Crianças
Se um bebê não apresenta nenhuma alteração ocular ao nascimento, o recomendável é fazer um check-up oftalmológico aos 3 anos de idade. Algumas crianças, nesta fase etária, podem apresentar alterações visuais que só o exame pelo especialista será capaz de detectar. Um dos exemplos clássicos é o problema de forte hipermetropia em apenas um dos olhos. Se o outro olho estiver normal, este não vai permitir que a criança ou os pais tomem consciência do problema no olho afetado. Se o problema for tratado antes dos 4 anos, é possível recuperar a acuidade visual deste olho com tratamento adequado.

Lágrimas
O lacrimejamento constante de um ou dos dois olhos, acompanhado de uma conjuntivite crônica, impõe um tratamento de imediato, pois é bem possível que o canal lacrimonasal, que permite o escoamento normal da lágrima dos olhos para o orofaringe, não esteja permeável, dificultando esta drenagem natural da lágrima. Habitualmente massagens especiais resolvem 90% destes problemas. Se o quadro, conhecido como "epífora", não responde a este procedimento, então poderá ser indicada uma "sondagem" deste canal lacrimonasal ou uma cirurgia (dacriocistotomia).

Hereditárias
Muitas doenças oculares têm características familiares ou hereditárias e isto obriga seus descendentes a averiguarem se também não têm tendência para desenvolver tais doenças. Exemplos comuns são a própria miopia, descolamentos de retina, glaucoma, catarata e, nos indivíduos mais idosos, o desenvolvimento de degeneração macular relacionada à idade.

Glaucoma
Nos casos de glaucoma, doença que se caracteriza pelo aumento da pressão intraocular, é necessário um exame oftalmológico aos 40 anos de idade. O intervalo para novos exames será determinado nesta primeira consulta. Se houver antecedentes graves na família da presença de glaucoma, seus descendentes devem fazer o exame de tonometria (pressão intraocular) ainda na adolescência. Mas é bom lembrar que nem sempre o glaucoma está associado ao aumento da pressão. Há casos em que a doença pode aparecer mesmo em casos de pressão ocular normal. Isto exige uma avaliação do campo visual, uma tomografia do nervo óptico e a medida da espessura da córnea para se fazer o correto diagnóstico desta grave doença.


Portadores de diabetes, pressão arterial elevada, aumento de colesterol, nefropatias, tumores intracranianos e aumento exagerado da pressão arterial em meio a uma gravidez (podendo sugerir um estado de pré-eclâmpsia, quadro grave que pode terminar numa eclâmpsia) devem se submeter regularmente a um exame conhecido como fundo de olho. Mais de 120 doenças sistêmicas podem ser detectadas com esse exame.

Fonte: Miguel Ângelo Padilha, membro do Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Oftalmologia

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