Vidro, sopro e arte
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de março de 2003
Angela Raizer Barbosa<br> Enviada Especial 
Raras são as vezes que algo original e belo nos surpreende. O trabalho da designer Jacqueline Terpins tem esse poder, sempre. Com aguçada percepção estética e muita criatividade, ela continua fazendo com vidro e cristal objetos únicos, de formas simples ou ousadas, monocromáticas ou com detalhes de cor. Seduzida por esse material duro, que se molda com calor e sopro, Jacqueline explora ao máximo sua transparência, criando vasos, lamparinas, bowls, móveis, puxadores, bandejas, luminárias, enfim, peças do cotidiano familiar com aura de esculturas, puros objetos de desejo.
''O vidro me encanta porque tem o dentro e o fora'', afirma a designer em entrevista exclusiva para a Folha da Sexta, durante a 26 Gift Fair, realizada no início do mês em São Paulo. Além de lançar duas coleções por ano, Jacqueline desenvolve um trabalho menos comercial e mais escultório em vidro soprado e com espelhos laminados embutidos em móveis (como a mesa Nosotros, na capa desta edição) ou em painéis modulares com lapidação côncava, que multiplicam e fragmentam a imagem, batizados de Eus.
Sua trajetória começou em 1979, quando desenvolveu os primeiros trabalhos em vidro soprado e cristal, depois de vários cursos nos Estados Unidos é formada em design gráfico com especialização em artes plásticas. Em 1999 deu início à criação de móveis com vidro plano de 20 milímetros quem visitou a 7 MDI em Londrina, ano passado, deve ter guardado na memória o visual transparente da poltrona Quatro, que integrava o ambiente do arquiteto Guillherme Torres. ''A geometria pura, rígida, que deu origem a essa linha de mobiliário, é uma linguagem que surgiu da necessidade, pois não temos fornos no Brasil que possam conformar um móvel de vidro'', revela a designer.
São, com certeza, as propriedades do vidro a grande e inesgotável matéria-prima que instiga seu trabalho. ''É preciso deixar o vidro falar, seus próprios movimentos indicam caminhos que permitem a criação'', diz ela. E é assim, ''deixando o vidro falar'', que Jacqueline Terpins se mostra capaz de extrair dele novas surpresas visuais, traduzidas em formatos inusitados, quase improváveis, mas jamais impossíveis. n
* A jornalista Ângela Raizer Barbosa viajou a convite da Laço, promotora da Gift Fair.


