Vivendo na contramão
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quinta-feira, 30 de abril de 1998
Celina Alonso Az 
O DJ Josley Barbosa adora a noite, mas faz planos de voltar a dormir normalmenteQuando todo mundo se prepara para dormir, eles estão saindo de casa. Na hora que o nosso despertador avisa que o dia está começando, eles estão voltando. Os notívagos são pessoas que trocam o dia pela noite. A maioria porque o trabalho exige. Outros porque adoram ter a noite como companheira. E o seu relógio biológico como é que fica? Será que isso é bom para a saúde?
O DJ Josley Barbosa, 25 anos, há seis anos trabalha numa casa noturna. Vai dormir por volta das sete da manhã e acorda depois do meio-dia. Ele afirma que seu corpo se satisfaz com seis horas de sono. Às vezes sinto um pouco de sono à tarde, mas logo passa. No seu trabalho, ele ouve sem parar o chacundun da techno-music e nem percebe que do lado de fora a cidade dorme. Nesta hora estou com o maior pique. Durante o dia só fico mais lerdo se acordar antes do meio-dia. Mesmo quando durmo pouco aguento, mas sei que as horas perdidas eu não recupero mais, conta Josley. Ele diz que viver na contramão da vida da maioria das pessoas não altera em nada o seu relacionamento social. A namorada não trabalha, só estuda. Nos encontramos à tarde ou quando ela vai me ver trabalhar. Mas ele não pretende continuar por muito tempo trabalhando dessa forma. Desgasta muito. Não penso tanto no agora porque nesta idade a gente não sente muito, mas sei que se ficar nesta vida por muitos anos será prejudicial, diz Josley.
Outro contratempo de quem vive à noite é para marcar compromissos. Janice Cunha Cintra, 42, é enfermeira há 10 anos. Sai do hospital às sete da manhã. Dorme até às 16 horas. Corro para pegar bancos abertos, marcar consultas em médicos e dentistas e sempre que posso agendo tudo para depois das 17 horas, quando muita repartição já fechou, conta Janice.


