Tirinhas, charges e cartuns trazem leveza e reflexão para o Enem

Cada qual a sua maneira, elementos que unem texto e imagem são carregados de mensagens sociais

Edson Neves - Especial para a FOLHA
Edson Neves - Especial para a FOLHA

O uso de imagens para agregar informações no enunciado é um recurso utilizado desde a primeira edição do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), em 1998. As linguagens não verbais e híbridas ou mistas, quando se mistura a linguagem verbal, podem trazer uma tônica mais leve ao entendimento do candidato quanto ao que pede a questão, como um desenho ou uma história em quadrinhos, por exemplo. Nesse formato, estão as charges, os cartuns e as tirinhas.


 

Tirinhas, charges e cartuns trazem leveza e reflexão para o Enem
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Pois saiba que cada gênero textual, que envolve linguagens verbais e não verbais, possui suas particularidades, que podem ajudar a resolver as questões na hora da prova. Com toques de ironia e uma característica não-verbal, a charge geralmente aborda temas de cunho político, econômico ou social. “(A charge) é situada com um personagem, em determinado espaço e tempo. Suas formas são expressivas, seus contornos, exagerados, tudo isso para causar impacto”, explica o professor Nilson Douglas Castilho, Coordenador de Ensino Médio do Colégio Marista de Londrina.


Enquanto a charge se ampara nos fatos mais “quentinhos”, o cartum tem um caráter atemporal. Isto é, seu conteúdo não perde a validade de um dia para o outro. Com abordagens de situações do comportamento humano, pode ou não envolver personagens. A linguagem verbal também não é uma obrigatoriedade. “São tipos opostos (charge e cartum), mas que mantêm o objetivo de levar o candidato a refletir sobre o tema”, diz o professor.


Exemplo da linguagem híbrida, as tirinhas baseiam-se na sequencialidade. Com personagem e enredo, buscam resumir uma história em poucos quadrinhos. “Se não houver uma história, deixa de ser uma tirinha”, resume Castilho. “O desenho não deixa de ter importância. Não é apenas olhar para os balões de fala. As expressões dos personagens podem ajudar no momento de escolher a alternativa correta”, completa.



CONHECER O HISTÓRICO AJUDA

Quando o assunto são as tirinhas, a prova do Enem traz algumas figurinhas carimbadas, como Mafalda, do cartunista argentino Quino (1932-2020), sempre preocupada com a humanidade e a paz do mundo. Também as críticas sociais do menino Calvin e seu tigre de pelúcia Haroldo (Hobbes, na versão original norte-americana de Bill Watterson), a vida social frustrada de Hagar, o Horrível (criado por Dik Browne 1917-1989), e a tirinha brasileira Turma da Mônica, baseada na infância de Mauricio de Sousa. Para o professor Nilson Douglas Castilho, conhecer a essência de cada personagem pode servir como diferencial. “Nos casos da Mafalda e o Calvin, você pode esperar sempre algo provocativo e reflexivo, em questões do caderno de Ciências Humanas. As tirinhas mais lúdicas (Hagar e Turma da Mônica) aparecem com maior intensidade no caderno de Linguagens, já que tem como maior foco questões que abordam a comunicação, cobrando mais a influência das variações linguísticas”, pontua.


 ATENÇÃO ÀS OBRAS DE ARTE

E quando uma questão apresenta apenas a reprodução de uma obra de arte? Neste caso, o Coordenador de Ensino Médio do Colégio Marista afirma que o candidato deve analisar outros elementos. “Essas obras foram concebidas sob períodos específicos. Então o contexto, período e estilo são levados em conta. Isso sem falar da parte estética. O tipo de leitura é completamente diferente de uma tirinha, charge ou cartum”. (Edson Neves/Especial para a FOLHA)

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