Viver ativamente é o segredo
O artista plástico Júlio Gentil, 69 anos, é enfático ao dizer que o relógio é o seu grande inimigo. Enquanto muitas pessoas da sua idade costumam reclamar que as horas não passam, ele tem outro ritmo. ''O dia é sempre curto para mim'', diz. Para realizar a maioria de suas obras, calcula que teria que viver, pelo menos, até os 93 anos. ''Só assim conseguiria pintar todos os quadros que estão dentro de mim'', observa.
Sua atividade mental é tão grande que ele chega a sonhar com os quadros que vai pintar. Por isso, mantêm caneta e papel ao lado da cama para esboçar os croquis durante a noite. O dia de trabalho começa com uma caminhada à beira do lago Igapó e termina, geralmente, dentro do ateliê, onde tem passado a maior parte de seu tempo desde 1994, quando começou a viver da sua arte. Antes disso, a pintura era apenas um hobby.
Natural de Jacarezinho, Júlio passou por diversas experiências profissionais. Formado em Ciências Naturais, ganhou uma bolsa de estudos para os Estados Unidos, onde cursou a faculdade de Geologia. De volta ao Brasil, trabalhou como geólogo na Petrobrás, foi professor universitário em Recife, comerciante, fazendeiro, empresário e apicultor no Paraná. No início dos anos 90, já aposentado, passou por Londrina para visitar os filhos que estudavam na cidade e acabou ficando por aqui.
Para o artista, viver ativamente - o que, ele faz questão de frisar - é diferente de fazer atividades, é o segredo de sua vitalidade. Apesar do tempo escasso, Júlio mantêm uma vida social intensa o suficiente para vender parte de seus quadros, cultiva amigos e curte os netos. No final das contas, nem sobra tempo para pensar na idade. (Rosângela Vale)





