Nós próximos 30 dias, a dupla londrinense Marisol Montes Cardina e Lino Gentil Parreira vai andar, andar e andar. Mochila nas costas e muita disposição os dois irão percorrer os 800 quilômetros do místico caminho de Santiago de Compostela. Nunca ouviu falar? Pois foi depois de fazer o caminho, que Paulo Coelho escreveu o livro O Diário de um Mago. Aliás, contar a experiência é uma das tônicas dos ex-peregrinos, como são chamados aqueles que conseguiram completar o percurso.
Auxiliados pela Associação dos Amigos do Caminho de Santiago de Compostela, de Londrina (leia texto nesta página), os dois começaram a se preparar há alguns meses para a empreitada. Durante três meses a professora Marisol teve aulas com um personal trainer que cuidou do seu condicionamento físico.
Ex-sedentário de carteirinha, em 1996, o bancário Lino Parreira recebeu um aviso do coração que deveria mudar de vida. Passou a caminhar com frequência e na virada do ano 2000 decidiu percorrer o caminho até Compostela. Acreditando em sinais, Parreira lembra que chegou em casa logo após uma caminhada no Zerão, ligou a televisão e viu o último bloco de um documentário sobre o Caminho. Era o dia 31 de dezembro de 1999. No dia 1º de janeiro, ele começou a planejar a viagem. Era para ter ido no ano passado mesmo, mas por conta do mau tempo e o aeroporto da cidade fechado, ele acabou perdendo o vôo internacional que o levaria até Madri.
Este ano, por uma questão de precaução, ele foi para São Paulo um dia antes, e de ônibus. ''No ano passado foi uma decepção e um constrangimento'', lembra Parreira, que chegou a dar entrevistas para a televisão e depois teve que se explicar. Em férias no banco, Parreira tem exatos 30 dias para cumprir todo o percurso. E na matemática da caminhada, ele espera andar em média 25 quilômetros por dia. Chova ou faça sol.
Apesar de desembarcar em Madri, a dupla londrinense irá iniciar a caminhada pela França, na cidade de Saint Jean Pied de Port, aos pés dos Montes Pirineus. Além de caminhar, a dupla acredita que irá fazer um auto-conhecimento durante o mês que passar na Espanha. O bancário também lembra que o Caminho vai servir como desprendimento material e demonstração de fé, afinal não é uma viagem de compras ou noitadas.
''É a partir da vivência que a gente faz a transformação'', diz Marisol, que apesar de ter ouvido relatos de ex-peregrinos, tem consciência de que a experiência dela promete ser única.

mockup