Ibiporã promete campanha eleitoral acirrada para a prefeitura
Candidato tucano entra na disputa nas eleições no município marcada pela polarização há décadas
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quarta-feira, 16 de setembro de 2020
Candidato tucano entra na disputa nas eleições no município marcada pela polarização há décadas
Guilherme Marconi - Grupo Folha 
A disputa para a Prefeitura de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) foi marcada pela polarização nas duas últimas décadas e neste ano as convenções revelaram poucas surpresas, com dois grupos tradicionais no cenário local: o atual prefeito, João Coloniezi (MDB), e o ex-prefeito José Maria Ferreira (PSD).
Os dois grupos políticos já travaram disputa nas eleições passadas numa campanha polarizada, com apenas dois candidatos. Em 2016, o atual prefeito venceu a então vice-prefeita Sandra Moya (PSD). Coloniezi obteve 57,91% dos votos válidos contra 42,09%, uma diferença 4447 votos. Antigos correligionários do MDB, Zé Maria e Coloniezi romperam após falta de consenso, já que Ferreira defendeu apoio à vice e o MDB lançou candidatura própria. Nas eleições de 2008 e 2012, José Maria Ferreira foi eleito e reeleito também em eleições com votos concentrados em dois grupos políticos.

Para tentar a reeleição, Coloniezi diz apostar nas obras executadas como trunfo. "Fiz uma gestão de integração com a mesma atenção para todos os bairros, com recuperação da malha asfáltica, na reforma de praças, parques e escolas e melhoria da qualidade de vida do servidor, são questões que alavancam minha candidatura" afirma o prefeito, que escapou de uma Comissão Processante na Câmara nesta semana.
O emedebista destaca ainda que o período de pós-pandemia será um desafio para todos os prefeitos. "Teremos que lidar com queda na arrecadação, com aumento de despesas. Mas teremos que manter as pessoas vivas e com dignidade, garantir renda. Toda a assistência pesa muito no orçamento. Mas a vantagem é que as contas em Ibiporã estão em dia, equilibradas", afirma.
Apesar de outros candidatos na disputa, Coloniezi acredita numa eleição polarizada: "São duas gestões com suas peculiaridades e o eleitor poderá comparar". Para o pleito, o candidato busca novos aliados e o ex-presidente da Câmara de Ibiporã Toninho Kabeção (PTB) é cotado a ser o vice-candidato. Entretanto, poucos dias antes, o ex-vereador havia se lançado pré-candidato a prefeito. "Estamos num namoro", revela. Outras oito siglas devem compor a coligação, entre elas PSL, CDN, Pros e Solidariedade.
João Coloniezi, 61 anos, é bancário e ex-vereador em Ibiporã por cinco mandatos consecutivos (1993-2012).

Já Zé Maria tenta assumir o quarto mandato de prefeito e diz que o retorno é fruto do chamamento da população. Ele ocupava desde janeiro de 2019 o cargo de diretor da Fundepar, órgão ligado à Secretaria de Educação no governo Ratinho Junior (PSD), mas saiu em abril para disputa e terá apoio do PP, Podemos, Republicanos, PL, PV e PSB. Ele terá como vice a vereadora Mari de Sá (PP).
O ex-prefeito diz que uma marca da sua gestão foi o fortalecimento da economia, na geração de emprego e recursos tributários. "A sociedade vai sair mais pobre dessa pandemia e vai precisar do poder público de uma visão coletiva e um dos focos da minha gestão é o desenvolvimentismo".
Questionado sobre o momento político após arquivamento de uma Comissão Processante contra seu principal adversário, Ferreira diz que o fato não foi expressivo "para sobrepujar a vontade popular". Segundo ele, foram manifestações isoladas de interesse pessoal. "A disputa eleitoral é uma realidade. O que vai valer é aquilo que a sociedade vai colocar nas urnas no dia 15 de novembro. Não vou fazer referência à situação, vou pregar propostas, propostas e propostas", afirma.
Leia Mais: Câmara de Ibiporã arquiva CP contra Coloniezi
Formado em administração pela UEL, Zé Maria, 69 anos, entrou na vida pública em 1976, quando se elegeu vereador e foi presidente da Câmara de Ibiporã. Em 1988 foi prefeito da cidade pela primeira vez e deputado estadual por três mandatos.
TERCEIRA VIA

Oficializado em convenção do PSDB no último fim de semana, Luiz Henrique Gregui, 37 anos, se coloca como uma alternativa ao ibiporaense. "Há mais de 25 anos a cidade tem as mesmas lideranças. Queremos mudar essa alternância de poder que fica entre o grupo A ou B. É possível sim ter uma terceira via e nós queremos mostrar isso à população", afirma, ao citar as duas siglas que devem compor com ele: Democratas e PDT.
Formado em Marketing e Propaganda pela Unopar e pós-graduado em planejamento estratégico na PUC-PR, Gregui atuou como membro da equipe da secretaria estadual da Fazenda e assessor parlamentar do ex-deputado federal Luis Carlos Hauly entre 2011 à 2018. A FOLHA não conseguiu contato com Toninho Kabeção.


