Maringá - Quando resolveu montar o estúdio fotográfico que hoje é uma referência em todo o Estado, a fotógrafa Joelma Scatambulo foi chamada de maluca. Algo parecido, ouviu ela, só poderia estar em São Paulo. Três anos depois, o espaço é mesmo exuberante e não faria feio em nenhuma grande capital. Mas assim, como escolheu Maringá para morar, casar e criar os dois filhos, Joelma também apostou na cidade para engrenar a carreira profissional. Acertou em todas as escolhas.
Nascida em São Paulo, Joelma se mudou ainda criança para Maringá. E de lá só saiu uma vez, quando, já casada, foi morar uma temporada na cidade natal. Não ficou muito tempo. ''Optei pela qualidade de vida'', conta a fotógrafa. Seu estúdio fica bem em frente ao arborizado Parque do Ingá e a vista, como não poderia deixar de ser, é das mais agradáveis.
De modelo mirim a fotógrafa conceituada, Joelma sempre esteve rodeada por câmeras e flashes. ''Fui mais modelo de vídeo, mas já me interessava pelas composições de formas e luzes'', conta. O que começou com um hobby, no início dos anos 1990, tornou-se profissão no final da mesma década.
''Perdi as contas de quantos cursos e workshops fiz'', explica Joelma, que aproveita os negócios do marido em São Paulo para se reciclar. Aulas na Academia Brasileira de Arte e até Roma, a capital italiana, entram no currículo bem abastecido da fotógrafa, que tem na moda seus principais trabalhos. Como a vizinhança tem um pólo confeccionista forte, ela acabou se tornando expert em catálogos. ''Oitenta por cento do meu trabalho é com moda'', explica.
Com clientes que vão além das fronteiras paranaenses, Joelma mantém contratos em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo. ''Fiquei mais conhecida com o estúdio'', lembra a fotógrafa, que passou por salas bem menores no início da carreira. ''Nada cai do céu, é tudo fruto de muito trabalho'', avisa.
Além das aulas de fotografia, Joelma voltou aos bancos escolares para cursar a faculdade de jornalismo. ''Queria abrir mais os horizontes'', explica. Um dos objetivos pós-diploma era dividir os conhecimentos dando aulas de fotografia. Mas, por enquanto, ainda é difícil conciliar a agenda concorrida. Mas ela ainda não descartou a vontade de se tornar professora.
''Gosto muito de escrever. No futuro até me vejo mais escrevendo do que fotografando'', conta Joelma. Um livro reunindo as duas paixões? ''Estou formatando alguns projetos e conversando com amigos. Acredito que nada aconteça por acaso. As oportunidades é que vão surgindo'', confessa. E foi numa oportunidade dessas que. durante um ano, ela apresentou um quadro em um programa da tevê local com dicas fotográficas para amadores.
Priorizando a família, Joelma não costuma mais trabalhar nos finais de semana. Nunca quis fotografar aos domingos e, agora, os sábados também são poupados para passar mais tempo em casa. Mãe de um casal, a fotógrafa já percebeu que o filho não deve seguir seus passos. Mas a filha, Natália, de 21 anos, anda bem inclinada a aceitar a herança fotográfica. Ela cuida da parte administrativa do estúdio e ''é a melhor pessoa com quem já trabalhei'', garante a mãe-patroa. Além disso, Natália tem se interessado cada vez mais sobre os segredos da fotografia. O retrato de Joelma que ilustra a matéria por sinal tem assinatura da filha.
''Mas não quero que ela siga o meu jeito, quero que ela tenha o jeito dela'', afirma. Fã confessa das cores, a fotógrafa estima que 98% das suas fotos sejam coloridas. ''A cor se traduz em vida'', observa. Para Joelma, a música também influencia e auxilia o seu trabalho. A irmã DJ vira fonte de informações e com isso o estúdio tem um acervo musical bem variado. Cada cliente inspira uma trilha sonora diferente. ''Sou bem eclética e vou do pop rock à música brasileira de Ana Carolina, Ivete Sangalo'', conta a fotógrafa depois de um passeio completo pelos ambientes bem distribuídos do estudio e todos bem fotografáveis. A piscina não está ali para um momento de folga e, sim, para servir de cenário para catálogos de moda praia, por exemplo.
''Do mesmo jeito que eu falo rápido, eu fotografo rápido. Por isso mesmo não uso tripé. Gosto de ter a máquina na mão'', explica. Como o equipamento chega a pesar cerca de três quilos, ela se prepara com sessões de alongamentos. ''É um trabalho intelectual e braçal também'', sorri.
O fato de ter escolhido o trabalho em estúdio e não o fotojornalismo é explicado por Joelma. ''Eu gosto de controlar o meu tempo e o que estou fazendo'', diz. Algo que dificilmente aconteceria se ela tivesse que depender de pautas, repórteres e dos acontecimentos em si.
Dona de um bom papo, Joelma também faz muitos retratos de conterrâneos maringaenses e vizinhos de toda a região. ''Antes de começar a fotografar, as pessoas têm que estar à vontade'', explica. Satisfeitas com o resultado, sempre fazem propaganda. ''Um cliente vem um dia e depois traz outros dois'', lembra ela.

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