55 ANOS DA FOLHA - Universitários com fome de teatro
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domingo, 16 de novembro de 2003
Giovana Kindlein<br> Reportagem Local 
É inegável. Depois da interpretação e dos aplausos da eclética platéia que participou das comemorações de 55 anos de existência do jornal Folha de Londrina, na última quinta-feira, no Catuaí Shopping Center, a turma de acadêmicos do curso de artes cênicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) mostrou que tem fome de teatro.
O desejo aflorou durante o esquete (dramatização com menos de 30 minutos) encenado por Glauco Simili, 19 anos, Carolina Alvim, 20 anos, pelo londrinense Eduardo Tomazini, 26 anos, e por Bárbara Marchi, 21 anos, que interpretou e dublou a cantora Ângela Maria com maestria.
O modo de pensar e de agir das pessoas, através das manchetes do jornal foram retratados pelos acadêmicos ao longo dos últimos 55 anos, de quinta-feira a sábado, no mesanino e no hall de entrada do shopping. ''Observando a história, pelas folhas de jornal, podemos ver como era o perfil da sociedade naquela época'', afirma a professora Adriane Gomes, também chefe da Divisão de Artes Cênicas da Casa de Cultura da UEL.
As manchetes de jornal foram divididas e apresentadas em décadas. No primeiro dia, quinta-feira, foram ressaltados os anos de 1948 a 1959. ''Deputado que visita Londrina dá tiros para o alto no aeroporto'', ''Guarda aborda dois jovens que cheiravam lança-perfume'' e ''Mara vence concurso depois de ficar mais tempo em jejum durante coquetel'' foram alguns dos fatos dramatizados pelos atores-radialistas.
Sexta-feira foram mostradas as décadas de 60 e 70, e no sábado de 80 e 90. ''A seleção das notícias teve como critérios a curiosidade, o sensacionalismo e a retratação do contexto histórico'', afirma Simili, que veio de Assis para cursar artes cênicas em Londrina. Hoje, universitários da mesma turma reservam diferentes encenações com bonecos, palhaços e uma pequena peça ''A farsa de Inez Pereira'' (veja programação ao lado).
A fome de teatro, daquela que dá sentido às potencialidades e que multiplica razões espontâneas, atraiu a atenção dos expectadores. ''A maneira de apresentar a história do jornal foi marcante. Eles foram muito criativos'', avalia o secretário municipal de Agricultura, Nilson Ladeia.
Não menos prazerosa foi a apresentação do Clube do Choro. Os sons melodiosos do violão de seis cordas de Roberto Guerra Neto, do saxofone e clarinete de Mendes, da percurssão de Diltinho, e do cavaquinho de Giovane, encantaram o público. ''Carinhoso'', de Pixinguinha, ''Pedacinho do Céu'', de Valdir Azevedo e ''Tico-tico no Fubá'', de Zequinha de Abreu, foram algumas das canções executadas.


