Alguns anos atrás, Jussara Reis Buzzo era uma simples dona de casa, mãe, esposa, que começava a fazer laços de cabelo como distração e passatempo. Deu certo, o mulherio gostou e pediu: me faz um cinto? Sem ter idéia de como, pegou no batente e fez, como manda o figurino. Aí, um repique: me faz uma bolsa? Ora, por que não? Mais uma vez os elogios pela criação. Então, veio a luz: abrir uma fabriqueta e abastecer o comércio local. O nome? Por sugestão de uma amiga, o bonito e brasileiríssimo, ‘‘Moda Morena’’, usada por louras, mulatas, negras, jambos...sem nenhum preconceito.
E lá se vão quase 13 anos. ‘‘Sinto-me orgulhosa por cruzar nos aeroportos do Brasil com mulheres desfilando minhas bolsas. É gratificante’’, afirma Jussara. Consciente de que o grande problema era a mão-de-obra, pois não existia – ou existe, pelo menos em Maringá – uma escola profissionalizante que ensine a trabalhar com couro, seu material básico, a solução foi ela própria aprender e depois ensinar. O trabalho, exceto por algumas máquinas, é todo artesanal, exigindo qualidade, atenção e destreza. ‘‘Estou em busca de qualidade, sempre, aprendendo no dia-a-dia. Correndo atrás da perfeição (risos). Hoje, o cliente observa, analisa, exige um bom acabamento, matéria-prima boa, outra dificuldade, pois eu preciso ir até o Rio Grande do Sul para comprar couro e metais’’.
Tendo ao seu lado um modelista, Jussara – que adora criar seus próprios modelos – diz não ver a hora de a prova estar pronta para poder analisar a nova peça, resultado de muitas pesquisas, feitas em grandes centros e mesmo nas revistas importadas, e até Internet. ‘‘Nunca copio, o que eu preciso ter como base são, obviamente, as tendências, o material usado, os tamanhos, as cores. Preciso de inspiração. Qualquer profissional que lida diuturnamente com a moda precisa saber o que acontece nos grandes centros, que determinam as novidades das estações. As bolsas, assim como roupas e sapatos, acompanham as tendências exibidas, principalmente em desfiles e feiras’’, explica.
Sobre o que vem por aí nas próximas estações, Jussara informa que ‘‘nas últimas coleções de inverno, usou-se muita cobra e pele, e que agora é a vez, entre outras, da pele de avestruz. O jeans continua com tudo. Muita cor, um verdadeiro arco-íris, tamanhos diversos, alças mais curtas. Couro trabalhado com materiais alternativos é uma das atrações. Do metal à juta’’. Destaque-se que seu material de trabalho é o couro, claro que ornado ou incrementado com o que se usa em cada temporada, mas o couro é básico, insubstituível.
A coleção para o inverno 2001 já está sendo armada. Jussara precisa preparar seu modelos para mostrar em exposições nacionais que estão agendadas para este ano ainda. E olha que são aproximadamente 40 modelos a cada fornada. Sobre a possibilidade de exportar, argumenta que é muito cedo, não tem estrutura, está somente atendendo o mercado interno com produção limitada, feita artesanalmente. Não tem como competir, explica.
Uma de suas alegrias é ver seus três filhos ao seu lado, trabalhando juntos, crescendo juntos. Valorizando cada peça, ajudando a ensinar os funcionários, e pegando firme no batente. ‘‘Minha vida é isso aqui. Trabalho a semana inteira e os finais de semana são ao lado de meus netos. Fico feliz ter ter alcançado um objetivo, de ter a possibilidade de crescer. Sou uma pequena empresária (e bastante jovem), não tenho ajuda, mas tenho fé em Deus (e pé na tábua). Só o fato de ver minhas criações em vitrines por diversos Estados brasileiros, já me deixa orgulhosa e feliz’’, diz. E complementa: ‘‘Nós, os pequenos fabricantes temos que oferecer um produto bonito, bom, a preço acessível. Não posso concorrer com grandes fábricas, não posso transferir integralmente o aumento de custo do material e mesmo da mão de obra à peça. O consumidor não aceita. A luta é enorme, mas estou me saindo muito bem.’’

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