Caderno 12, Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias

01. (ENEM)

– Famigerado? [ ... ]

– Famigerado é “inóxio”, é “célebre”, “notório”, “notável” ...

– Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?

– Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de outros usos ...

– Pois ... e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia de semana?

– Famigerado? Bem. É: “importante”, que merece louvor, respeito ...

ROSA, G. Famigerado. In: Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

Nesse texto, a associação de vocábulos da língua portuguesa a determinados dias da semana remete ao

a) local de origem dos interlocutores.

b) estado emocional dos interlocutores.

c) grau de coloquialidade da comunicação.

d) nível de intimidade entre os interlocutores.

e) conhecimento compartilhado na comunicação.

02. (ENEM)

O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a

imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa.

Passou um homem e disse: Essa volta que o rio faz por trás de sua casa se chama enseada.

Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia uma volta atrás de casa.

Era uma enseada.

Acho que o nome empobreceu a imagem.

BARROS. M. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro; Best Seller. 2008.

O sujeito poético questiona o uso do vocábulo “enseada” porque a

a) terminologia mencionada é incorreta.

b) nomeação minimiza a percepção subjetiva.

c) palavra é aplicada a outro espaço geográfico.

d) designação atribuída ao termo é desconhecida.

e) definição modifica o significado do termo no dicionário.

03. (ENEM)

A história do futebol é uma triste viagem do prazer ao dever. [...] O jogo se transformou em espetáculo, com poucos protagonistas e muitos espectadores, futebol para olhar, e o espetáculo se transformou num dos negócios mais lucrativos do mundo, que não é organizado para ser jogado, mas para impedir que se jogue. A tecnocracia do esporte profissional foi impondo um futebol de pura velocidade e muita força, que renuncia à alegria, atrofia a fantasia e proíbe a ousadia. Por sorte ainda aparece nos campos, [...] algum atrevido que sai do roteiro e comete o disparate de driblar o time adversário inteirinho, além do juiz e do público das arquibancadas, pelo puro prazer do corpo que se lança na proibida aventura da liberdade.

GALEANO, E. Futebol ao sol e à sombra. Porto Alegre: L&PM Pockets, 1995 (adaptado).

O texto indica que as mudanças nas práticas corporais, especificamente no futebol,

a) fomentaram uma tecnocracia, promovendo uma vivência mais lúdica e irreverente.

b) promoveram o surgimento de atletas mais habilidosos, para que fossem inovadores.

c) incentivaram a associação dessa manifestação à fruição, favorecendo o improviso.

d) tornaram a modalidade em um produto a ser consumido, negando sua dimensão criativa.

e)contribuíram para esse esporte ter mais jogadores, bem como acompanhado de torcedores.

04. (ENEM)

A imagem da negra e do negro em produtos de beleza e a estética do racismo

Resumo: Este artigo tem por finalidade discutir a representação da população negra, especialmente da mulher negra, em imagens de produtos de beleza pre - sentes em comércios do nordeste goiano. Evidencia-se que a presença de estereótipos negativos nessas imagens dissemina um imaginário racista apresentado sob a forma de uma estética racista que camufla a exclusão e normaliza a

inferiorização sofrida pelos(as) negros(as) na sociedade brasileira. A análise do material imagético aponta a desvalorização estética do negro, especialmente da mulher negra, e a idealização da beleza e do branqueamento a serem alcançados por meio do uso dos produtos apresentados. O discurso midiático-publicitário dos produtos de beleza rememora e legitima a prática de uma ética racista construída e atuante no cotidiano. Frente a essa discussão, sugere-se que o trabalho antirracismo. feito nos diversos espaços sociais, considere o uso de estratégias para uma “descolonização estética” que empodere os sujeitos negros por meio de sua valorização estética e protagonismo na construção de uma ética da diversidade.

Palavras-chave: Estética, racismo, mídia, educação, diversidade.

SANT'ANA, J. A imagem da negra e do negro em produtos de beleza e a estética do racismo. Dossiê: trabalho e educação básica. Margens Interdisciplinar. Versão digital. Abaetetuba, n. 16. jun. 2017 (adaptado).

O cumprimento da função referencial da linguagem é uma marca característica do gênero resumo de artigo acadêmico.

Na estrutura desse texto, essa função é estabelecida pela

a) impessoalidade, na organização da objetividade das informações, como em “Este artigo tem por finalidade” e "Evidencia-se"

b ) seleção lexical, no desenvolvimento sequencial do texto, como em “imaginário racista” e “estética do negro”.

c) metaforização, relativa à construção dos sentidos figurados, como nas expressões “descolonização estética” e “discurso midiático-publicitário”.

d) nominalização, produzida por meio de processos derivacionais na formação de palavras, como“ inferiorização” e “desvalorização”.

e) adjetivação, organizada para criar uma terminologia antirracista, como em “ética da diversidade” e “descolonização estética”.

05. (ENEM)

Quebranto

às vezes sou o policial que me suspeito me peço documentos

e mesmo de posse deles

me prendo e me dou porrada

às vezes sou o porteiro

não me deixando entrar em mim mesmo a não ser

pela porta de serviço

[ ... ]

às vezes faço questão de não me ver e entupido com a visão deles

sinto-me a miséria concebida como um eterno começo

fecho-me o cerco

sendo o gesto que me nego

a pinga que me bebo e me embebedo o dedo que me aponto

e denuncio

o ponto em que me entrego.

às vezes!...

CUTI. Negroesia. Belo Horizonte: Mazza. 2007 (fragmento).

Na literatura de temática negra produzida no Brasil, é recorrente a presença de elementos que traduzem experiências históricas de preconceito e violência. No poema, essa vivência revela que o eu lírico

a) incorpora seletivamente o discurso do seu opressor.

b) submete-se à discriminação como meio de fortalecimento.

c) engaja-se na denúncia do passado de opressão e injustiças.

d) sofre uma perda de identidade e de noção de pertencimento.

e) acredita esporadicamente na utopia de uma sociedade igualitária.

06. (ENEM)

Lava Mae: Creating Showers on Wheels for the Homeless

San Francisco, according to recent city numbers, has 4,300 people living on the streets. Among the many problems the homeless face is little or no access to showers. San Francisco only has about 16 to 20 shower stalls to accommodate them.

But Doniece Sandoval has made it her mission to change that. The 51-year-old former marketing executive started Lava Mae, a sort of showers on wheels, a new project that aims to turn decommissioned city buses into shower stations for the homeless. Each bus will have two shower stations and Sandoval expects that they'll be able to provide 2,000 showers a week.

ANDREANO, C. Disponível em: http://abcnews.go.com. Acesso em: 26 jun. 2015 (adaptado).

A relação dos vocábulos shower, bus e homeless, no texto, refere-se a

a) empregar moradores de rua em lava a jatos para ônibus.

b) criar acesso a banhos gratuitos para moradores de rua.

c) comissionar sem-teto para dirigir os ônibus da cidade.

d) exigir das autoridades que os ônibus municipais tenham banheiros.

e)abrigar dois mil moradores de rua em ônibus que foram adaptados.

07. (ENEM)

1984 (excerpt)

'Is it your opinion, Winston, that the past has real existence?’ [...] O'Brien smiled faintly. ‘I will put it more precisely. Does the past exist concretely, in space? Is there somewhere or other a place, a world of solid objects, where the past is still happening?

'No.'

'Then where does the past exist, if at all?' 'In records. It is written down.'

'In records. And –– ––?'

'In the mind. In human memories.'

'In memory. Very well, then. We, the Party, control all records, and we control all memories. Then we control the past, do we not?'

ORWELL. G. Nineteen Eighty-Four. New York: Signet Classics, 1977.

O romance 1984 descreve os perigos de um Estado totalitário.

A ideia evidenciada nessa passagem é que o controle do Estado se dá por meio do(a)

a) boicote a ideais libertários.

b) veto ao culto das tradições.

c) poder sobre memórias e registros.

d) censura a produções orais e escritas.

e) manipulação de pensamentos individuais.

08. (ENEM)

TEXTO

A Free World-class Education for Anyone Anywhere

The Khan Academy is an organization on a mission. We're a notfor- profit with the goal of changing education for the better by providing a free world-class education to anyone anywhere. All of the site's resources are available to anyone. The Khan Academy's materials and resources are available to you completely free of charge.

Disponível em: www.khanacademy.org. Acesso em: 24 fev. 2012 (adaptado)

TEXTO

I didn't have a problem with Khan Academy site until very recently. For me, the problem is the way Khan Academy is being promoted. The way the media sees it as “revolutionizing education”. The way people with power and money view education as simply “sit-and-get”. If your philosophy of education is “sit-and-get”, i.e., teaching is telling and learning is listening, then Khan Academy is way more efficient than classroom lecturing. Khan Academy does it better. But TRUE progressive educators, TRUE education visionaries and revolutionaries don’t want to do these things better. We want to DO BETTER THINGS.

Disponível em: http://fnoschese.wordpress.com. Acesso em: 2 mar. 2012.

Como o impacto das tecnologias e a ampliação das redes sociais, consumidores encontram na internet possibilidades de opinar sobre serviços oferecidos.

Nesse sentido, o segundo texto, que é um comentário sobre o site divulgado no primeiro, apresenta a intenção do autor de

a) elogiar o trabalho proposto para a educação nessa era tecnológica.

b) reforçar como a mídia pode contribuir para revolucionar a educação.

c) chamar a atenção das pessoas influentes para o significado da educação.

d)destacar que o site tem melhores resultados do que a educação tradicional

e) criticar a concepção de educação em que se baseia a organização.

09. (ENEM)

Mayo

15

Que mañana no sea otro nombre de hoy

En el ano 2011, miles de jóvenes, despojados de sus casas y de sus empleos, ocuparon las plazas y las calles de varias ciudades de España.

Y la indignación se difundió. La buena salud resultó más contagiosa que las pestes, y las voces de los indignados atravesaron las fronteras dibujadas en los mapas. Así resonaron en el mundo:

Nos dijeron "¡a la puta calle!", y aquí estamos. Apaga la tele y enciende la cal/e.

La Ilaman crisis, pero es estafa.

No falta dinero: sobran ladrones.

Los mercados gobiernan. Yo no los voté.

EIlos toman decisiones por nosotros, sin nosotros. Se alquila esclavo económico.

Estoy buscando mis derechos. ¿Alguien los ha visto? Si no nos dejan soñar. no los dejaremos dormir.

GALEANO, E. Los hijos de los días. Buenos Aires: Siglo Veintiuno, 2012.

Ao elencar algumas frases proferidas durante protestos na Espanha, o enunciador transcreve, de forma direta, as reivindicações dos manifestantes para

a) provocá-los de forma velada.

b) dar voz ao movimento popular

c) fomentar o engajamento do leitor.

d) favorecer o diálogo entre governo e sociedade.

e) instaurar dúvidas sobre a legitimidade da causa.

10. (ENEM)

El día en que lo iban a matar. Santiago Nasar se levantó a las 5:30 de la mañana para esperar el buque en que llegaba el obispo.

Había soñado que atravesaba un bosque de higuerones donde caía una llovizna tierna, y por un instante fue feliz en el sueño, pero al despertar se sintió por completo salpicado de cagada de pájaros. “Siempre soñaba con árboles", me dijo Plácida Linero, su madre, evocando 27 años después los pormenores de aquel lunes ingrato. “La semana anterior había soñado que iba solo en un avión de papel de estaño que volaba sin tropezar por entre los almendros". me dijo. Tenía una reputación muy bien ganada de intérprete certera de los sueños ajenos, siempre que se los contaran en ayunas, pero no había advertido ningún augurio aciago en esos dos sueños de su hijo, ni en los otros sueños con árboles que él le había contado en las mañanas que precedieron a su muerte.

MÁRQUEZ, G. G. Crónica de una muerte anunciada. Disponível em: http://biblio3.url.edu.gt. Acesso em. 2 jan. 2015.

Na introdução do romance, o narrador resgata lembranças de Plácida Linero relacionadas a seu filho Santiago Nasar.

Nessa introdução, o uso da expressão augurio aciago remete ao(à)

a) relação mística que se estabelece entre Plácida e seu filho Santiago.

b) destino trágico de Santiago, que Plácida foi incapaz de prever nos sonhos.

c) descompasso entre a felicidade de Santiago nos sonhos e seu azar na realidade.

d) crença de Plácida na importância da interpretação dos sonhos para mudar o futuro.

e) presença recorrente de elementos sombrios que se revelam nos sonhos de Santiago.

11. (ENEM)

Na sociologia e na literatura, o brasileiro foi por vezes tratado como cordial e hospitaleiro, mas não é isso o que acontece nas redes sociais: a democracia racial apregoada por Gilberto Freyre passa ao largo do que acontece diariamente nas comunidades virtuais do país. Levantamento inédito realizado pelo projeto Comunica que Muda [ ... ] mostra em números a intolerância do internauta tupiniquim. Entre abril e junho, um algoritmo vasculhou plataformas [ ... ] atrás de mensagens e textos sobre temas sensíveis, como racismo, posicionamento político e homofobia. Foram identificadas 393 284 menções, sendo 84% delas com abordagem negativa, de exposição do preconceito e da discriminação.

Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em: 6 dez. 2017 (adaptado).

Ao abordar a postura do internauta brasileiro mapeada por meio de uma pesquisa em plataformas virtuais, o texto

a) minimiza o alcance da comunicação digital.

b refuta ideias preconcebidas sobre o brasileiro.

c) relativiza responsabilidades sobre a noção de respeito.

d) exemplifica conceitos contidos na literatura e na sociologia.

e) expõe a ineficácia dos estudos para alterar tal comportamento.

12. (ENEM)

Vó Clarissa deixou cair os talheres no prato, fazendo a porcelana estalar. Joaquim, meu primo, continuava com o queixo suspenso, batendo com o garfo nos lábios, esperando a resposta. Beatriz ecoou a palavra como pergunta, “o que é lésbica?”. Eu fiquei muda. Joaquim sabia sobre mim e me entregaria para a vó e, mais tarde, para toda a família. Senti um calor letal subir pelo meu pescoço e me doer atrás das orelhas. Previ a cena: vó, a senhora é lésbica? Porque a Joana é. A vergonha estava na minha cara e me denunciava antes mesmo da delação. Apertei os olhos e contrai o peito, esperando o tiro. [ ... ]

[ ... ] Pensei na naturalidade com que Tais e eu levávamos a nossa história. Pensei na minha insegurança de contar isso à minha família, pensei em todos os colegas e professores que já sabiam, fechei os olhos e vi a boca da minha vó e a boca da tia Carolina se tocando, apesar de todos os impedimentos. Eu quis saber mais, eu quis saber tudo, mas não consegui perguntar.

POLESSO. N. B. Vó. a senhora é lésbica? Amora. Porto Alegre: Não Editora. 2015 (fragmento).

A situação narrada revela uma tensão fundamentada na perspectiva do a conflito com os interesses de poder.

a) conflito com os interesses de poder.

b) silêncio em nome do equilíbrio familiar.

c) medo instaurado pelas ameaças de punição.

d) choque imposto pela distância entre as gerações.

e) apego aos protocolos de conduta segundo os gêneros.

13. (ENEM)

Certa vez minha mãe surrou-me com uma corda nodosa que me pintou as costas de manchas sangrentas. Moído, virando a cabeça com

dificuldade, eu distinguia nas costelas grandes lanhos vermelhos. Deitaram-me, enrolaram-me em panos molhados com água de sal – e houve uma discussão na família. Minha avó, que nos visitava, condenou o procedimento da filha e esta afligiu-se. Irritada, ferira-me à toa, sem querer. Não guardei ódio a minha mãe: o culpado era o nó.

RAMOS, G. Infância. Rio de Janeiro: Record, 1998.

Num texto narrativo, a sequência dos fatos contribui para a progressão temática. No fragmento, esse processo é indicado pela

a) a alternância das pessoas do discurso que determinam o foco narrativo.

b) utilização de formas verbais que marcam tempos narrativos variados.

c) indeterminação dos sujeitos de ações que caracterizam os eventos narrados.

d) justaposição de frases que relacionam semanticamente os acontecimentos narrados.

e) recorrência de expressões adverbiais que organizam temporalmente a narrativa

14. (ENEM)

O alemão Fritz Haber recebeu o Prêmio Nobel de química de 1918 pelo desenvolvimento de um processo viável para a síntese da amônia (NH3). Em seu discurso de premiação, Haber justificou a importância do feito dizendo que:

“Desde a metade do século passado, tornou-se conhecido que um suprimento de nitrogênio é uma necessidade básica para o aumento das safras de alimentos; entretanto, também se sabia que as plantas não podem absorver o nitrogênio em sua forma simples, que é o principal constituinte da atmosfera. Elas precisam que o nitrogênio seja combinado [...] para poderem assimilá-lo.

Economias agrícolas basicamente mantêm o balanço do nitrogênio ligado. No entanto, com o advento da era industrial, os produtos do solo são levados de onde cresce a colheita para lugares distantes, onde são consumidos, fazendo com que o nitrogênio ligado não retorne à terra da qual foi retirado.

Isso tem gerado a necessidade econômica mundial de abastecer o solo com nitrogênio ligado. [...] A demanda por nitrogênio, tal como a do carvão, indica quão diferente nosso modo de vida se tornou com relação ao das pessoas que, com seus próprios corpos, fertilizam o solo que cultivam.

Desde a metade do último século, nós vínhamos aproveitando o suprimento de nitrogênio do salitre que a natureza tinha depositado nos desertos montanhosos do Chile. Comparando o rápido crescimento da demanda com a extensão calculada desses depósitos, ficou claro que em meados do século atual uma emergência seríssima seria inevitável, a menos que a química encontrasse uma saída.”

HABER, F. The Synthesis of Ammonia from its Elements. Disponível em: www.nobelprize.org. Acesso em: 13 jul. 2013 (adaptado).

De acordo com os argumentos de Haber, qual fenômeno teria provocado o desequilíbrio no “balanço do nitrogênio ligado”?

a) O esgotamento das reservas de salitre no Chile.

b) O aumento da exploração de carvão vegetal e carvão mineral.

c) A redução da fertilidade do solo nas economias agrícolas.

d) A intensificação no fluxo de pessoas do campo para as cidades

e) A necessidade das plantas de absorverem sais de nitrogênio disponíveis no solo.

15. (ENEM)

A Casa de Vidro

Houve protestos.

Deram uma bola a cada criança e tempo para brincar. Elas aprenderam malabarismos incríveis e algumas viajavam pelo mundo exibindo sua alegre habilidade. (O problema é que muitos, a maioria, não tinham jeito e eram feios de noite, assustadores. Seria melhor prender essa gente – havia quem dissesse.)

Houve protestos.

Aumentaram o preço da carne, liberaram os preços dos cereais e abriram crédito a juros baixos para o agricultor. O dinheiro que sobrasse, bem, digamos, ora o dinheiro que sobrasse!

Houve protestos.

Diminuíram os salários (infelizmente aumentou o número de assaltos) porque precisamos combater a inflação e, como se sabe, quando os salários estão acima do índice de produtividade eles se tornam altamente inflacionários, de modo que.

Houve protestos.

Proibiram os protestos.

E no lugar dos protestos nasceu o ódio. Então surgiu a Casa de Vidro, para acabar com aquele ódio.

ÂNGELO, I. A casa de vidro. São Paulo: Círculo do Livro. 1985.

Publicado em 1979, o texto compartilha com outras obras da literatura brasileira escritas no período as marcas do contexto em que foi produzido, como a

a) referência à censura e à opressão para alegorizar a falta de liberdade de expressão característica da época.

b) valorização de situações do cotidiano para atenuar os sentimentos de revolta em relação ao governo instituído.

c) utilização de metáforas e ironias para expressar um olhar crítico em relação à situação social e política do país.

d) tendência realista para documentar com verossimilhança o drama da população brasileira durante o Regime Militar.

e) sobreposição das manifestações populares pelo discurso oficial para destacar o autoritarismo do momento histórico.

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