VIVA BEM - Formiga, eu?
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quinta-feira, 10 de março de 2016
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Sabe aquela vontade incontrolável de comer um doce que temos de vez em quando? Ela pode ir muito além de um simples capricho. Segundo Marcio Mancini, endocrinologista e responsável pelo Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da USP, diferentes situações podem levar uma pessoa a ter vontade de comer doce, desde hábitos até distúrbios mais sérios como hipoglicemia quando há baixa concentração de glicose no sangue. "Diferenças genéticas nos receptores de sabor amargo, gorduroso ou doce nas papilas gustativas da língua podem fazer com que indivíduos já nasçam com maior preferência por alimentos doces".
O endocrinologista aponta que o consumo de carboidratos, como é o caso do açúcar, aumenta a absorção de triptofano, um aminoácido essencial utilizado pelo cérebro para produzir a serotonina, um neurotransmissor que interfere em algumas funções: o início do sono, sensibilidade à dor e controle do humor, além da sensação de bem-estar. Por isso nos sentimos tão bem após ingerir doces.
"Muitas pessoas acabam excedendo o consumo de carboidratos para se sentirem melhor quando expostas a diversas situações: estresse, no caso de mulheres com síndrome pré-menstrual, pacientes com 'depressão sazonal', indivíduos que estão tentando parar ou que pararam de fumar, entre outros. Porém, é verdade que o corpo necessita de glicose diariamente, pois é nutriente que alimenta o cérebro. Assim, quando o organismo se sente mais cansado, o que normalmente acontece depois do almoço e no final da tarde, é comum ele solicitar alimentos com taxas de glicose altas, como doces ou pães", explica.
Nesses casos, afirma o especialista, não adianta substituir o açúcar por nada com adoçante, já que este não produz as mesmas sensações. Para pessoas com obesidade e até mesmo com diabetes, Mancini explica que não precisam eliminar totalmente o açúcar da sua alimentação. "O imprescindível para esses casos é ingeri-lo com acompanhamento médico. Outro ponto é que não devemos 'vilanizar' determinado tipo de alimento dizendo que é o culpado pela obesidade ou outras doenças, pois são problemas com diferentes indícios. A questão não é o açúcar em si, mas a quantidade e o contexto em que ele aparece", alerta o endocrinologista.
O médico afirma que o doce, em pequenas quantidades e aliado à uma dieta equilibrada e à prática de exercícios, cabe na alimentação de todos. "O momento ideal para a ingestão de açúcar é depois de refeições, pois assim o corpo se contenta com porções pequenas e não exagera na quantidade. Outro momento é após a prática de exercícios, quando o corpo consume a glicose para a recuperação dos músculos', ensina.
Essas dicas podem ser usadas durante a TPM, quando a oscilação hormonal e a queda do nível de serotonina nos fariam procurar mais pelos doces. "Uma baixa no neurotransmissor pode explicar sintomas como irritabilidade, variação de humor e aumento na fome, especialmente a fome de doces, em uma tentativa do organismo conseguir mais carboidratos, que aumentem a síntese de serotonina."


