Vovôs na ativa
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quinta-feira, 27 de outubro de 2005
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Embora a velhice seja parte da vida, muitas vezes não sabemos como agir quando ela bate à nossa porta. Cuidar de uma pessoa idosa e se preparar para uma terceira idade de qualidade são assuntos que a maioria das pessoas nunca se preocupou. A consequência disso são milhares de velhinhos que não recebem atenção adequada, e cuidadores parentes ou funcionários de casas de repouso , despreparados e confusos.
Para tentar auxiliar essas pessoas, a Associação Médica de Londrina realizou, na semana passada, um seminário sobre a Atualização na Atenção ao Idoso. Especialistas de diversas áreas, como médicos e educadores físicos, ensinaram como o idoso ou seu cuidador deve agir na hora de levantar, sentar, se exercitar, lidar com as limitações da idade e descobrir alternativas para uma vida mais produtiva.
''É preciso se preocupar com o cuidador tanto quanto com o idoso. Essa pessoa muitas vezes é alguém da família que abre mão de seu trabalho ou do lazer para assumir essa responsabilidade. O preparo emocional e a orientação para esse tipo de trabalho são fundamentais'', comenta a médica Nisba Volpi, da comissão organizadora do evento.
A dona de casa Cláudia Guisso Leite, 50 anos, já trabalhou com idosos e aprendeu na palestra alguns truques para facilitar sua vida. ''Aprendi a importância de manter a postura e fazer exercícios para ficar mais saudável na velhice. Para cuidar dos outros, aprendi que é fundamental ter carinho e paciência com eles. Quando trabalhava como cuidadora, queria que eles levantassem de qualquer jeito, hoje aprendi que é preciso colocar a mão para servir de apoio e não forçar a coluna'', lembra.
O estudante de educação física Douglas Cordeiro Araújo, 19 anos, era um dos poucos jovens na palestra e afirma ter aprendido a importância dos exercícios físicos para garantir a independência do idoso. ''Dizer que o velho é igual a uma criança não está certo. Eles gostam de brincadeiras como as crianças, mas não choram e não são dependentes como elas. Descobri a terceira idade na faculdade e gosto de trabalhar com eles'', garante.
Em um mundo não preparado para receber os idosos, pequenos cuidados fazem a diferença na hora de manter a segurança em casa e na rua. ''Os acidentes domésticos são a quinta causa de morte entre idosos. A pessoa cai, quebra a perna, vai para o hospital e morre de trombose ou de pneumonia. Na rua, as calçadas, a pavimentação e os semáforos são outro problema. As cidades são feitas para o jovem'', diz o geriatra Marcos Cabrera.
''Em casa é preciso evitar móveis com quinas, tapetes e pisos lisos. Banheiros com barras e tapetes antiderrapantes também ajudam. Na rua é bom lembrar de andar sempre próximo de muros por causa das tonturas'', ensina Nisba. ''Precisamos entender que o equilíbrio, a visão, a audição e a força muscular dos idosos são reduzidos. Eles geralmente bebem menos água e sentem mais tontura por causa disso. Tem também os medicamentos que causam sonolência'', acrescenta Cabrera.
Mas nem só a saúde física é importante para a velhice. O especialista lembra que manter a vida social e incentivar a independência ajuda o idoso a ser mais feliz. ''Precisamos desmistificar a idéia de que o idoso precisa ser cuidado. Existem casos que precisam de mais atenção, mas a pessoa mais velha muitas vezes é capaz de fazer quase tudo sozinha, de ser autônoma. O idoso precisa continuar a viver, a descobrir coisas novas, a correr riscos'', garante.
Nessas horas, a família e os cuidadores devem despertar os potenciais dos vovôs e vovós. ''Sempre que temos um idoso perto de nós, temos a idéia de que precisamos fazer tudo para ele. Se estamos em uma festa, por exemplo, falamos para a pessoa ficar sentada que alguém irá buscar a comida e a bebida. Mas muitas vezes a pessoa teria condições de se servir sozinha. Isso vai causando no idoso a sensação de dependência, de precisar ser cuidado. E ele vai se aposentando da vida, esperando que os outros façam as coisas por ele'', diz o médico.
Inserir o idoso na família é outra atitude positiva aconselhada por Cabrera. ''Se a pessoa gosta e sabe cozinhar, ela pode ajudar ou até ser a responsável pela comida. Ter um espaço só para receber o vovô ou a vovó em casa também é importante. Uma edícula com uma cozinha e uma sala dá mais independência e liberdade'', comenta.
Para aqueles velhinhos em situação mais complicada, que precisam de atenção médica e cuidados 24 horas, as casas de repouso são as melhores opções segundo o especialista. ''Existem lugares muito bons para receber pessoas de idade, com médicos, fisioterapeutas, enfermeiros. É claro que ainda precisamos melhorar, mas se em casa não há ninguém disponível para cuidar, as casas de repouso são uma solução'', afirma.


