ELEIÇÕES 2020 -

Deputados candidatos fracassam nas eleições municipais

Mabel Canto (PSC) é a única parlamentar ainda com chance de reverter o fraco desempenho de deputados nas urnas

Guilherme Marconi - Grupo Folha
Guilherme Marconi - Grupo Folha

Dos sete deputados estaduais que disputaram as eleições municipais, a única com chances reais ainda de conquistar uma prefeitura é Mabel Canto (PSC), em Ponta Grossa (Campos Gerais). Ela estará no segundo turno no próximo domingo (29) em disputa com a professora Elizabeth Schmidt (PSD). Os demais seis membros da AL (Assembleia Legislativa) perderam no primeiro turno: Goura (PDT) e Fernando Francischini (PSL) em Curitiba; Tiago Amaral (PSB) em Londrina; Homero Marchese (Pros) e Dr. Batista (DEM) em Maringá (Noroeste), além de Marcio Pacheco (PDT) em Cascavel (Oeste). (Veja Gráfico). Houve ainda o deputado estadual Boca Aberta Junior (Pros) como candidato à vice-prefeito de Londrina. 


 

Deputados candidatos fracassam nas eleições municipais
Daliê Felberg/Alep
 


Em 2020, três deputados federais também pretendiam deixar a cadeira no Congresso para conquistar o cargo no Executivo municipal e também fracassaram. Em Londrina, Boca Aberta (Pros) ficou em segundo, e em Curitiba, Christiane Yared (PL) terminou em quinto lugar. O ex-árbitro de futebol e deputado federal Evandro Roman (Patriotas) igualmente não teve um bom desempenho nas urnas em Cascavel, ficando apenas em quarto lugar.


 

Deputados candidatos fracassam nas eleições municipais
Daliê Felberg/Alep
 


Diante da larga vantagem dos atuais prefeitos nas pesquisas prévias, outros deputados federais cogitaram entrar na disputa, mas desistiram. Entre eles estão Filipe Barros (PSL) e Diego Garcia (Pode) em Londrina; Luciano Ducci (PSB), Gustavo Fruet (PDT) e  Ney Leprevost (PSD) em Curitiba, entre outros nomes que chegaram a ser pré-candidatos. 


 

Deputados candidatos fracassam nas eleições municipais
Folha Arte
 



ANÁLISE

Para o cientista político e professor da PUC-PR Eduardo Soncini, o contexto da pandemia do novo coronavírus restringiu muito a atuação dos demais candidatos, que não puderam fazer a tradicional campanha de rua. Ele também destaca que houve mais uma valorização da política real em detrimento do debate ideológico promovido em 2018. "O debate ideológico que elegeu muitos deputados praticamente não apareceu. Houve uma valorização dos políticos reais, muitos deles experientes, muitos já testados. Os prefeitos que tiveram o discurso mais científico tiveram mais sucesso."  


Ele também enxerga que há ainda um menor interesse da população em geral pelo trabalho do Legislativo, o que pode influenciar o desempenho menor dos deputados na disputa majoritária. "A cultura política brasileira, em geral, valoriza mais o trabalho do Executivo, o que é compreensível. Mas ao mesmo tempo é falho, porque muitas das decisões que partem do Legislativo têm mais impacto no nosso dia a dia até mesmo que políticas públicas adotadas pelo Executivo. No caso do Congresso, na pandemia, vimos que o papel foi fundamental para o valor do auxílio emergencial. Até o debate do Fundeb (Fundo Educação Básica) também teve um papel do parlamento." 


Por outro lado, o professor frisa que não dá para afirmar que o desempenho aquém do esperado dos deputados estaria ligado à falta de atenção dos eleitores pelo trabalho no Legislativo. "Acho que o mau rendimento dos representantes também passa por especificidades do debate local. Além disso, todos optaram por se lançar nos seis maiores colégios eleitorais onde a concorrência é maior. Ou seja, são prefeituras com mais recursos tributários. Os deputados, é claro, não têm interesse de disputar pequenas prefeituras."  


PANDEMIA


Já o deputado estadual Homero Marchese (Pros), segundo locado em Maringá, avalia que a pandemia monopolizou o noticiário e prejudicou os demais candidatos. "Essas eleições foram eleições de medo das pessoas de mudar. Não houve debate pelo alto número de candidatos". Já sobre o desempenho dos deputados, Marchese não considera que há desinteresse nos temas abordados na Assembleia. "Eu acredito que este ano o protagonismo foi dos prefeitos mesmo que foram beneficiados", ressalta o parlamentar sobre a exposição midiática. 


BOLSONARISMO


O deputado Francischini, que ficou em terceiro no primeiro turno em Curitiba com 52.340 votos, dois anos antes tinha sido o parlamentar mais votado da AL. O discurso "bolsonarista" do delegado licenciado da Polícia Federal em  2018 lhe rendeu 427.742 votos e, de quebra, carregou mais sete parlamentares, fazendo do PSL a maior bancada na Assembleia Legislativa a partir de 2019. "Tivemos as desistências do Filipe Barros em Londrina e Ricardo Arruda em Curitiba, diante até mesmo do fraco desempenho de Francischini nas pesquisas prévias. Neste ano houve uma queda de políticos que colaram no 'bolsonarismo", avalia o cientista político. 

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