nacional naquele concurso. Quando chamaram o meu nome, eu nem escutei... Todo mundo aplaudiu olhando para mim e eu não entendia por que, não podia ser eu...
Quando você começou a fotografar para revistas?
Isabeli - A primeira foi a ‘‘Capricho’’, foi um sonho... Era a revista que eu mais gostava, que eu sempre lia. Lembro que eu tinha propostas para fotografar a ‘‘Elle’’, que é muito mais importante, mas eu dizia: ‘‘eu não quero, quero fotografar para a ‘Capricho’’...
Você se acha a Miss 2000, como foi chamada recentemente pela revista ‘‘Elle’’? Como é ser apontada no exterior como o rosto do ano 2.000?
Isabeli - Eu não acho nada disto, mas parece um sonho que está se realizando.
Você conserva as amizades que tinha em Curitiba antes de iniciar a sua carreira?
Isabeli - Com certeza. Minhas amigas serão sempre as minhas amigas. Venho a Curitiba a mais ou menos a cada quatro meses e vejo todas elas.
Você é muito assediada pelos homens?
Isabeli - Não tenho namorado e nem penso em ter um agora. Acho que os homens estão muito fáceis... Antes eles ficavam olhando mais, paquerando, era mais interessante.
Quando a sua carreira internacional deslanchou?
Isabeli - Há sete meses, quando fui para Nova York e a minha vida mudou... Eu já tinha ido para Paris, Milão, vários lugares, mas as coisas não estavam dando muito certo. Quando eu entrei na agência Mega, em Nova York, começou um período muito bom.
Como ficaram seus estudos?
Isabeli - Eu queria ser cirurgiã-plástica, mas só estudei até a sétima série e acho que não dá mais para fazer Medicina. Aprendi sozinha, em minhas viagens, os idiomas inglês, italiano, francês e espanhol. Agora quero começar a estudar teatro e, mais tarde, me dedicar à carreira de atriz. Um dia ainda quero ser uma celebridade.
O que você faz para manter a forma?
Isabeli - Nada (risos). Eu adoro andar por Nova York, é a coisa que eu mais adoro fazer... Sempre fui magra e agora é que eu estou começando a pensar em me cuidar. Adoro batata frita e lasanha, mas tenho trocado estes pratos por ervilhas, que eu também gosto muito.
Quanto você ganha hoje?
Isabeli - Depende muito... Fiz dois dias de trabalho para a marca ‘‘Valentino’’, por exemplo, e ganhei US$ 15 mil por dia, mas a agência ficou com 50%.
O que você já comprou com o seu dinheiro?
Isabeli - A primeira coisa que comprei foi uma casa de US$ 40 mil, na praia de Guaratuba (PR), para a minha família.