Câmara de Londrina terá 13 novos vereadores

Renovação foi de 68,4% das 19 cadeiras; Legislativo bate recorde de representação feminina com sete vereadoras eleitas

Guilherme Marconi - Grupo Folha
Guilherme Marconi - Grupo Folha

A próxima Legislatura (2021-2024) tem 13 novos vereadores na Câmara Municipal de Londrina, o que representa uma renovação de 68,4% das 19 cadeiras. O número mostra que a renovação é superior ao resultado de 2016, quando oito vereadores foram reeleitos índice de 57%. 


Mara Boca Aberta foi a vereadora mais votada da cidade
Mara Boca Aberta foi a vereadora mais votada da cidade | Isaac Fontana/Framephoto/Folhapress
 



Sete mulheres foram eleitas para exercer o cargo, a maior representação feminina da história do legislativo londrinense, ou 36,84% das vagas. Marly de Fátima Ribeiro,  a esposa do deputado federal Boca Aberta (Pros), foi a vereadora mais votada neste domingo  com 6.192 votos. "A expectativa é a melhor possível. A gente vai voltar à Câmara sempre na defesa do povo e povo vai voltar a ter vez e voz", disse ao repetir o lema da campanha em entrevista ao lado do marido, que também foi o segundo colocado na corrida pela Prefeitura. Boca Aberta já tinha sido o vereador mais votado da história da Câmara Municipal com 11.480 votos em 2016 e foi o vereador mais votado do Paraná. 


Também foram eleitas a professora de português Flavia Cabral (PTB), a professora de educação física e apresentadora de TV Lu Oliveira (PL), a vereadora Daniele Ziober (PP), a assessora parlamentar Jessicão (PP), a ex-vereadora Lenir de Assis (PT) e a ex-superintendente da Acesf, Sonia Gimenez (PSB).


Entre os cinco vereadores reeleitos está  Ziober (PP),  que recebeu mais votos: 3.770. Ela foi puxada pela  sua principal bandeira: a causa animal. "Foram inúmeros projetos que surtiram efeito. A presença do Castramóvel, que lutei e queremos ter ao menos 3. O debate sobre criação da diretoria de bem-estar animal na Sema (secretaria municipal do Ambiente) e o projeto de lei que instituiu a política pública para punir os maus-tratos contra os animais."


Questionada sobre a presença maior das mulheres na próxima legislatura, Ziober lembrou dos episódios em que diz que sofreu com o machismo. "Sinceramente estou muito feliz. Teremos mais sensibilidade para temas com o bem-estar animal. E vou além disso, vamos buscar mais espaços, inclusive a presidência da Câmara."


São seis reeleitos: além de Ziober, o atual presidente da Câmara Municipal Ailton Nantes (PP), Eduardo Tominaga (PP), Jairo Tamura (PL), Emanoel Gomes (Republicanos) e Fernando Madureira (PTB). 


Tominaga atribui a vitória dele e dos demais reeleitos ao protagonismo conquistado em debates de temas importantes. O vereador foi o presidente da comissão responsável por acompanhar o processo de caducidade da Sercomtel, que culminou na privatização da empresa de telefonia londrinense.   "A gente analisa os nomes dos vereadores que protagonizaram em alguns temas importantes, que impactam diretamente na vida da população. A Sercomtel  tinha um passivo de ordem de R$ 60 milhões.e quebramos com muito debate essa resistência. Tivemos esse olhar mais técnico, sempre procurando o.contraponto e questionando o Executivo."




FIM DAS COLIGAÇÕES AUMENTA REPRESENTATIVIDADE, DIZ PROFESSOR

Para o professor de ética e filosofia política, Clodomiro Bannwart, o fim das coligações nas eleições proporcionais foi um elemento determinante para quantidade maior de mulheres vitoriosas para o parlamento londrinense. "A cota de gênero de 30% passou a incidir para cada sigla e isso naturalmente levou a um aumento progressivo das mulheres no processo eleitoral. Com mais mulheres no processo, tivemos a oportunidade de eleger mais mulheres. 


Bannwart também avalia que a mudança na legislação eleitoral  fez com que os partidos buscassem nomes de mulheres com mais representatividade para atingir o cociente eleitoral. "O partido tem esse compromisso de fazer voto e foram buscar mulheres com essa capilaridade para puxar votos porque os partidos dependem desses votos. Até para se afastar do fenômeno de 2018 de candidaturas laranjas." 


O analista político diz ainda que as eleições para Câmara sempre acabam elegendo vereadores que levam bandeiras de algum segmento ou atuam em igrejas. O cinegrafista Deivid Wisley (Pros) por exemplo, foi o segundo mais votado com a bandeira da causa animal. "No momento que o vereador vai captar o voto ele precisa falar para um segmento mais específico e ele acaba necessariamente se vinculando a um determinado segmento ou uma região para, conseguir essa identificação. Mas depois de eleito, o vereador tem um papel de discutir todos os temas da cidades, orçamento e todos os projetos." 


A configuração de siglas também não muda com um cenário favorável de base de governabilidade de Marcelo Belinati (PP) na Câmara. "Eu vejo que como os partidos não têm preocupação de caráter ideológico, há uma probabilidade grande de ajuste quando iniciar o mandato eletivo. E até pela força do Belinati -  reeleito em duas eleições consecutivas em primeiro turno - ele  terá uma força política que será elemento de atração. E não será fácil ser oposição ao prefeito."  

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