VideoKid (Celso Mattos)
Babe - o Porquinho Atrapalhado na Cidade
ReproduçãoA continuação de Babe deixa a fábula de lado para retratar o caos absolutoAqueles que se encantaram com a inocência e delicadeza de Babe - o Porquinho Atrapalhado, que concorreu ao Oscar de Melhor Filme em 1995, vão se decepcionar com essa continuação. Aos pais, um aviso: Babe - o Porquinho Atrapalhado na Cidade, mais assusta que diverte. É triste, melancólico e depressivo. Corre-se o risco de a criança ter uma crise de choro durante o filme ou ter pesadelos à noite. Na passagem da vida rural para a urbana - para onde Babe vai com sua dona Esme Hoggett (Magda Szubanski), na tentativa de salvar a fazenda a ser confiscada por um banco - tudo adquire proporções superlativas.
Há mais ação, reviravoltas e piadas que no primeiro Babe, mas isso implicou também na mudança de eixo da fábula, que passou a ser regulada por princípios menos puros. Na cidade, para onde o leitãozinho vai, tudo parece girar em torno do caos. É um lugar tenebroso e sombrio que chega a lembrar Metrópolis, de Fritz Lang, habitada por animais excluídos e rancorosos. A fábula atemporal do filme original cede lugar a uma história amarga e crítica da sociedade contemporânea.
Dirigido por George Miller (roteirista e produtor do primeiro Babe) e diretor de filmes como Mad Max e O Óleo de Lorenzo, esta continuação foi um fracasso de bilheteria. Não é díficil saber o porquê: apesar de bem-feito e com uma bela fotografia, o filme é angustiante e não poupa o espectador mirim de cenas que até os adultos fecham os olhos para não ver. Cachorros são atropelados por carros, uma macaca grávida é arrastada pelas ruas, aquários são quebrados enquanto os peixes ficam estrebuchando no chão por falta de água. E o que é pior, tudo embalado por uma trilha sonora pra lá de melancólica.
Ao tentar reproduzir entre os animais todas as mazelas que existem entre os humanos que vivem nas grandes cidades, o diretor exagerou na dose, colocando na tela cachorros paralíticos, macacos depressivos, pit-bulls sanguinários e gatos que vivem nas ruas morrendo de fome. É pura tristeza. Lançamento da CIC Vídeo. Duração: 97 minutos.
Reprodução
Mesmo tocando em temas delicados, o roteiro de Mulan é leve e envolvente
Mulan
Produção dos Estúdios Disney, o desenho animado Mulan é um filme belíssimo e ancorado em uma história emocionante. Com personagens bem desenvolvidos e, o que é melhor, sem aquela overdose de canções que acaba por desviar a atenção do público. Baseado num antigo conto chinês, o filme conta a história de Mulan, uma adolescente de espírito forte que vive com seus pais na China Imperial. Quando a Grande Muralha é atacada pelos bárbaros hunos, o imperador exige que cada família envie um representante para defender a pátria.
Sem ter irmãos e temendo pela vida do pai adoentado, Mulan resolve fugir de casa e se alistar no exército como homem. Mesmo tocando em temas delicados como família, tradição e honra, o roteiro é simples de seguir e bastante envolvente. Melhor ainda: apesar de tratar com fidelidade a guerra entre a China e o exército de bárbaros, a ação é conduzida com leveza, encantando a garotada sem cansar os adultos.
Mulan é uma produção com muita personalidade, o que prova o talento dos diretores Barry Cook e Tony Bancroft. Os personagens dialogam com o grafismo da arte chinesa e com os recursos da bem-sucedida animação japonesa, sem perder a deslumbrante qualidade técnica. A cena do ataque dos hunos ao diminuto exército chinês, com milhares de cavalos inimigos avançando em meio às montanhas geladas, é de cair o queixo. Lançamento da Abril Vídeo. Duração: 87 minutos.





