"As estatísticas indicam que de 20% até 80% da população pode estar deficiente de vitamina D, dependendo de onde ela more", alerta o endocrinologista e nutrólogo Leonardo Higashi. "Mas aqui, 90% dos pacientes que chegam estão deficientes de vitamina D, talvez pelo viés da minha prática. Mas atendo homens e mulheres em várias faixas etárias, de crianças a idosos", explica.

"Para se falar em vitamina D é preciso entender um pouco a evolução da espécie. O que acontece é que você sintetiza a vitamina D pelo sol principalmente. Antes o homem vivia pelado, sob o sol e sem protetor solar. Foi evoluindo, vivendo com mais roupa e embaixo de um teto mundo. Hoje todo mundo sai de casa com protetor com medo de machucar e manchar a pele", explica Higashi.

Não por acaso, médicos das mais variadas especialidades estão pedindo o exame que mede a concentração de vitamina D no organismo. "Antes deixado de lado por muitos, o exame já teve aumento de 50% nas solicitações no último ano", contabiliza o bioquímico Marcos Kozlowski, responsável técnico do Lanac – Laboratório de Análises Clínicas, de Curitiba.

"No Ocidente, a dieta é muito pobre em vitamina D. O alimento que mais tem a vitamina é o óleo de fígado de bacalhau. Tem um pouco na gema do ovo e nas castanhas, mas isso não é suficiente para repor a vitamina D. É por isso que a maioria das pessoas está precisando suplementar, até porque ela é muito importante para o corpo", explica Higashi.

Segundo o endocrinologista e nutrólogo, estudos mostram que 3% ou mais de todo o código genético é modulado pela vitamina D. "O que é bem conhecido é a relação dela com o metabolismo do cálcio. A vitamina D faz você absorver o cálcio intestinal para fixar nos ossos. Quem tem deficiência de vitamina D tem mais infartos e derrames, além da osteoporose, que é claramente relacionada. Quem tem deficiência de vitamina D tem mais diabetes e mais obesidade, como mostram os estudos. Há uma relação da questão do metabolismo da resistência insulínica, que é um passo inicial para se ter um diabetes tipo 2", lista.

E o médico acrescenta: "Há também a relação da deficiência de vitamina D com o aumento do risco de câncer, doenças autoimunes e depressão. Então, a vitamina D, que tem nome de vitamina, mas ação de hormônio, é boa não apenas para fortalecer os ossos. É boa para imunidade, para diminuir os riscos de problemas cardiovasculares, diminuir a tendência de diabetes", explica.

Segundo Higashi, a exposição solar é a via mais importante de vitamina D para o corpo. "Mas tomar sol apenas no sábado à tarde e no domingo de manhã, por exemplo, não é suficiente. Então, o recomendável é recorrer à suplementação de vitamina D", destaca, informando que a suplementação pode ser feita por via oral, sublingual ou injetável.

Mas e quem passou os últimos anos com medo de se expor ao sol, tido como um grande vilão? "O excesso de sol pode dar câncer de pele. Mas o que acontece é que você não pode lesionar a pele", diz o endocrinologista. "Para conversão de vitamina D, o melhor é o sol forte. Mas é preciso encontrar o equilíbrio. Quando você tiver um leve rubor na pele é a hora de sair do sol ou passar o protetor solar", explica Higashi. O tempo de exposição, segundo lembra o médico, vai depender de cada tipo de pele. "O que não pode acontecer é tomar um banho logo em seguida da exposição ao sol. A vitamina D é lipossolúvel e vai sair quando passar o sabonete", ensina o endocrinologista.

As estatísticas no consultório de Higashi mostram que a carência de vitamina D não escolhe sexo nem faixa etária. "O que acontece é que a mulher tem tendência maior a ter osteoporose", explica. O Lanac cita uma pesquisa divulgada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia que revela que as mulheres do Sul do Brasil são as que apresentam maior deficiência da substância no organismo. Entre as curitibanas acima de 50 anos, 77% sofrem com a carência da vitamina D.

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