A alquimia do sucesso
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quinta-feira, 24 de maio de 2001
Carmen Kley De Londrina 
Depois de ganharem o mercado brasileiro, os móveis da BF indústria londrinense que nasceu há 7 anos em Marechal Cândido Rondon estão prestes a ser exportados para a Europa e os Estados Unidos. A história de sucesso que em tão pouco tempo marcou o projeto de Dorival Rubem Schmitt e de sua irmã Roseli Schmitt não se desenvolveu sobre um roteiro pré-estabelecido. Acompanhou, segundo Roseli, um processo de crescimento pessoal e profissional. Coube a ela e ao irmão a tarefa de identificar as oportunidades que foram surgindo e, claro, aproveitá-las.
Se hoje a indústria que Dorival abriu com apenas dois funcionários emprega 100 pessoas diretamente e tem 30 a 40 empregados indiretos, isso é resultado, acredita Roseli, de muito trabalho, de uma dedicação enorme, uma boa dose de sorte e uma crença inabalável de que a paixão é a grande energia que move o mundo.
Não consigo conceber presente ou futuro sem passado, diz Roseli, referindo-se à infância, que define como sadia, tranquila e bonita. Até os 12 anos, a empresária viveu numa fazenda, onde a língua oficial era o alemão. Só falava português na escola. Na fazenda aprendi como nasce, cresce e morre uma planta, um animal. Aprendi também a cultivar hábitos simples e a reverenciar a natureza, conta. Até hoje a chuva me fascina. É que, para o agricultor, ela tem um significado muito profundo. Durante toda minha infância, depois que a chuva passava, meu pai me levava pela mão para ver as plantinhas brotando. Onde antes não havia nada, apareciam as folhinhas verdes, aparecia a vida. Era possível ver até mesmo a terra se rompendo, lembra.
Também desde criança, Roseli aprendeu a valorizar o mobiliário. Talvez seja uma carga genética européia, de agregar valores às coisas, teoriza. Ela lembra que, quando seus bisavós vieram para o Brasil (os maternos da Itália e os paternos da Alemanha), como a maioria dos imigrantes, trouxeram o mínimo possível de pertences pessoais dentro de um baú. Aqui chegando, eles mesmos confeccionaram seus próprios móveis, que adquiriram, por isso, expressivo valor sentimental. Até hoje Roseli conserva o baú todo machucado pelas correntes, que seu bisavô trouxe da Alemanha para o Brasil. Ele tem um significado enorme para mim, diz. É parte da minha história.
O sucesso profissional e, consequentemente, financeiro, significa, sim, a possibilidade de conhecer novos lugares e novas pessoas. Mas o que encanta Roseli é ver na sua biografia a evidência concreta de uma convicção: a de que existe uma força maior que rege o universo. Segundo as leis cósmicas, tudo o que se faz com amor, tudo o que se divide se multiplica. Se você está crescendo e contribuindo para que alguém cresça porque nunca se cresce sozinho e está somando, aprendendo com as dificuldades, buscando alternativas, você está ganhando, tanto no lado profissional como pessoal, explica.
Mãe de Sallien, 20 anos, Chrislien, 19, e Djulien, 15, Roseli Schmitt ensina às filhas que tudo tem uma razão de ser e que nada nos vem de mão beijada. Ela já passou por crises de saúde, financeiras e sentimentais, mas superou. Temos que enfrentar dificuldades para crescer, afirma.
O que não falta a esta empreendedora, também, é coragem e ousadia. A maneira como a BF entrou no mercado nacional demonstra bem isso. Há cinco anos, ela fotografou sete peças criadas pelo arquiteto Alessandro Costa Rossa e fabricadas pela sua indústria, pegou o endereço de algumas lojas que vendiam móveis clássicos importados e foi a São Paulo. Encontrou-se com Breno Riwkind, do grupo Breton, que ficou impressionado com o trabalho e, imediatamente, encomendou alguns móveis. Daí em diante, firmaram uma parceria que se expande a cada dia.
Roseli sabe que ainda haverá muitas lutas, mas está tranquila e absolutamente confiante. O mais importante dessa história toda é que existe muito prazer no que faço, muita dedicação e muita energia positiva. Acredito na magia do que é feito com as mãos e também que tudo, como a natureza, precisa de respeito. Existe uma ordem cronológica para tudo, da semente plantada às relações pessoais: nascer, crescer, reproduzir e morrer, mas morrer para um novo crescimento. Essa crença faz com que ninguém tire de mim a vontade de vencer e de viver, conclui.


