Candidatos querem mudar retrospecto negativo na política de Rolândia
Os cinco concorrentes citam como um dos compromissos apagar a imagem ruim deixada por gestões investigadas por corrupção
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de setembro de 2020
Os cinco concorrentes citam como um dos compromissos apagar a imagem ruim deixada por gestões investigadas por corrupção
Guilherme Marconi - Grupo Folha 
Com história recente de escândalos envolvendo agentes públicos e prefeitos, Rolândia (Região Metropolitana de Londrina) terá um cenário com cinco nomes que nunca disputaram o cargo de prefeito na corrida eleitoral nas eleições 2020. Todos os postulantes citaram o "resgate ético" como uma das principais bandeiras nesta campanha.

A ideia, segundo os próprios postulantes, é reviver novos tempos na política local. Isso porque nos últimos cinco anos, entre os fatos mais marcantes estão o afastamento do atual prefeito, Doutor Francisconi (PSDB) - que por determinação da Justiça precisou deixar o cargo por cinco meses para se defender de acusação do Ministério Público por suposta corrupção e falsificação de contratos; já em 2015, o então prefeito Johnny Lemann (PTB) - morto em março de 2018 por consequência de um câncer - teve o mandato cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Neste ínterim a cidade foi administrada por dois presidentes da Câmara e passou por uma eleição fora de época em dezembro de 2015. Ambos negaram as acusações do MP.
COMUNIDADE
O atual presidente da Câmara Municipal, Alex Santana (PSD), diz que a maneira de mudar a ótica do eleitorado rolandense em relação à política está numa gestão voltada à comunidade. "No nosso plano de governo estabelecemos três pilares: gestão participativa; melhorias na saúde e geração de emprego", afirma o candidato, que terá como vice o também vereador João Ardigo (PP). Ele critica as últimas gestões que ficam presas à política tradicional de gabinete. "Ano que vem será de fechar torneira, fazer muito com pouco, quero diminuir cargos comissionados", cita.
Formado em tecnologia de processamento de dados, Alex Santana, 40 anos, é empresário. Foi eleito vereador em 2012, sendo reeleito em 2016. Ele assumiu pela segunda vez a presidência da Casa em abril de 2019, após o então presidente, vereador Eugênio Serpeloni, também do PSD, que teve um vídeo íntimo vazado e que acabou compartilhado nas redes sociais. Santos votou pela cassação do mandato do atual prefeito, mas a denúncia contra Francisconi foi arquivada na Casa.
GESTÃO
O candidato do PSL e ex-vice prefeito de Rolândia Airton Maístro diz que a motivação para retornar à vida pública está em implantar uma gestão técnica. "Falta de responsabilidade com bem público. Tem que administrar para cidade, não para grupos". Sobre administrar a cidade sob efeitos econômicos da pandemia, Maístro afirma que é possível. "Nós que somos empresários já passamos por muitas crises. Tem saber administrar. Por isso que tem que ser administrador". Ele também diz que irá enxugar o número de secretarias e cargos comissionados. "Não tenho compromisso com cargos e indicarei técnicos."
Airton Maístro, 69 anos, é empresário e foi por duas vezes presidente da Acir (Associação Comercial de Rolândia) em gestões na década de 1990. Em 2000 foi eleito vice-prefeito na chapa de Eurides Moura (PSDB), sendo reeleito em 2004. Agora, como cabeça de chapa, terá como vice o comerciante Marcio Vinicius Gonçalves (PSL).
RESGATE
Sem experiência em cargos políticos, o delegado da polícia federal Fernando de Lara (Podemos) afirma que a maior motivação para colocar o nome na disputa está em resgatar a competência na gestão: "Tamanha foi essa incompetência que deixaram as postas abertas para a corrupção. Os últimos cinco prefeitos tiveram problemas sérios com a Justiça e a cidade ficou largada às moscas", critica. Delegado Fernando Lara diz que a imagem de Rolândia precisa ser elevada também na questão de infraestrutura. "Tivemos também obras mal feitas, mal planejadas, recursos perdidos, como é o caso dos armazéns do IBC (Instituto Brasileiro do Café)."
Funcionário público há 42 anos, Fernando Faria de Lara, 60 anos, é delegado da Policia Federal e ex-capitão da Policia Militar do Paraná, com experiência em gestão na segurança. Na vida pública, o candidato do Podemos disputa pela primeira vez um cargo eletivo. A vice candidata pelo partido é a funcionária da Caixa Econômica Regina Celia Cabral.

EX-VEREADORES
Outros dois ex-vereadores também travam a preferência do eleitorado rolandense. É o caso do comerciante e bacharel em ciências políticas Paulo Renato Sartori, 46 anos, que foi vereador entre 2009 e 2012 e secretario parlamentar da Câmara de Deputados. O vice é José de Paula, do MDB.
Também disputa o cargo Executivo pela primeira vez Milton Alves, 70 anos - conhecido como Miltinho. Ele é o candidato do PROS (Partido Republicano da Ordem Social). Atua no ramo da construção civil e na vida pública foi vereador por dois mandatos consecutivos (2001 a 2008) e secretário de Infraestrutura em 2015. O vice-candidato é Geraldo Moço, do mesmo partido. A FOLHA não conseguiu contato com Sartori e Alves para entrevistas nesta quarta-feira.


