Você tem medo de ficar por fora?
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quinta-feira, 20 de março de 2014
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Você leva o celular até quando vai ao banheiro? Não desgruda do facebook nem no bar? Não consegue ir para nenhum lugar onde não tenha sinal de internet? Cuidado! Você pode estar sofrendo de "fomo" - sigla em inglês para "fear of missing out" ou "medo de ficar por fora". Isso leva os usuários a não se desconectarem nunca e a atualizarem sistematicamente as páginas. As redes sociais, com tantas informações sobre um número imensurável de pessoas, coisas e lugares, acabam sendo terreno fértil para esse medo.
As mudanças aceleradas que acontecem na era digital, tanto em valores quanto em comportamento, podem gerar estresse e fomo, transtorno tido como um reflexo do século 21, explica Sonia Lunardon Vaz, psicóloga analítica junguiana e psicoterapeuta corporal.
"Como a informação chega de modo muito rápido, o individuo que está participando de um certo evento, logo sente que talvez naquele outro poderia ser melhor, então entra numa ansiedade e sente medo de estar perdendo alguma coisa melhor do que aquela que está fazendo. É um medo que acontece devido a interferência das redes sociais perante as escolhas diárias. Uma angústia que acomete aquele que gostaria de se fazer presente em todas as oportunidades sugeridas pela rede naquele momento, resultando, por vezes, em medo e culpa", analisa.
Não é novidade que a internet revolucionou a vida das pessoas. Seja para trabalho, pesquisas escolares ou vida social, nada mais é igual depois que o mundo se uniu em rede e muita coisa se tornou mais fácil. Entretanto, diversos comportamentos e fenômenos, nem sempre positivos, surgiram a partir dela. Ansiedade, estresse, insônia já são relacionados à internet e mesmo as fotos da malhação, da sua viagem preferida e do jantar inesquecível podem ser gatilhos de sensações desagradáveis.
"Por vezes, a rede social parece o domingo de antigamente onde as pessoas colocavam seu melhor chapéu, seu melhor traje e iam se mostrar na missa. Em outras, parece uma competição de quem é mais indignado, rebelde e contra o sistema. E ainda em outras a disputa de quem fala mais e age mais de modo agressivo e sem qualquer regra. Todos à caça de aceitação, de aprovação, de curtidas e compartilhamentos", contextualiza Sonia
Na opinião da psicóloga, as pessoas que estão se comportando nas redes sociais como se estivessem "numa roda de amigos" estão equivocadas. "As redes abrangem uma exposição muito mais ampla e toda e qualquer informação poderá ser usada contra você. Banalizar sua intimidade e se dissociar da privacidade pode levar a uma existência genérica e completamente descartável onde até mesmo a personalidade da pessoa é vista como um objeto", aponta.
Como é quase impossível ficar desconectado, ela aconselha que cada usuário mantenha conexão com sua própria realidade e não se deixe envolver pela rede. No entanto, se você perceber que o comportamento alheio já está influenciando o seu de maneira negativa, é hora de buscar ajuda. "Um profissional deve ser imediatamente procurado quando a pessoa perceber que sua vida se diluiu na virtualidade. Os sintomas de estresse, fomo, problemas de sono e depressão podem estar associados ao vício em rede social", alerta.
Saiba maisFomo - é a sigla em inglês para "fear of missing out" ou "medo de ficar por fora". Faz com que o indivíduo não queira se desconectar da internet
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