Enem seriado 'conversa' melhor com o novo ensino médio

Ministério da Educação propõe dividir o exame em três anos, novidade que deverá impactar também no formato dos vestibulares

Edson Neves / Especial para a FOLHA
Edson Neves / Especial para a FOLHA

 

Enem seriado 'conversa' melhor com o novo ensino médio
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Dividir o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em três é uma proposta do Ministério da Educação que apenas foi ventilada e não foi colocada nem no papel. Porém, com as mudanças trazidas pelo novo ensino médio, não é de se imaginar que o Enem também possa sofrer alterações em seu formato.


Levando em consideração que a mudança no modelo do ensino médio busque apresentar as disciplinas em áreas do conhecimento e trabalhar em cima de eixos pedagógicos, a partir das primeiras discussões do Ministério da Educação, a prova do Enem seria realizada ao final de cada um dos anos letivos, com base naquilo que foi estudado somente durante aquele ano. Um Enem seriado, alternativa para solucionar o problemática de avaliar, em dois domingos, o conteúdo de três anos. 


Dentro do projeto de Enem seriado, a nota da prova seria calculada de acordo com o desempenho em cada uma das provas seriadas de cada ano, sendo composta pelos resultados das provas do primeiro, segundo e terceiro anos do ensino médio. Cada aluno, então, teria uma nota final que poderia ser usada para a entrada no ensino superior.


"A proposta de Enem seriado dá condições para que o aluno possa construir, aos poucos, seu projeto de vida, não precisando definir logo de cara a graduação que gostaria de cursar. Nos três anos do ensino médio, ele vai delimitando as áreas que o agrada", avaliou positivamente o professor Nilson Douglas Castilho, coordenador de ensino médio do Colégio Marista de Londrina.


Assim como a FOLHA trouxe na semana passada, português e matemática serão a dupla dinâmica no novo ensino médio, na formação geral básica, e deverão dar o "tom" das provas no formato de Enem seriado. Já as demais disciplinas no chamado "itinerário formativo", na qual cada escola vai elaborar, tomando como referência a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), ficarão sob responsabilidade de cada instituição.

"Será papel da escola, quando montar o currículo, destacar habilidades que podem ser trabalhadas nos três anos, para que o aluno tenha todo o ensino médio para desenvolvê-la", citou Castilho, ligando ao que é pedido pela Matriz de Referência do Enem, para minimizar o risco de o aluno ter na prova algum conteúdo que não foi ensinado.


Mudanças em larga escala

Conforme já informado pela FOLHA, as mudanças no ensino médio já estão carimbadas para acontecer, de maneira concreta, a partir de 2024. No Enem, nada certo. Porém, caso isso ocorra, seria necessário mudanças em outras frentes da educação para que se tenha uma unicidade.

"É positiva (a mudança) se houver essa unicidade. Enquanto grandes vestibulares usarem processos antigos, daqui a alguns anos poderá ser um problema, pois o aluno terá um currículo seriado, mais flexível, mas terá o vestibular em outro modelo. O Sisu também precisará passar por mudanças, senão haverá um descompasso muito grande. A própria matriz do Enem também seria alvo de mudança", alertou o professor.


Castilho porém faz suas ressalvas quanto ao processo de atualização dos formatos de processos seletivos e avaliações. "Deverá haver uma intervenção nas instituições, mas não de forma autoritária e politizada", afirmou. 


Ainda em um período de incertezas, o professor orienta a todos terem prudência. "Sejam as escolas, para ter equilíbrio nessa transição, e os alunos, em confiar nas decisões das escolas. Como o martelo sobre mudanças no Enem não foi batido, os esforços devem se concentrar no atual formato. O foco é no hoje", concluiu.


Confira o Caderno 14 do Folha Enem com dicas de atividades para desenvolver habilidades que o ajudarão na produção da redação para o Enem



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