Se seu filho fica muito próximo da tevê, franze a testa com certa freqüência, como se fi­zesse esforço para enxergar, reclama de ardência nos olhos e tem dores de cabeça, fique a­tenta. Sintomas como esses, explica a oftalmologista Cristiane Assami Chui Oguido, podem sinalizar problemas de visão. "Em casos de histórico familiar, redobre a atenção", diz.
Segundo a médica, o ideal é que os pais levem a criança ao oftalmologista a partir dos 4 anos de idade para uma primeira consulta, independentemente de haver sintomas ou não. "Nessa idade a criança não sabe ler, mas já é possível exa­miná-la. O procedimento é comum, com o uso de colírio para dilatar a pupila. Na faixa etária dos 8 aos 9 anos, a visão da criança já está formada, por isso é importante interceder antes, caso haja algum problema", assinala.
Para os quadros em que já foi detectada a necessidade de usar óculos, a oftalmologista avisa que não existe idade certa para começar. Até mesmo bebês podem fazer uso deles.
E ao contrário do que muitas pessoas imaginam, crianças se acostumam mais facilmente com os óculos do que adultos e idosos. "Quanto mais cedo começar, melhor. Em geral, elas gostam de usar óculos, pois rapi­damente percebem a melhoria na qualidade da visão", conta.
Uma dica é levar o pequeno à loja para que ele possa escolher o tipo de armação que mais agrada. Lentes feitas de policarbonato não quebram com tanta facilidade e armações em acrílico são mais resistentes, indica a médica.
A maior preocupação, na opinião de Cristiane, são as crianças que apresentam dife­renças de grau de um olho para o outro. "Se a visão for normal em um dos olhos, e baixa no ou­tro, haverá uma compensação, assim, às vezes, a criança não sinalizará sintomas", diz.
Uma forma de detectar se e­xiste algum problema de visão na garotada, e que os pais podem fazer em casa, é tampar um dos olhos e pedir para a criança des­crever o que está enxergando. Depois, basta repetir o mesmo teste no outro olho. Se ela não conseguir responder ou ficar muito irritada, é bom ficar de olho.
De acordo com a médica, em escolas públicas boa parte dos professores recebe treinamento para verificar a visão dos alunos. "São feitos testes básicos. Muitas vezes é o professor que percebe quando a criança não está escrevendo direito, trocando as letras. Já atendi muitos casos em que o aluno foi encaminhado pela escola", revela.
Uma pesquisa realizada em Taiwan, pelo Ministério da Educação, apontou que 45% dos alunos do primário são acometidos por miopia, e que no ensino médio o problema aparece em 69% dos estudantes. Segundo a matéria publicada no portal do Estadão em novembro de 2010, os números altos de predomínio de miopia no país se explicam por fatores genéticos e ambientais, como o excesso de tempo em frente à tevê e ao computador, somado às horas em que os estudantes se dedicam ao aprendizado da difícil língua chinesa.
No entanto, Cristiane Chui Oguido afirma que passar muito tempo em frente às telas de aparelhos eletrônicos não causa alteração na visão. "O que pode ocorrer é o ressecamento dos o­lhos. A visão não gasta", explica. A dica é fazer um intervalo de 10 minutos e olhar para um local amplo a cada uma hora passada em frente ao computador ou tele­visão, para que os olhos descansem

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