Ele sempre teve uma relação muito próxima com a beleza. Mas como essa é uma questão relativa, faz questão de enfatizar: ''A beleza é harmonia''. E foi em busca de formas e focos harmônicos que o produtor Paulo Peruzzo, 46 anos, iniciou uma verdadeira aventura em funções diversas. Tantas que é impossível definir apenas uma profissão para o carioca que passou a infância no Rio Grande do Sul, mudou-se para Curitiba na década de 70, e desde então tornou-se paranaense de coração. Nessas andanças, desenvolveu dezenas de atividades nas áreas de decoração, fotografia e teatro, para citar algumas.
A busca pela harmonia das coisas começou quando Peruzzo ainda era criança, com fatos que marcaram a vida do produtor. Aos oito anos, ele já sabia que queria fazer arquitetura, por exemplo. Encontrou no sótão da casa uma coleção de caixas de fósforos que pertencia ao avô. Com os objetos, construiu uma cidade inteira. Mais tarde, no entanto, optou pelo Desenho Industrial, curso que abandonou no último ano, na Universidade Federal do Paraná (UFPR)
O trabalho começou cedo. Aos 16 anos, ele já trabalhava em uma revista, em todas as áreas do periódico. Escrevia, fazia diagramação e à noite trabalhava como garçom nos bares da moda, para compensar a mesada que o pai deixara de dar após uma briga. Como garçom, porém, desenvolveu uma maneira ímpar de lidar com o público e logo foi promovido a gerente. Paralelamente ao trabalho, porém, fazia alpargatas e bijuterias para vender, objetos que o ajudaram a ingressar no universo do luxo onde transita até hoje.
Inspirado na estética punk, Peruzzo desenvolveu uma linha de bijuterias diferenciadas, com brincos, adornos para cabeça e pulseiras que foram bem aceitos pela alta sociedade curitibana. Os objetos passaram a ser vendidos numa butique de luxo, a mesma que convidou o produtor para mudar a vitrine da loja. Ele passou a fazer verdadeiras intervenções nas vitrines, o que lhe rendeu uma projeção em moda e design e um convite para participar da Bienal de Arte de São Paulo.
Na mesma época também começou a se envolver com o teatro, fazendo adereços e figurinos. Mas a preocupação com a estética era tamanha, que ele acabava assumindo todas as funções dos trabalhos que realizava. Em Rei Lear, por exemplo, espetáculo que fez sucesso na década de 90, ele assinou desde a maquiagem ao cabelo (inclusive cortando o dos atores) até o cenário. A partir daí começou a trabalhar também como produtor de fotografia, cenários de vídeo, de filmes publicitários que ganharam vários prêmios.
Com o tempo e as diversas funções assumidas, Peruzzo percebeu um detalhe: acabava assumindo todas as funções e não conseguia delegar. ''Tive de aprender a confiar nas pessoas'', revela. Com equipe montada e treinada, ele passou a investir na produção de fotografia. Pouco tempo depois, porém, teve necessidade de trabalhar sozinho, e durante um bom período trabalhou com fotografias de alimentos, montando verdadeiros cenários para as produções. ''Eu fiz uma terapia por meio do trabalho. Precisava de um tempo sozinho'', revela.
Durante duas décadas, ele investiu em várias profissões e, além das já citadas, também passou a investir na consultoria estética, na área moveleira e na arquitetura e decoração. Assinou, por exemplo, a decoração do vagão do trem de lixo da Serra Verde Express, projeto que realizou em tempo recorde.
O fato de ele não ter concluído um curso universitário, aliás, não atrapalhou suas andanças e carreira. ''A criatividade é um privilégio, talento não se aprende no colégio'', define o produtor, citando uma frase de Rettamozzo. Porém, para ele, o talento é um ''cárcere'' e por muitas vezes ele se sente como um verdadeiro prisioneiro da inspiração. ôQuando as ideias aparecem é um compromisso. Tenho que executa-las", diz, comparando o talento, em suas devidas proporções, a uma ôsapatilha de concreto". ôEu exercito meu talento, não sei qual é minha profissão", conclui. É que Peruzzo, aprendeu com a vida, com os olhos e com o coração a identificar o belo. E a beleza, está, sempre, nos olhos de quem vê.

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