FOLHA ENEM 2020 - CIÊNCIAS HUMANAS - Caderno 12
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de dezembro de 2020
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1. (Colégio Marista)
A Filosofia da Libertação rompe com a racionalidade moderna (essa racionalidade do simples e do claro), pois propõe assumir um logos histórico que seja capaz de responsabilizar-se pela realidade através da práxis histórica. No entanto, não renuncia à busca dos “valores modernos” da igualdade e da liberdade, mas considera que ambos os valores devem fazer parte de um processo de libertação, devem conduzir à justiça social e dar prioridade à solidariedade humana, a qual tem seu fundamento na respectividade estrutural da pessoa com os demais seres humanos e o mundo na busca da produção e reprodução da vida [6]. Além disso, o lugar epistemológico de verificação que propõe é constituído pela realidade em que vivem as grandes maiorias da humanidade, ou seja, os pobres e oprimidos, as vítimas do sistema, que foram os principais perdedores da Modernidade capitalista. Por isso, a Filosofia da Libertação não pode permanecer na criação de fundamentos fracos de direitos humanos, mas deve construir fundamentos fortes com a finalidade de outorgar instâncias críticas em benefício das vítimas; com fundamentos fracos beneficiam-se mais as estruturas que faticamente oprimem e empobrecem, do que aqueles a quem são negadas as condições de vida digna.
A Filosofia da Libertação é uma variante filosófica baseada na Pedagogia e na Teologia da Libertação. Sua função crítica está expressa na tarefa de
a) Subverter o paradigma epistemológico moderno, assim como seus valores e seu horizonte de expectativas.
b) Buscar um fundamento exato para as práticas de reprodução material da vida nas sociedades capitalistas.
c) Abandonar valores como liberdade e igualdade enquanto guias dos processos de emancipação social.
d) Fornecer modelo de análise das sociedades capitalista contemporâneas do ponto de vista dos oprimidos.
e) Reaproximar o homem dos demais seres do planeta pela instituição de uma justiça social transumana.
2. (Colégio Marista)
O mundo está a mudar rapidamente. O novo paradigma da conectividade está a alterar o funcionamento da economia, as cadeias de produção industrial, de transporte e abastecimento, as plataformas logísticas, o comércio e os modos de criação de riqueza. A globalização está a fazer-se através do espaço digital e do mar. Mais de 90% do comércio mundial faz-se hoje através do mar. 40% do PIB mundial depende do fluxo de bens, serviços e capital e na próxima década vai chegar aos 75%. A digitalização da economia, a revolução da inteligência artificial e da robótica, abrem novas oportunidades [...]
Disponível em: https://www.publico.pt/2018/11/23/economia/opiniao/portugal-pais-procura-bussola-1851602
O texto traça um panorama das características e das necessidades do mercado mundial da atualidade. Portugal, por causa de sua localização, pode ser privilegiado no contexto das relações econômicas globalizadas, uma vez que
a) É via de acesso da Europa para o Oceano Atlântico.
b) Está posicionado em uma região central da Europa.
c) Sua rede hídrica integra a Europa ao norte da Ásia.
d) Conecta a Europa ao sul da Ásia pelo Mediterrâneo.
e) Conecta a Europa ao oceano Índico e ao Mar do Norte.
3. (Colégio Marista)
[...]
Após a independência, a produção literária esteve em parte articulada aos esforços da construção de uma identidade brasileira. A constituição de uma nação e de um Estado, a partir da independência, trazia consigo o desafio de criar um sentimento de pertencimento à comunidade nacional que unificasse uma população extremamente heterogênea. [...]
DOLHNIKOFF. Miriam. História do Brasil Império. São Paulo: Contexto, 2017, p. 69.
De acordo com o texto, após a independência do Brasil, nota-se que houve:
a) A negação de um sentimento de pertencimento à comunidade brasileira, presente no período em que o Brasil era colônia de Portugal.
b) O resgate de símbolos portugueses do período colonial a fim de criar uma identidade nacional após a independência.
c) O reforço de uma identidade nacional, baseada em símbolos, valores e costumes que já estavam assimilados antes da independência.
d) O resgate da literatura nacional anterior ao processo de independência, que reforçou a nacionalidade do povo brasileiro.
e) O esforço para a constituição de uma literatura nacional como elemento agregador e criador de uma identidade nacional.
4. (Colégio Marista)
"O jornalismo está sendo destruído pela internet, e isso nos leva a um futuro incerto e muito perigoso." Esta é a visão do psicólogo Robert Epstein, doutor pela Universidade de Harvard que se dedica a estudar a atuação nas redes sociais das gigantes de tecnologia e defende uma interferência direta nessas empresas.
Segundo ele, as pessoas não têm mais como discernir o verdadeiro do falso, porque "a informação vem de todos os lados, sem os filtros, que eram os processos de apuração do jornalismo". "Um impacto como esse (das redes sociais) jamais existiu na história humana."
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-46107995
A disseminação de informações vem passando por grandes mudanças com o desenvolvimento tecnológico das últimas décadas, sobretudo a partir do final do século XX. Ao analisar as redes sociais, o psicólogo entrevistado chegou à conclusão de que tal cenário pode ser prejudicial às pessoas por conta
a) De o controle das empresas jornalísticas ter passado para as gigantes da tecnologia digital.
b) Da diminuição do poder de escolha das pessoas sobre qual será a sua fonte de informação.
c) Do aumento da possibilidade de propagação de informações sem a verificação de sua veracidade.
d) De a pulverização de fontes de informação de elevar o protagonismo de grandes empresas jornalísticas.
e) De a velocidade na disponibilização de conteúdo pela interne ser maior que a dos veículos de jornalismo.
5. (Colégio Marista)
O cidadão norte-americano desperta num leitor construído segundo padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão cuja planta se tornou doméstica na Índia. No restaurante, toda uma série de elementos tomada de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Lê notícias do dia impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha.
LINTON, R. O homem: uma introdução à antropologia. São Paulo: Martins, 1959.
A situação descrita é um exemplo de como os costumes resultam da
a) Assimilação de valores exóticos.
b) Experimentação de hábito sociais variados.
c) Recuperação de heranças da Antiguidade Clássica.
d) Fusão de elementos de tradições culturais diferentes.
e) Valorização de comportamento de grupos privilegiados.
6. (Colégio Marista)
Segundo convenções internacionais, a poluição dos oceanos é a introdução, pelo homem, de substâncias que provoquem, direta ou indiretamente, danos à vida marinha, ameacem a saúde humana ou comprometam a atividade pesqueira. Os principais poluentes do meio marinho são o esgoto doméstico, petróleo e seus derivados, metais pesados, substâncias organocloradas e o lixo.
Disponível em https://educacao.uol.com.br/disciplinas/biologia/poluicao-das-aguas-esgoto-petroleo-e-metais-pesados-ameacam-aguas.htm
Em sua relação com a natureza, a sociedade gera uma série de impactos ambientais sérios; nesse contexto, o ser humano
a) Tem tomado as providências possíveis para garantir a sobrevivência da fauna e da flora marinhas.
b) Tem contribuído, com estudos genéticos, para a reinserção de espécies marinhas que até então existiam apenas em cativeiro.
c) Tem contribuído para a poluição dos oceanos; em contrapartida, a fauna e a flora marinhas se adaptaram à poluição e desenvolveram a capacidade de sobreviver nesse meio.
d) Tem contribuído para a degradação dos ambientes marinhos com pouca ou nenhuma política de preservação e conservação efetiva, prejudicando, assim, a fauna e a flora oceânicas em escala mundial.
e) Influencia de modo insignificante a vida marinha, pois os impactos das atividades antrópicas recaem majoritariamente sobre as áreas e águas continentais.
7. (Colégio Marista)
[...]
Ao estudar a economia mundial em 1889 [...] um ilustre especialista americano observou que ela se caracterizava, desde 1873, por “agitação sem precedentes e depressão do comércio”. “Sua peculiaridade mais digna de nota”, escreveu ele, “foi sua universalidade; afetando tanto nações que se envolveram em guerras como as que mantiveram a paz; as que têm um moeda estável com padrão ouro como as que têm uma moeda instável...; as que vivem num sistema de livre-comércio de matérias-primas e aquelas onde há restrições comerciais, maiores ou menores. [...] “.
HOBSBAWN. Eric. J. A era dos impérios. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988, p. 37,
A crise econômica dos anos 1870, pelas características que o trecho apresenta, demonstra que o sistema capitalista possuía desde aquela época uma
a) Tendência a apresentar resultados gerais e constantes de crescimento econômico.
b) Tendência geral à fragmentação e ao isolamento dos países e regiões dentro do sistema.
c) Abrangência ilimitada, com desempenhos locais diferentes durante momentos de crise.
d) Tendência a poupar os países centrais e desenvolvidos das crises econômicas cíclicas.
e) Tendência à universalização, na qual os países são economicamente independentes.
8. (Colégio Marista)
Na história da África jamais se sucederam tantas e tão rápidas mudanças como durante o período de 1880 e 1935.
Até 1880, apenas parte limitada da África era governada diretamente por europeus. Seus próprios soberanos e chefes de linhagem estavam no controle de sua independência e soberania. Mas em 1914, com a única exceção da Etiópia e da Libéria, a África inteira viu-se dividida em colônias e submetida a dominação de potências europeias. Em outras palavras, no período de 1880 a 1935, a África teve de enfrentar um desafio particularmente ameaçador: o desafio do colonialismo.
SILVÉRIO. Valter Roberto. Síntese da coleção História Geral na África. Brasília: UNESCO, MEC, UFSCar, 2013, p. 339.
A ocupação da África pelos europeus, no período retratado pelo texto, teve como causa e consequência respectivamente,
a) Suprir as necessidades europeias por matéria–prima industrial e o desenvolvimento de uma Revolução Industrial no continente africano.
b) A expansão marítima empreendida por portugueses e espanhóis e o surgimento de uma rede internacional de comércio de escravos.
c) O desenvolvimento industrial europeu e a aglomeração de diversas etnias diferentes sob o comando de uma única potência industrial.
d) A necessidade de expansão da fé católica durante a Contrarreforma e o processo de catequização compulsório dos nativos.
e) A busca por matéria-prima após a Segunda Revolução Industrial e a expansão da cultura africana pelo mundo europeu.
9. (Colégio Marista)
A causa mais urgente para os índios hoje é, com certeza, a questão territorial. Um terço das terras indígenas do Brasil ainda não foi demarcado, e as que foram estão ameaçadas, seja pelas atividades mineradora e madeireira ou pelas hidrelétricas.
O Brasil adotou um modelo de desenvolvimento que não contempla os povos indígenas, vistos como empecilho. Passam por cima dos nossos direitos, e o Brasil é cobrado lá fora por isso.
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/09/140908_jovens_indigenas_salasocial_pai
O texto refere-se à fala de um indígena formado em Direito e atuante na defesa de sua comunidade e que ilustra a situação atual das disputas territoriais indígenas no Brasil, pois demonstra que
a) A judicialização da questão territorial indígena não inclui os movimentos sociais dos próprios indígenas.
b) A luta indígena pela demarcação de terras também se dá no campo do Direito e na disputa em trono da elaboração de leis.
c) As reivindicações dos povos indígenas vêm sendo sistematicamente atendidas pelo governo federal.
d) A interferência das obras de infraestrutura do governo em territórios demarcados indígenas não viola os direitos legais indígenas.
e) Diante da ausência de outras formas de organização, o Direito surge como o primeiro movimento de reivindicação dos indígenas.
10. (Colégio Marista)

O cartaz fez parte da campanha de guerra do Reino Unido na Primeira Guerra Mundial. Dentro do contexto do conflito, seu propósito era
a) Atribuir a vitória do Reino Unido na guerra à qualidade excepcional de sua indústria alimentícia.
b) Reduzir a desconfiança do povo britânico quanto ao risco de haver falta de comida em função da guerra.
c) Valorizar a estratégia britânica de enfraquecer o inimigo por meio do corte de suas linhas de suprimentos.
d) Enfatizar a necessidade de colaboração da população britânica para a manutenção dos recursos usados na guerra.
e) Criar uma imagem do soldado britânico como alguém mais eficiente e equipado do que os adversários que enfrentava.
11. (Colégio Marista)

O protecionismo econômico ganhou os noticiários com a eleição de Donald Trump; o México está entre os países mais citados pelo presidente quando o assunto é colocado em pauta. As relações econômicas entre os dois países são antigas e as celebradas atualmente pelo Nafta. A análise dessa relação evidencia que o México
a) Possui pouca dependência em relação aos EUA, pois há uma distância física considerável entre os dois países.
b) Mesmo muito próximo aos EUA, não possui importantes laços financeiros com esse país.
c) Possui uma economia voltada para os parceiros latino-americanos, não priorizando, portanto, a relação com os demais países norte-americanos.
d) Cresceu muito nos últimos anos, em conjunto com outros países emergentes e esse quadro inverteu o posicionamento econômico do México em relação aos EUA.
e) Ao fazer fronteira note com os EUA, tem facilitado as relações, trocas e fluxos com esse país, porém o fluxo de pessoas ainda é uma questão problemática, especialmente após a vitória de Trump.
12. (Colégio Marista)

As propriedades familiares no Brasil são muito importantes para o abastecimento alimentar interno. O Censo Agropecuário de 2006 revelou que a
a) Agricultura familiar ocupava a maior parcela dos espaços rurais com 84% dos estabelecimentos.
b) Agricultura familiar formava a maior parcela dos estabelecimentos, na menor parcela da área ocupada.
c) Agricultura família registrava elevada produtividade e empregava cerca de 74% dos trabalhadores.
d) Agricultura não familiar ainda era a mais lucrativa, mesmo ocupando a menor parcela do meio rural.
e) Agricultura não familiar empregava poucos trabalhadores, porque apresentava baixa produtividade.
13. (Colégio Marista)

O Brasil possui uma matriz energética variada, especialmente em relação à geração elétrica. No que diz respeito a esse tipo de energia, os dados acima evidenciam que
a) Houve queda no peso absoluto das fontes não renováveis.
b) Fontes alternativas (solar e eólica) predominam na geração.
c) Há forte dependência em relação aos combustíveis fósseis.
d) Fontes não renováveis cresceram de modo notável na matriz.
e) Houve aumento relacionado às fontes alterativas na matriz.
14. (Colégio Marista)
Trata-se de compreender que a revolução é, inicialmente, processo de destituição da própria noção de agenda que até então imperou. Antes de ser uma açamou um conjunto coordenado de ações, uma revolução é a destituição de certa agência, ela é o abandono de certa ideia de ação, e, assim, o fim de certo conceito de sujeito. Por isso, toda revolução é o campo de emergência de uma força até então impossível de existir e de uma subjetividade até então impredicada. É por não saber mais o que tal reinstauração da noção de força pode significar que a contemporaneidade abandonou a noção de revolução e, em seu lugar, o populismo se tornou, entre nós, o único modo de pensar a emergência política de processos anti-institucionais capazes de constituir novas sujeitos.
Disponível em: https://circuito.ubueditora.com.br/forca-da-revolucao/
A revolução é um conceito central da filosofia política desde o advento da modernidade histórica. Para o filósofo brasileiro Vladmir Safatale, a importância desse conceito atualmente reside
a) Na superação política do atual governo pela implementação de um governo oposto a ele.
b) Na emergência de subjetividades conservadoras em reação a todo movimento de revolta.
c) Na sua capacidade de destituir nossas formas atuais de ação em prol de novos modelos.
d) Na dimensão de inventividade estética que acompanha todo processo de instauração política.
e) Na interrupção de procedimentos que emancipam e produzem novos atores políticos.
*Questões selecionadas e disponibilizadas pelos professores do Colégio Marista de Londrina.


