Sisu é alternativa de ingresso para boas universidades federais

Resistência de universidades estaduais a adotarem o Enem como porta de entrada para seus cursos é um dos obstáculos para que o Sistema de Seleção Unificada não tenha o espaço que o governo federal gostaria

Edson Neves - Especial para a FOLHA
Edson Neves - Especial para a FOLHA

Desde 2009, o Sisu (Sistema de Seleção Unificada) vem como uma alternativa de ingresso ao ensino superior, usando as notas obtidas pelo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Por outro lado, o modelo já tradicional e que ainda é aplicado em diversas instituições é a entrada por meio do vestibular.

 

Sisu é alternativa de ingresso para boas universidades federais
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Com as iminentes mudanças que estão sendo estudadas e implementadas pelo governo federal, como o o projeto do novo ensino médio e a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), especialistas da área da Educação apontam que a tendência é de que a longo prazo o Sisu predomine quando o assunto for ingresso nas universidades.  "Seria uma forma de avaliar todos os estudantes do país em um único instrumento, e dar esse acesso ao curso de forma igualitária", contextualizou o professor Nilson Douglas Castilho, coordenador de ensino médio do Colégio Marista de Londrina.


Por serem diretamente ligadas ao governo, muitas universidades federais aboliram o vestibular como processo seletivo e oferecem todas as suas vagas por meio do Sisu. Diferentes delas, as universidades estaduais ainda oferecem certa resistência quanto a esse formato. "A gente percebe que a UEL, por exemplo, oferta vagas pelo Sisu apenas aos cursos menos concorridos. E ela tem seus motivos, seja por acreditar que o seu vestibular é uma forma de ingresso mais eficiente e que também gera faturamento para instituição, assim como um posicionamento político, não podemos esquecer disso", comentou Castilho.


Dados da Coordenadoria de Processos Seletivos (COPS) da UEL mostram que para o Vestibular 2021 foram ofertadas, no total 2.564 vagas em 54 cursos, sendo 587 delas pelo Sisu - em 47 cursos - o que representa 22,89%.


No entanto, o professor aponta que o Enem não deve ser deixado de lado em prol dos vestibulares de instituições de renome. Ele afirma que na prática, o Sistema de Seleção Unificada ainda é uma segunda opção atrás dos vestibulares, mas acredita que o aluno deva se dedicar às duas opções e ampliar seu leque de chances de entrar em alguma curso de graduação, já que o Sisu oferece três opções de curso.


Para uma mudança desse patamar, Castilho considera necessário uma concentração de esforços em cima da elaboração do Exame Nacional do Ensino Médio. "Falta uma cultura de valorização. Seja porque o curso escolhido não tem vaga pelo Sisu ou pela universidade ter o vestibular já estabelecido. Se a prova do Enem estiver calibrada, com a 'régua lá em cima', alto nível de complexidade, com conteúdos bem aplicados, principalmente na escola pública, a situação pode ser diferente, porque aí o Enem será um reflexo fiel do conteúdo ensinado dentro de sala de aula".


Sobre o futuro e a possível decisão de priorizar o Sisu como forma de ingresso ao ensino superior, o professor do Colégio Marista de Londrina projeta que o assunto será muito debatido. “Há um jogo de interesses. Com isso haverá muita discussão, seja no campo pedagógico ou no político. A tendência de concentrar as vagas (no Sisu) é forte, mas levará um tempo para que as universidades estaduais possam ceder quanto a isso. Vai depender do tipo de postura do Ministério da Educação quanto à destinação de verbas públicas, por exemplo”, finalizou.


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