Dos Andes ao Japão
Mesmo depois de um giro pelos Andes, Walter Rodrigues não abandonou seu apurado senso de estética oriental. É ele quem leva a sua tesoura a criar volumes localizados e a nunca perder de vista a essência de seu trabalho, até nos momentos em que a sua sofisticação muda de foco, como nesta temporada. Os eleitos agora são os sóbrios ternos risca-de-giz, as peças em tweed espinha-de-peixe grafite e as formas amplas das saias. Fazendo o contraponto ao clima masculino da coleção, belíssimas segundas peles tatuadas – às vezes enriquecidas com o brilho dos cristais – trazem referências à cultura indígena latina. Ou seria à máfia japonesa? Pouco importa. O fato é que em poucos minutos – o desfile foi o mais bem editado do evento – Walter disse tudo o que queria. Uma simplicidade tocante, como a de um autêntico hai kai.

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