Cenário único no País, Ponta Grossa tem segundo turno disputado por mulheres

A atual Elizabeth Schmidt e a Mabel Canto se enfrentam nas urnas para ser a primeira prefeita da cidade

Pedro Moraes - Grupo Folha
Pedro Moraes - Grupo Folha

A disputa pela prefeitura de Ponta Grossa (Campos Gerais) ganhou dimensões nacionais graças à configuração do segundo turno das eleições. A cidade é a única no País em que o pleito será decidido no próximo domingo (29) entre duas mulheres. De um lado está a deputada estadual Mabel Canto (PSC), que passou pelo primeiro turno como a mais votada, com 37,27%, do outro a atual vice-prefeita, a professora Elizabeth Schmidt (PSD), que obteve resultado de 31,15%. “Acredito que a competência não se mede pelo gênero e o ponta-grossense percebeu nesta eleição que as mulheres também podem ser boas gestoras. O resultado do segundo turno mostra que a população se dividiu principalmente entre dois projetos de governo”, afirma Schmidt. A deputada ressalta seu feito no primeiro turno. “O resultado nas urnas demonstrou que Ponta Grossa quer uma prefeita corajosa e transparente, com sensibilidade para administrar. É uma honra ser a mulher mais votada da história da cidade por todo o trabalho que tenho feito pelas mulheres enquanto deputada”, diz Canto.


 

Elizabeth Schmidt (PSD) é a atual vice-prefeita da cidade
Elizabeth Schmidt (PSD) é a atual vice-prefeita da cidade | Divulgação
 


Apesar de o município dos Campos Gerais estar fazendo história escolhendo a sua primeira prefeita, ambas as candidatas são ligadas a nomes já conhecidos na cidade. Mabel Canto é filha do ex-prefeito e ex-deputado estadual Jocelito Canto. Sua concorrente, Elizabeth Schmidt, não só representa o atual prefeito, Marcelo Rangel (PSDB), como tem o apoio direto do principal nome de seu partido no Estado, o governador Ratinho Junior. “O apoio do Marcelo Rangel é importante porque a transformação que nossa cidade passou nos últimos anos é inegável. Mas eu serei a prefeita, renovarei o secretariado e desenvolverei novos projetos e ações”, ressalta. Já a deputada segue firme no contato com a população, feito em viagens em jipe sem capota. “A estratégia será de manter a conversa com a população nos bairros e com as lideranças de nossa cidade. Conquistamos o primeiro lugar nas urnas no primeiro turno e queremos atrair mais pessoas para o nosso projeto”, afirma à FOLHA.


 

Atual deputa estadual, Mabel Canto (PSC) é filha de ex-prefeito na cidade
Atual deputa estadual, Mabel Canto (PSC) é filha de ex-prefeito na cidade | Orlando Kissner/Alep
 


CAMINHOS

O único município paranaense que não teve o resultado das eleições decidido em primeiro turno vive a reta final das campanhas nas ruas e ambas as candidatas já planejam as primeiras ações caso sejam eleitas. Mabel Canto defende que a cidade adote medidas de austeridade para enfrentar a crise. “Será preciso uma prefeita com responsabilidade. Capaz de cortar os gastos e investir no que é prioridade”, explica a deputada, que apresenta em sua campanha a prestação de contas de doações que faz de metade de seu salário da Assembleia Legislativa. A continuidade de projetos já em curso será o foco da atual vice-prefeita. “Quero trabalhar em ações nos bairros, dar prosseguimento ao programa de pavimentação, realizar as adequações necessárias para que os cinco superpostos de saúde estejam com atendimento ampliado. Essas são minhas principais metas nos primeiros 100 dias de trabalho”, afirma.


BANDEIRAS

Já em suas campanhas eleitorais nas redes sociais, as duas candidatas apresentam suas principais bandeiras de trabalho. A deputada Mabel Canto ataca diretamente a atual situação da saúde e apresenta um trabalho próximo às mulheres. “Temos filas de espera em diversas especialidades médicas e milhares de pessoas esperando por exames e consultas. Por isso, a saúde será um grande desafio para a nova gestão. Para zerar filas em alguns atendimentos, faremos força-tarefa com mutirões. Vamos criar o programa pré-natal adequado que vai dar prioridades para as gestantes”, adianta Canto, que defende transformar o Hospital Municipal em referência em especialidades e criar quatro policlínicas. A economia com grande foco na industrialização é o mote da campanha de Schmidt. Ela afirma que Ponta Grossa vive hoje o reflexo de um processo iniciado em 2013, com atração e ampliação de 45 empresas. “Vamos consolidar o Distrito Industrial Norte e atrair empresas satélites, que produzem os insumos para a produção local. Com o Porto Seco, somado ao retorno dos voos comerciais e investimentos na infraestrutura do aeroporto”, promete.

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