A Alemanha é logo ali
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domingo, 31 de janeiro de 2016
Karla Matida<br> Reportagem Local 
Que Rolândia é um pedacinho da Alemanha no Brasil, as movimentadas edições anuais da Oktoberfest não deixam mesmo dúvidas. Fundada pelos ingleses da Companhia de Terras Norte do Paraná, a cidade ganhou o nome em homenagem a Roland, sobrinho e guerreiro do imperador Carlos Magno.
Oito décadas depois da sua fundação, um outro Roland surgiu para reiterar a inclinação germânica do município. Apesar de ter nascido em terras alemãs, mais especificamente em Eschweiller (região de Colônia), Roland Kronenberg é um jovem velho conhecido de Rolândia, morada da família materna.
"Minha mãe é brasileira filha de alemães. Ela foi morar na Alemanha e lá conheceu meu pai. Aqui ela trabalhava com o pai e os irmãos na fazenda, decidiu se mudar para estudar. Fez o curso de massoterapia e abriu uma clínica", conta. "Quando eu tinha cinco anos, meu pai ficou doente e os médicos recomendaram que ele fosse para um clima mais tropical. Então decidiram vir para Rolândia."
"Criança aprende fácil outro idioma, então não tive muita dificuldade. A história que eu sempre conto é de quando eu fui pro maternal, na escolinha, sem falar nada de português. No primeiro dia de aula eu perguntei para minha mãe como falava não, para mim era importante saber como dizer não. Qualquer coisa eu ia dizer não", diverte-se Kronenberg.
De volta a Rolândia depois de morar em São Paulo, onde fez um curso técnico por três anos, e em Juiz de Fora (MG), onde trabalhou por 13 anos na Mercedes-Benz, Kronenberg realizou um antigo sonho dele e da esposa Karin, abrir um espaço gastronômico. As receitas das avós de ambos são a base do Oma's Kaffee Haus, inaugurado há pouco mais de seis meses.
"Nos conhecemos em um curso de dança folclórica em Gramado (RS), com grupos do Brasil inteiro", conta Kronenberg. "Sou nascida gaúcha, mas cresci em Santa Catarina", diz Karin, que lembra de ter trocado cartas durante o namoro à distância. "Telefone era de vez em quando", sorri. O idioma alemão que ela aprendeu em casa foi aprimorado durante o tempo que trabalhou na Mercedes-Benz em Minas Gerais. "Era secretária, meu chefe era alemão e eu fazia as ligações", conta.
"Desde que nos conhecemos sonhamos em fazer algo gastronômico", conta Kronenberg. A volta para o Paraná, para ficar mais próximos dos pais, serviu de incentivo para o empreendimento. Como trabalha durante a semana em Londrina, ele acaba aparecendo no café geralmente aos domingos à tarde. E a aparição é em grande estilo, com a roupa típica e um acordeon, que aprendeu a tocar ainda na adolescência.
Kronenberg é um dos pioneiros do Grupo Folclórico Alemão Rotkappen, no qual entrou com cerca de 12 anos. "Naquela época os descendentes de alemães estavam procurando uma atividade para os filhos e criaram o grupo. Hoje sou o único fundador que ainda faz parte do grupo", conta. "Minha mãe foi durante muito tempo coordenadora do grupo", lembra.
Com a torta de maçã apfelstrudel (servida quente) como um dos carros-chefe, o Oma (avó em alemão) produz artesanalmente 90% do que serve, como biscoitos, cucas, pães de fermentação natural e salgados. Mesmo com pouco tempo de funcionamento, o lugar já se tornou referência na cidade. "Muita gente que recebe visita de fora, traz pra cá", explica Kronenberg, que também produz cerveja artesanal. "Suave, mesmo engarrafada ela é quase um chope", relata, sobre o sabor da cerveja da sua região natal. "Colônia não é muito conhecida dos brasileiros, mas ela tem uma tradição carnavalesca", conta.
Enquanto não incrementam o cardápio com refeições típicas, o casal treina em casa receitas como as batatas cozidas com bacon e folhas de alface. "É um prato que os trabalhadores levavam para a roça, levavam de casa a batata e o bacon e depois pegavam os brotos de alface. É típico de lá, mas ninguém conhece", diz. "A gente está introduzindo muita coisa aos poucos, percebemos que tem que ir devagar", conta Karin.
Além da gastronomia, os Kronenberg também se preocupam em transmitir a cultura dos seus antepassados para a clientela. A decoração natalina com uma árvore de verdade foi uma das maneiras que o casal encontrou para isso. Durante a semana, o café tem como trilha sonora a programação de uma rádio de Munique.


