Voo solo
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quinta-feira, 27 de março de 2014
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Mesmo sendo algo natural e inevitável, o momento em que os filhos começam a sair sozinhos representa certa angústia para a maioria dos pais. Afinal, são vários os motivos de preocupação: violência, drogas e trânsito caótico, só para citar alguns. Com medo, muitos pais acabam por privar os filhos de suas experiências.
A psicóloga clínica Juliana Peralta afirma que não há como determinar uma idade, nem saber a hora certa, mas que os pais devem encarar esse momento como algo normal do desenvolvimento dos filhos. "Eles devem ser encorajados a sair sozinhos, pois isso incentiva a autonomia e a segurança. Em geral, por volta dos 12 anos os adolescentes começam a ser convidados para sair apenas com os amigos, mas cada núcleo familiar funciona de uma forma e as questões sociais e religiosas interferem muito", afirma.
Os pais devem investir no diálogo e as orientações sobre como se comportar sem eles deve começar ainda na infância, alerta Juliana. As responsabilidades devem ser passadas aos poucos, de acordo com a idade, e podem ser tarefas simples como guardar os brinquedos, auxiliar nas tarefas domésticas, cuidar dos animais de estimação e administrar a mesada.
Dormir na casa de parentes e amigos pode ser uma das primeiras saídas sem os pais. "Os adultos devem observar se as crianças se sentem seguras, se ficam bem. Esse pode ser um primeiro passo para a independência. Não é muito fácil para os pais, mas é preciso dar autonomia para os filhos, caso contrário vamos criar pessoas inseguras", diz a psicóloga.
Usar o transporte coletivo ou ir ao shopping com os amigos podem ser atitudes tomadas por etapas. A dica de Juliana é fazer o trajeto com o adolescente, até que ele se sinta seguro para ir sozinho. "Pode-se fazer um dia todo o trajeto, ida e volta. Depois o adolescente pode ir com um adulto e voltar sozinho, até que vá e volte sem ninguém acompanhando", exemplifica. Na ida ao shopping, na primeira vez os pais podem ficar e combinar um horário para se encontrarem em um ponto determinado. Na próxima vez os adolescentes ficam sozinhos.
Crianças e adolescentes devem ser instruídos sobre os perigos que os cercam, mas a recomendação da psicóloga é que se respeite a idade deles. "Não é preciso falar de estupro para uma criança de 7 anos, mas deve-se mostrar que existem pessoas boas e pessoas más e que ela tem que saber lidar com isso. O diálogo é muito importante e, aos poucos, os pais vão se sentir mais confiantes", reforça.
Quando os filhos vão para a balada, a recomendação dela é que os pais estejam atentos ao lugar e companhias. "Os adultos devem exercer sua autoridade, combinar previamente as regras, como o horário de voltar, e as punições. Eles devem ser rigorosos e fazer cumprir, por isso não podem ser punições muito exacerbadas. Caso o adolescente volte com outra pessoa, os pais devem observar a hora em que o filho chega em casa, como chega. Se estiver tudo bem, não é necessário perguntas. Os pais ficam ansiosos por saber o que ocorreu nas festas e acabam deixando o adolescente arredio", adverte Juliana.
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